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Quirima já pode ouvir a Rádio Nacional

Filipe Eduardo| Malange

A população do município do Quirima, no sudeste da província de Malange, começou a receber o sinal da Rádio Nacional de Angola (RNA) ao fim de 38 anos, com a montagem de um retransmissor de um kilowatt, inaugurado pelo governador Norberto dos Santos “Kwata Kanawa”.

A localidade estava desde 1975 sem sinal radiofónico facto que privou a população de acompanhar o desenvolvimento do mundo
Fotografia: Filipe Eduardo

Para o director da Rádio Malange, Francisco Pedro, o projecto de expansão de retransmissores é uma política do Conselho de Administração da RNA, no âmbito da modernização da extensão do sinal a todo o país, na perspectiva de informar as populações com qualidade técnica, profissional, rigor e isenção.
A localidade do Quirima estava desde 1975 sem sinal radiofónico, facto que privou a população de acompanhar o desenvolvimento do mundo e acompanhar a par e passo as acções levada a cabo pelo Executivo. O retransmissor inaugurado vai emitir sinal a toda a região Songo, que compreende os municípios de Quirima, Luquembo e Cambundi Catembo.

Faltam professores

O administrador municipal, Daniel Lopes, disse que o sector da Educação tem apenas 163 professores, um número que considera insuficiente para dar resposta à actual exigência. Para colmatar o défice, garantiu ser necessário o enquadramento de mais de 300. Como uma das soluções, sugeriu a aposta na juventude local e lamentou a falta de patriotismo por parte destes, que deviam assumir o papel de professor. “Antigamente baseávamo-nos no princípio segundo o qual o professor era um combatente da linha da frente, mas hoje o amor à pátria quase se diluiu”, disse Daniel Lopes, para quem muitos jovens que ficam aptos nos concursos públicos no município acabam por regressar meses depois à sede da província, alegando a distância e condições para se manterem no município.
O sector da Saúde não foge muito daquilo que se passa na educação. O administrador afirma ser necessário o enquadramento de mais 40 enfermeiros e quatro médicos e pediu às populações para saberem esperar, pois a resolução dos problemas com que se debatem, desde os mais pequenos aos de solução mais difícil, acabará por chegar.
As vias terciárias também fazem parte da lista das dificuldades do município, que conta com duas regedorias a sul, Bumba a cerca de 100 quilómetros e Chinguinga a 64, nunca tiveram qualquer serviço até à data por falta de acessos, uma vez que as pontes se encontram em mau estado.

Falta de água

A água é problema, mas o administrador garantiu que todos os esforços estão a ser feitos para resolver a situação. O governador de Malange, Norberto dos Santos “Kwata Kanawa” afirmou no sábado, no município do Luquembo, estar preocupado com a prática “Mbambo”, um ritual tradicional que consiste em administrar um produto a pessoas acusadas de feitiçaria.
 De acordo as autoridades locais, pelo menos 35 pessoas, entre as quais crianças, morreram nos últimos seis meses vítimas da ingestão deste produto, uma mistura de casca de árvores, peles de animais e outros componentes.
Durante o encontro mantido com as autoridades tradicionais naquela localidade, Norberto dos Santos instou os sobas a sensibilizarem os autores de tais actos, no sentido de evitarem essas práticas, porquanto têm estado a matar cidadãos inocentes. “É uma prática que deve ser prontamente combatida, por constituir um atentado ao direito à vida humana”.

Polícia Nacional


O comandante provincial da Policia Nacional em Malange, comissário Domingos José Bernardo, que integra a comitiva da visita de campo do governador a oito dos 14 municípios, deu ordens expressas aos graduados de Luquembo para identificarem os autores e os responsabilizarem criminalmente.
Mbambo é um produto amargo semelhante a um veneno, susceptível de matar qualquer pessoa que o tome, de acordo com os mais velhos. Trata-se de um ritual muito antigo, mas que hoje, na região do Songo, ainda é praticado.As autoridades tradicionais pediram à Polícia Nacional e Administração local para porem cobro a este costume.

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