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Vila em perigo com as ravinas

Francisco Curihingana | Massango

A sede do município de Massango, antiga Forte República, situada 252 quilómetros a norte da cidade de Malange, é, actualmente, pouco mais de um aglomerado de casebres erguidos pelos funcionários da administração local do Estado.

A ravina está a pôr em risco a existência de infra-estruturas sociais construídas no âmbito do programa de investimentos públicos
Fotografia: Eduardo Cunha

A sede do município de Massango, antiga Forte República, situada 252 quilómetros a norte da cidade de Malange, é, actualmente, pouco mais de um aglomerado de casebres erguidos pelos funcionários da administração local do Estado. A guerra devastou as infra-estruturas e tudo está por fazer. Para piorar as coisas, uma enorme ravina põe em risco a própria existência da vila.
Os professores e outros funcionários públicos procuram dar o seu melhor para tirar Massango da actual realidade, carregada de dificuldades. Uma enorme ravina, existente há mais de 20 anos, está a tirar o sono às autoridades administrativas e aos munícipes. Todos estão preocupados com a chegada da estação das chuvas porque a ravina pode engolir construções e dvidir a vila e meio.  
O administrador municipal, António Manuel Manzanza, disse à reportagem do Jornal de Angola que “se não houver uma intervenção imediata, a vila de Massango pode   perder as suas mais importantes infra-estruturas”.
Estão em perigo de desabamento dois estabelecimentos comerciais, uma escola do primeiro ciclo, e as casas do administrador municipal e do seu adjunto.  
“A administração municipal está preocupada com a situação, que, a persistir, um dia vai levar-nos a transferir a sede do município para uma outra localidade, que ofereça melhores condições”, disse António Manzanza.
O Fundo de Apoio à Gestão Municipal permitiu  construir uma casa na sede do município, comprar uma ambulância para apoiar os serviços de saúde, uma viatura para a Administração Municipal e computadores de mesa e portáteis  para as administrações comunais do Kihuhu e de Kinguengue.
Foi feita a reabilitação da casa do administrador comunal do Kinguengue e do posto médico. Está em construção uma escola de seis salas na sede do município. Esta  obra regista um ligeiro atraso, justificado pelo mau estado da estrada que liga a sede do município à capital da, o que dificulta o transporte dos materiais.
António Manzanza disse que foram também adquiridos, com o dinheiro do Fundo Municipal, 240 postes de iluminação pública, que funcionam com energia solar, para as sedes comunais de Kihuhu e Kinguenge e a povoação do Zenza. As lâmpadas, segundo o administrador, estão armazenadas na sede do município e são colocadas nos postes a qualquer momento. 
 
Água nas torneiras

No município de Massango a água é imprópria para consumo humano.  As populações chegam a caminhar três quilómetros para se abastecerem de água potável. A situação, de acordo com o administrador António Manzanza, vai melhorar muito em  breve.
A construção do sistema de captação e tratamento de água está em fase de conclusão. A empresa que executa o projecto, vai entregar a obra até finais de Setembro. António Manzanza deu, igualmente, a conhecer a construção, na sede do município, de 11 chafarizes.
A Administração Municipal tem a intenção de comprar três grupos geradores de electricidade, que são instalados na sede municipal e nas comunas de Kihuhu e Kinguengue.
 
Estado da educação e saúde

Os sectores da educação e da saúde estão mergulhados em imensas dificuldades. Os postos médicos de Kihuhu, Kinguengue e Kitalabanza estão em péssimo estado de conservação. 
O Hospital Municipal funciona regularmente. Dado o crescente aumento da população, as autoridades locais projectam a construção de uma nova unidade sanitária, com capacidade para 40 camas. O actual hospital tem apenas 12 camas para internamento.
As doenças mais frequentes são as diarreias agudas, doenças respiratórias, malária e conjuntivite.
Os trabalhos de assistência sanitária são assegurados por técnicos básicos de enfermagem, estando o município a necessitar, com a maior urgência, de pelo menos um médico.
Os medicamentos chegam regularmente. De acordo com o administrador de Massango, o abastecimento em medicamentos “não constitui preocupação de maior”.
O município tem 135 professores, incluindo os auxiliares. O número não satisfaz as necessidades. Devido à escassez de professores em Massango, 9.349 crianças estão fora do sistema de ensino. António Manzanza disse que este ano lectivo frequentam a aulas 4.020 munícipes, da iniciação à quinta classe. Se não forem recrutados mais professores, os números podem sofrer alterações para pior.
Nas comunas do Kihuhu e Kinguengue, as crianças, na ânsia de aprender a ler e escrever, atravessam o rio Kwango de canoa e vão para as escolas da República Democrática do Congo. Para chegarem à RDC, os petizes atravessam o rio Kuango. O administrador Mazanza disse que as crianças, aos poucos, estão a ficar desfasadas da realidade cultural angolana, uma vez que as matérias escolares lhes são transmitidas em língua francesa: “muitas das nossas crianças estão num verdadeiro processo de divórcio com a língua de Camões”. 
 
Agricultores desesperados
 
Os agricultores do município de Massango produzem o suficiente para o seu consumo e até excedentes para comercialização. Mas enfrentam enormes dificuldades para escoar os seus produtos. As estradas de acesso estão num estado lastimável, que desencoraja os comerciantes. Os camponeses têm armazenado, para além do bombô, enormes quantidades de café.
O administrador António Manzanza diz que é preciso criar mecanismos para  a compra dos produtos produzidos no campo, pois, como disse, isso “vai contribuir para a motivação dos que se dedicam à actividade agrícola”.
Acrescentou que a única acção de comércio que se verifica no município é a permuta de produtos entre quitandeiras e agricultores locais. Em troca dos produtos do campo recebem das quitandeiras peixe, óleo alimentar, sabão e outros artigos manufacturados de consumo corrente.

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