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Uíge celebra festas com trabalho e progresso

Valter Gomes|Uíge

Uíge está a comemorar, desde o dia 1 e até amanhã, as festividades dos seus 95 anos de elevação à categoria de cidade, pelo capitão Manuel José Pereira e Alferes Tomaz Berberan, através da portaria nº 15 444 de 1 de Julho de 1945.

Ao longo dos anos a cidade do Uíge conheceu vários períodos de transformação devido ao conflito armado que assolou o país
Fotografia: Jornal de Angola

Uíge está a comemorar, desde o dia 1 e até amanhã, as festividades dos seus 95 anos de elevação à categoria de cidade, pelo capitão Manuel José Pereira e Alferes Tomaz Berberan, através da portaria nº 15 444 de 1 de Julho de 1945.
Em 1955, Carmona passou a designar-se vila Marechal Carmona, em homenagem ao antigo Presidente português Óscar Carmona. Depois de elevada à categoria de cidade, passou a chamar-se simplesmente Carmona e readquirido o nome originário de Uíge, em 1975, com a independência de Angola.
O nome da cidade deriva da designação do rio Uíge. Algumas fontes locais sustentam que a denominação tem origem numa expressão kikongo usada pelos antepassados aquando da chegada dos portugueses: “wizidi”, que significa chegada.
Ao longo dos anos, a cidade do Uíge conheceu vários períodos de transformação devido ao conflito armado, que assolou o país durante quase três décadas. Esta situação provocou a destruição de grande parte das infra-estruturas sociais, económicas, produtivas, parques industriais, entre outras.
Alcançada a paz, em 2002, a cidade do Uíge foi submetida a uma requalificação, com a construção de novas infra-estruturas sociais, económicas, produtivas e o relançamento do pólo industrial.
Fruto destas acções, a capital da província do Uíge apresenta um novo rosto, através de progressos nos diversos sectores, afirmou o governador Paulo Pombolo, durante uma mesa redonda realizada no âmbito do programa das festividades dos 95 anos.
No sector da Educação, o governador avançou que, desde o alcance da paz e da reconciliação nacional, as autoridades têm empreendido esforços para proporcionar uma formação adequada aos cidadãos, o que permitiu, em 2009, matricular 298.435 alunos do ensino primário, I e II ciclos do ensino secundário. Este ano, o número cresceu para 338.927 alunos nos três níveis do ensino, tendo-se registado um aumento de 140.492 estudantes em dois anos.
Até 2009, a província possuía 10.489 professores. Nos dois anos seguintes, foram admitidos 2.275 técnicos e, em 2012, de acordo com o último concurso público, são admitidos mais de 1.300 novos agentes de ensino, o que vai perfazer um total de 14.064 com formação básica, média e superior.
Em 2009, o sector tinha apenas 1.181 escolas, passando de 2010 até ao primeiro semestre do ano em curso, a ter 4.702.
Do referido número, 1.583 foram construídas de raiz e outras 2.344 provisórias, no âmbito dos programas de Investimentos Públicos e de Combate à Pobreza.
Apesar dos avanços, o governador afirma ser necessário continuar a trabalhar para melhorar as questões relacionadas com a falta de infra-estruturas e recursos humanos no sector do ensino.  Para aumentar os serviços de atendimento público, o governo construiu 1.180 escolas, com cerca de 7.670 salas, 162 laboratórios diversos para as escolas do I e II ciclos, e adquiriu mais de 100 mil carteiras e igual número de materiais escolares.
Paulo Pombolo garantiu que as autoridades vão continuar com o fornecimento da merenda escolar, que actualmente está a atender 10 mil alunos. Além disso, o Governo Provincial está a envidar esforços para resolver os problemas relacionados com a actualização de categorias dos professores, o combate à corrupção no seio dos docentes, o suborno, a desorganização e a indisciplina que se verifica em algumas escolas.

Ensino superior ganha corpo

No domínio do ensino superior, Paulo Pombolo, reconheceu o trabalho positivo que o Instituto Superior de Ciências de Educação (ISCED), no Uíge, tem vindo a desenvolver. Desde a sua criação, em 1997, a instituição já lançou no mercado de trabalho 670 licenciados nos diversos cursos. De 2009 a 2012, o ISCED matriculou mais de quatro mil estudantes, cuja formação é suportada por 85 docentes, dos quais 35 foram admitidos no período em análise.
O surgimento da Universidade Kimpa Vita, no âmbito das políticas de expansão do ensino superior no país, constitui outro ganho para a província do Uíge. Esta instituição controla 3.308 estudantes.
A referida universidade, que tem 106 professores nacionais e estrangeiros, está a diversificar a formação, tendo introduzido novos cursos: Direito, Veterinária e Enfermagem.
No próximo ano, a universidade, através da Escola Técnica Superior, vai introduzir os cursos de Economia, Ciências Sociais e Humanas e Engenharias.
Fruto dessas apostas, encontram-se em fase de conclusão os primeiros edifícios do Campus Universitário, na zona de Condo e Benge. A mesma vai comportar 29 salas de aulas, nove anfiteatros, cinco laboratórios, 12 gabinetes, instalações sanitárias, um campo para a prática de futebol e um campo multiusos.
Para facilitar o acesso ao campus, que vai dispor de uma subestação eléctrica e uma casa de bombagem de água, está a ser reabilitada a estrada que liga a Universidade ao centro da cidade, num percurso de cerca de quatro quilómetros.

Expansão da saúde

Paulo Pombolo salientou que, entre 2009 e 2010, foram construídos na província seis hospitais municipais, número que subiu para dez, no ano seguinte.
Os referidos estabelecimentos de saúde estão distribuídos pelos municípios de Maquela, Negage, Buengas, Songo, Bungo, Damba, Puri, Quimbele, Mucaba e Sanza Pombo, a par do hospital sanatório, que surgiu na sede da província.
Este ano, o Governo Provincial lançou novos concursos públicos para a construção de novos hospitais municipais, nos municípios de Milunga, Cangola, Bembe, Ambuila, Quimbele e Maquela do Zombo.
O governador anunciou ainda que estão em construção o hospital municipal do Uíge, a maternidade da Damba e a reabilitação do hospital provincial do Uíge, cujas obras decorrem a ritmo acelerado e aceitável.
“Para atender as preocupações da população nas aldeias e bairros está em curso um programa de estruturação de centros de saúde e postos médicos”, disse. Neste momento, já existem na província 399 unidades sanitárias, entre postos e centros de saúde.Relativamente aos recursos humanos, no sector de saúde há actualmente 95 médicos e 1.979 enfermeiros, distribuídos pelas diversas unidades, número que ainda não corresponde às necessidades dos pacientes.

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