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Sector da Saúde em Malanje com novos médicos este ano

Luísa Victoriano | Malanje

O sector da Saúde na província de Malanje vai contar este ano com mais de 40 novos médicos angolanos formados localmente em várias especialidades para o reforço da rede sanitária e a cobertura em função das necessidades dos restantes municípios da região.

Inserção de mais médicos vai dar resposta ao problema relacionado com a carência de quadros e melhorar a assistência médica à população
Fotografia: Eduardo Pedro | Edições Novembro

O director provincial da Saúde, Avantino Sebastião, acrescentou que a inserção de mais quadros, no sector que dirige, vai dar resposta ao problema relacionado com a carência de quadros e melhorar a assistência médico-medicamentosa à população à luz do programa de humanização dos serviços de saúde.
O responsável assegurou que os quadros estão dotados de conhecimentos técnico-científicos e capacitados para prestar um melhor serviço à população.

Expansão dos serviços


O director provincial da Saúde precisou que Malanje conta actualmente com 185 unidades sanitárias nos 14 municípios para garantir assistência médico-medicamentosa aos munícipes nas referidas circunscrições.
De acordo com o responsável, deste número de unidades sanitárias, 172 estão em funcionamento pleno e as restantes em reabilitação ou condicionadas ao pessoal.
Muitas destas unidades hospitalares, disse o responsável, não funcionam nas condições desejadas, devido à falta de recursos humanos e de condições necessárias, como a inexistência de energia eléctrica e de água potável.
“Nestes locais, os técnicos de saúde são limitados a trabalhar das 08 às  17 horas por não disporem de condições para o seu funcionamento”, disse o responsável.

Hospitais de referência


A província de Malanje, para além das unidades sanitárias implementadas nos 14 municípios, conta igualmente com um hospital regional, um sanatório, um materno-infantil que atendem igualmente pacientes provenientes das províncias do Bié, Cuanza Norte e Sul, Lunda Norte e Sul e Uíge, 141 postos de saúde, 27 centros de saúde e 12 hospitais regionais.
O hospital regional com capacidade de internamento de 400 camas, presta serviços de cirurgia geral, ortopedia, medicina interna, cuidados intensivos, hemodiálise, cirurgia, anestesiologia e dermatologia, brevemente vai contar com novos serviços de estomatologia e oftamologia. 
Já o materno-infantil conta com dois blocos, pediatria e maternidade, com capacidade de internamento de 190 camas, sendo 100 camas na pediatria e 90 no materno-infantil, além de prestar serviços de pediatria geral e obstetrícia. Avançou que as mesmas unidades estão a beneficiar de reestruturação, visando o aumento da capacidade de internamento, para conferir uma melhor acomodação dos pacientes que procuram pelos seus serviços, cuja actividade é assegurada por técnicos de saúde na sua maioria em regime de contrato.

Quadros em exercício

Os serviços de saúde na província de Malanje são assegurados por 49 médicos angolanos, sendo 44 integrados em regime de contrato, 15 efectivos, 114 expatriados também em regime de contrato, assim como mil 73 técnicos de enfermagem efectivos e 365 em regime de contrato, perfazendo um total de mil 438 profissionais.
Avantino Sebastião admitiu que estes números são ainda insuficientes para garantir melhor cobertura dos serviços na região.
O director provincial da Saúde, Avantino Sebastião, disse que, independentemente, dos novos médicos que a província vai ter, o sector necessita de mais 190 de medicina geral, sendo 50 para unidades hospitalares do município de Malanje e 140 para os restantes municípios. Acrescentou que o sector da Saúde em Malanje precisa também de três mil 729 técnicos de enfermagem e técnicos de laboratórios.
“A maior carência que nós temos é a insuficiência de médicos, porque existem municípios que não dispõem de médicos para atendimento dos pacientes”, disse.

Humanização

O responsável admitiu que os resultados dos serviços de saúde ainda não são satisfatórios, tendo garantido que acções vão ser executadas através dos novos diplomas e orientações baixadas pelo Ministério da Saúde, para melhor seguimento, de acordo com os gabinetes do utente criados nas unidades hospitalares, visando garantir melhor fiscalização e identificação dos profissionais do sector e melhorar o atendimento dos utentes nas referidas unidades. Quanto aos medicamentos, apesar de registar escassez de alguns fármacos no stock de medicamentos  na província, assegurou que a  Central de Medicamentos e Equipamentos tem garantido o seu fornecimento o que tem permitido a sua distribuição às demais unidades sanitárias e centros de saúde existentes na província.
Disse que esta situação se deve à actual conjuntura económica que o país vive, causada pela queda do barril do petróleo.
Avantino Sebastião mostrou-se preocupado com a situação de muitos doentes  que optam por tratamentos caseiros, “muitos deles só procuram os serviços de saúde já em estado grave, facto que tem complicado o corpo médico e técnicos de saúde em serviço”, completou.
Acrescentou que muitos destes doentes chegam as unidades hospitalares já em estado crítico ou mesmo sem vida, tendo apelado à população para procurar os serviços de saúde sempre que estiver diante de uma patologia, para não complicar o seu estado de saúde.

Acções para o presente ano


Garantiu que o sector que dirige vai apostar nos cuidados primários, nomeadamente a prevenção e promoção vacinal da população, com realce para as doenças infecto-contagiosas principalmente das unidades municipais, no âmbito do programa dos cuidados primários de saúde, relativamente as consultas pré-natais e as crianças, para redução da morte materno-infantil, da malária e da tuberculose.
Melhorar a capacitação dos recursos humanos nas unidades sanitárias e do atendimento dos utentes, campanhas de sensibilização da população, visando garantir o saneamento básico no seio das mesmas para prevenir certas patologias, entre outras, constam das prioridades do sector a serem desenvolvidas no presente ano.

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