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Mau estado das estradas do Cunjo estão a retardar o desenvolvimento

Casimiro José| Sumbe

O administrador comunal do Cunjo, município da Conda, no Kwanza-Sul, António Carica, anunciou que o avançado estado de degradação da estrada que liga a sede do município à comuna está a desencorajar os potenciais investidores, retardando o processo de reconstrução das infra-estruturas sociais e habitacionais na região.

O administrador comunal do Cunjo, município da Conda, no Kwanza-Sul, António Carica, anunciou que o avançado estado de degradação da estrada que liga a sede do município à comuna está a desencorajar os potenciais investidores, retardando o processo de reconstrução das infra-estruturas sociais e habitacionais na região.
Por causa desse e de outros condicionalismos, acrescentou, a comuna do Cunjo, com uma superfície de 585 quilómetros quadrados, apesar da sua potencialidade agro-pecuária e outros recursos minerais, enfrenta enormes dificuldades e reclama por obras de reabilitação da via de acesso para garantir a sobrevivência e desenvolvimento dos cerca dos 15.604 habitantes, repartidos por 29 bairros.
Apesar dos esforços da administração municipal da Conda, nas intervenções "paliativas" na estrada, as enxurradas que se abatem na região comprometem as metas preconizadas pelas autoridades locais, cuja solução passa por uma intervenção profunda.
Por esse motivo, os empresários do sector privado ligados ao ramo agrário sentem-se desmotivados e os projectos ficam relegados para segundo plano.
De acordo com o administrador comunal, António Carica, a reabilitação da referida estrada não se adivinha para breve.
Segundo as autoridades municipais, os fundos cabimentados para a execução de projectos são exíguos e não permitem fazer intervenção na estrada e daí a indefinição do arranque da obra.
Apesar do triste cenário que as populações do Cunjo vivem, o administrador comunal António Carica assegurou ao Jornal de Angola que foi elaborado um programa que contempla acções de construção e reabilitação de infra-estruturas económicas e sociais e habitação. Porém, aguarda-se pela disponibilização de verbas.

Saúde e Educação

Os sectores de educação e saúde apresentam situações preocupantes, desde a falta de estruturas até prestação dos serviços ligados aos sectores. De acordo com o administrador comunal do Cunjo, esforços estão a ser feitos para inverter o quadro, que passa pela reabilitação da estrada.
A rede sanitária é constituída por apenas um posto de saúde, com três enfermeiros, cuja assistência médico-medicamentosa é deficiente, a julgar pela procura e oferta.
De acordo com o administrador comunal, para atenuar a situação da saúde, a comuna do Cunjo precisa de mais cinco postos de saúde e 15 enfermeiros para atender as localidades distantes.
O enfermeiro Genito Cacumba afirmou que as principais enfermidades da região estão associadas à malária, doenças respiratórias e diarreicas agudas, parasitoses e infecções urinárias.
O técnico de saúde fez saber que por ser o único posto médico na comuna, são atendidos em média 50 a 70 casos diários, o que constitui uma sobrecarga.
Outra questão apontada pelo administrador comunal do Cunjo prende-se com a falta de ambulância, pois, para evacuar doentes, os populares recorrem às motorizadas. O sector da educação conta com uma escola de construção definitiva erguida pelo fundo de apoio social (FAS), sendo as demais precárias. O ensino na comuna do Cunjo, com 64 professores, vai da iniciação à sexta classe.
No presente ano lectivo, estão matriculados 2.725 alunos. Por falta de escolas e de professores ficaram fora do sistema de ensino milhares de crianças em idade escolar.
A comuna não dispõe de serviços de abastecimento de água potável e para as populações obterem o líquido acarretam água dos rios Somai, Cassala e Chinandala.

Tecido económico inoperante

O potencial agro-pecuário da comuna do Cunjo não está a ser aproveitado para propiciar o desenvolvimento da região.
Das inúmeras fazendas legalmente implantadas na comuna, apenas duas conhecem acções iniciais, sem ainda capacidade de garantir emprego aos habitantes, principalmente jovens.
Por essa situação, a comuna tende a ficar sem o potencial de jovens, pois estes deslocam-se para a sede municipal e outras localidades, em busca de oportunidades de emprego e de sobrevivência.
O comércio, por sua vez, enfrenta enormes dificuldades, devido ao estado crítico da estrada que permitia adquirir produtos da sede municipal da Conda.
Para adquirir bens de primeira necessidade, os populares têm que se deslocar utilizando motorizadas, gastando muitas horas.
Os camionistas que arriscam levar os produtos à comuna fazem-no em quatro horas de percurso. Aliado a esse facto, o escoamento dos produtos do campo para os mercados também está condicionado pela situação da via de acesso.
O administrador comunal do Cunjo, António Carica, pede aos naturais e amigos do Cunjo a juntarem-se aos esforços de reconstrução daquele que é considerado o celeiro do município da Conda.
À classe empresarial nacional e não só, o administrador do Cunjo apela investirem na região, sobretudo no ramo agrícola, turismo e indústria transformadora.

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