Províncias

Recomendado mais diálogo no convívio entre as famílias

Francisco Curihingana | Malanje

A falta de acompanhamento e de diálogo no seio familiar foi apontada ontem pelas participantes à quarta Conferência Provincial sobre a Mulher e a Violência como a principal causa do surgimento da gravidez precoce, com tendência de aumentar na província.

Durante os trabalhos, que se realizaram no auditório da Rádio Malanje, as participantes abordaram com maior incidência as violações sexuais contra a mulher e menores, assim como a gravidez e casamento precoce, que se vem assistindo nos últimos tempos.
Constituíram objectivos de fundo da conferência, orientada pela directora provincial do Ministério da Família e Promoção da Mulher, Ânsia Camuanga Salatiel, o aumento da mobilização social e a consciência pública, o combate à violência sexual contra as mulheres e meninas, violência doméstica, a consolidação à nível sectorial dos dados estatísticos sobre a violência doméstica, bem como a contribuição visando a harmonia, estabilidade e coesão das famílias e fazer cumprir a lei para reduzir o índice da violência doméstica.
A conferência considerou a necessidade da criação de condições para o fortalecimento do poder da mulher, com vista a contribuir no desenvolvimento da sociedade e promover a igualdade de oportunidades no seio das famílias.
As participantes consideraram que uma resposta abrangente à violência não se circunscreve exclusivamente à protecção e apoio às vítimas da violência, mas sim aquela que promove a não-violência e a sua redução, contribuindo desta feita para a mudança das circunstâncias e condições que periodicamente dão origem à violência.
Ainda durante os trabalhos foi recomendada a necessidade de os pais e encarregados de educação estarem em alerta com os seus filhos, no sentido de se evitar a “dupla personalidade” e comportamentos desviantes na fase da adolescência e intensificar a sensibilização da sociedade sobre a cultura jurídica na denúncia dos casos de violação.
A necessidade de as autoridades tradicionais conhecerem os membros da comunidade, para evitar pessoas com comportamentos maliciosos, maior diálogo na família e educação sexual dos adolescentes foram recomendados no termo dos trabalhos.
O vice-governador de Malanje para o sector Político e Social, Manuel Campo, considerou haver ainda um desconhecimento do conceito “Violência Doméstica”, em virtude de muitas pessoas interpretarem-na somente por agressões físicas, descurando a violência psicológica, sexual, patrimonial, verbal e abandono familiar, à luz do artigo número três da Lei 25/11 de 14 de Julho.
Para o governante, “urge   continuar  a disseminar este conceito no sentido de melhorar o conhecimento de todos os cidadãos, de modo que estes possam denunciar tais práticas”.
O vice-governador provincial, Manuel Campo, explicou que os infractores à lei devem ser responsabilizados criminalmente, nos termos do número dois do artigo 25.º da Lei 25/11 de 14 de Julho, para desencorajar tais comportamentos.

Tempo

Multimédia