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Praga de gafanhotos é ameaça no Songo

Venâncio Víctor| Malange

Uma praga de gafanhotos está a afectar as principais culturas na região do Songo, a sul de Malanje, que abrange os municípios de Quirima, Luquembo e Cambundi Catembo.

A mandioca cultivada na época agrícola passada acabou por secar contribuindo deste modo para uma crise nos campos de cultivo
Fotografia: Jornal de Angola

O administrador municipal de Cambundi Catembo, Francisco Mutacambo, considerou a situação preocupante, durante a visita do vice-governador para o sector técnico e infra-estruturas, Gabriel Pontes, e disse que as autoridades locais e a população temem uma possível penúria alimentar.
“A situação arrasta-se desde 2009 e está a ganhar proporções alarmantes nos últimos tempos”, esclareceu, acrescentando que a mandioca, o produto mais afectado na região, constitui a principal cultura alimentar e fonte de sobrevivência da população.
Francisco Mutacambo explicou que esta situação é do conhecimento do Governo Provincial, mas até ao momento ainda se espera uma solução, que permita pôr fim à propagação da praga de gafanhotos nos três municípios do Songo, com realce para o de Cambundi Catembo.
Para já, o administrador admite a hipótese de a região do Songo poder estar na eminência de uma penúria alimentar e salientou que só no seu município  mais de 14 mil famílias camponesas estão a ser afectadas pela situação.
“No passado, escoávamos grandes quantidades de bombó, a partir de Cambundi Catempo, para os pequenos centros comerciais de Malanje e do resto do país. Infelizmente, nos últimos anos, não tem sido possível, devido à praga”, assinalou.Técnicos do Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA) em colaboração com as administrações municipais estão a desenvolver esforços para a criação de campos de multiplicação de novas sementes, para substituir as plantas já afectadas. 

Crise no campo de cultivo


O regedor de Cambundi Catembo, João André,  disse que a mandioca cultivada na época agrícola passada acabou por secar, contribuindo, deste modo, para uma crise nos campos de cultivo. Em função desta situação, pediu ao Governo Provincial para tomar medidas e acudir à situação. João André explicou que, além da praga de gafanhotos, a falta de máquinas e de sementes para o incremento da produção agrícola também está a preocupar os camponeses da região.
O responsável municipal da Estação de Desenvolvimento Agrário (EDA), de Quirima, Mendonça Baião, informou que a praga de gafanhotos já devastou mais de dois mil hectares. “Portanto, vamos trabalhar para dar solução a esta  crise que os camponeses da região vivem, sob pena de não colherem o que plantaram”, disse. Os camponeses queixam-se ainda dos elefantes, que têm devastado uma boa parte da cultura da mandioca no município. Aliado a isso, está igualmente a falta de instrumentos de trabalho, como enxadas, catanas e outros.
Mendonça Baião garantiu o empenho dos camponeses nesta campanha, para fortificar o combate à pobreza no município de Quirima.
Durante a época agrícola passada, foram cultivados mais de dois mil hectares de produtos, como amendoim, mandioca, feijão e batata-doce. A região conta actualmente com seis associações de camponeses.

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