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Malária associada à anemia causa centenas de óbitos

Joaquim Suami | Cabinda

Os casos de malária associada à anemia e à desnutrição, com 50 óbitos em crianças menores de cinco anos, lideraram a lista de registos de enfermidades a nível do Hospital Central de Cabinda, durante os meses de Janeiro e Fevereiro deste ano, revelou ontem o director clínico da instituição.

Boa parte dos doentes fica em casa e só recorre às unidades sanitárias quando já se encontra em estado débil o que torna difícil o tratamento
Fotografia: Domingos Cadência | Edições Novembro

Pombalino Oliveira referiu que a malária associada à anemia e à desnutrição é a patologia que mais afecta pacientes com até cinco anos, mas regista-se também em adultos, e já provocou quatro mortes.
Além da malária associada à anemia e à desnutrição, o Hospital Central de Cabinda regista ainda muitos casos de doenças respiratórias, hipertensão arterial, diarreias agudas e VIH/Sida.
Em termos de óbitos, o director clínico referiu que o hospital averbou, além das 54 mortes por malária associada à anemia, 13 outras provocadas por situações ligadas ao VIH/Sida, 12 por hipertensão arterial e mais sete em pacientes com doenças respiratórias.

Redução de casos de malária


Pombalino Oliveira avançou que, neste ano, a grande preocupação está virada à promoção de acções que visam reduzir os níveis de casos de malária associada à anemia e à desnutrição, hipertensão arterial e de HIV/Sida, embora estes últimos tenham registado uma ligeira diminuição, em 2016. O director clínico manifestou preocupação em relação ao tempo em que os doentes ficam em casa, recorrendo apenas ao hospital quando já se encontram em estado débil.
 “Temos recebido doentes graves, o que requer muito esforço das equipas médicas em fazer o diagnóstico da doença e do tipo de fármaco a aplicar”, disse o responsável.
O responsável pediu às famílias para levarem os seus pacientes mais cedo ao hospital, para se evitar óbitos, uma vez que, quando chegam em estado grave, dificilmente se consegue inverter o quadro. Sublinhou que, apesar de escassez de fármacos, o Hospital Central de Cabinda tem garantido a assistência médica e medicamentosa aos doentes internados nos serviços de pediatria e de medicina geral. O director clínico assegurou que a instituição também tem contado com a participação das famílias sempre que houver falta de um determinado fármaco. Pombalino Oliveira referiu que o Hospital Central de Cabinda vai contar, nos próximos dois anos, com mais médicos especializados nas áreas de pediatria e de medicina interna. Neste momento, o Hospital Central de Cabinda possui 49 médicos, sendo 18 nacionais e 31 expatriados, número considerado insuficiente para garantir o pleno serviço da instituição.

Médicos especialistas

No quadro do Programa Nacional de Formação Contínua do Ministério da Saúde, o hospital dispõe de um total de 12 médicos a especializar-se nas áreas de pediatria e de medicina interna. Estes profissionais vão, em breve, reforçar o corpo clínico da unidade sanitária.
Pombalino Oliveira explicou que esta política que o Ministério da Saúde adoptou visa potenciar os hospitais regionais do país com médicos nacionais nas especializações que as províncias não possuem, como são os casos de neurologia, neurocirurgia e nefrologia.
O director clínico do Hospital Central de Cabinda afirmou que os médicos que estão a frequentar o programa de formação contínua nas especializações de neurologia, neurocirurgia, nefrologia, neutralogia e de medicina interna vão participar, em Luanda, de um estágio de seis meses a um ano, para estarem mais aptos no socorro dos doentes.
De Janeiro a Fevereiro deste ano, o Hospital Central de Cabinda atendeu 23.855 pacientes nas consultas de urgência e externas.

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