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Quebra de sigilo afasta voluntários de testes

Venâncio Victor| Malanje

O secretário executivo da Rede Angolana das Organizações ao Serviço da Sida, António Coelho, manifestou em Malanje a sua preocupação com a falta de sigilo profissional e de confidencialidade entre os técnicos da saúde, facto que leva muita gente a evitar os centros de testagem voluntária na região. 

António Coelho, que falava na I Conferência Provincial sobre o Plano de Aceleração e Resposta à Sida, disse que existem em Malanje unidades sanitárias que ainda discriminam as pessoas infectadas.
Por isso, considerou ser necessário trabalhar em prol da sensibilização dos profissionais de Saúde, para deixarem o preconceito, estigma e discriminação. As pessoas infectadas com o HIV são normais, apesar da infelicidade de terem sido infectadas.
Em Malanje muita gente não aceita fazer o teste violuntário porque quando o resultado é positivo, disse, a informação é ­vinculada aos membros da comunidade e a partir daquele momento, a pessoa infectada passa a ser discriminada, estigmatizada e abandonada por falta de sigilo, confidencialidade e profissionalismo dos quadros da Saúde.
O secretário executivo da Rede Angolana das Organizações ao Serviço da Sida disse ser necessário mais profissionalismo, porque os voluntários estão a  ser repelidos, uma realidade que vai facilitar a propagação da doença.
Segundo António Coelho, menos de 25 por cento das pessoas conhecem o seu estado serológico em Malanje, acrescentando que o teste é uma medida viável de prevenção e que permite a obtenção de informações para mais facilmente lidar com a infecção.
António Coelho condenou a atitude de pessoas que sabem que vivem  com HIV/Sida mas  envolvem-se sexualmente com outras, de forma deliberada e consciente, um comportamento que considerou condenável. Por isso, referiu que é necessário trabalhar para a mudança de mentalidades das pessoas para evitar o alastramento da doença na província de Malanje.
António Coelho pediu igualmente aos seropositivos que ajudem o Governo no combate ao estigma e à discriminação nas comunidades, na família e nos hospitais. Apelou aos líderes comunitários para sensibilizarem as populações no sentido de evitarem os comportamentos de risco, para não se tornarem vulneráveis à Sida.
No período compreendido entre Janeiro e Novembro deste ano foram efectuados 34.097 testes, que resultaram em 785 casos positivos, tendo-se registado um aumento de mais de dois mil casos em relação a igual período do ano anterior, de acordo com o supervisor provincial do programa de luta contra a epidemia do VIH/Sida, Júlio Borges.
A Rede Angolana das Organizações ao Serviço da Sida agrupa actualmente 300 associações, em todo o país.

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