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Meios mecanizados aumentam os espaços de lavoura na Huíla

Estanislau Costa | Lubango

A lavoura nas terras aráveis dos municípios do Lubango, Caluquembe, Caconda e Matala, na província da Huíla, começa a registar um aumento considerável, com a entrega, há dias, de diversos meios de trabalho aos camponeses e brigadas de mecanização agrícola.

Brigadas de mecanização agrícola beneficiam de tractores e alfaias para aumentar as áreas de cultivo
Fotografia: Estanislau Costa | edições novembro

Dos meios entregues pelo governador provincial da Huíla, Luís Nunes, destaque para 15 tractores e respectivas grades, bem como oito charruas, cujo propósito é impulsionar o sector agrícola, já que as chuvas voltaram a ser regulares.

A directora do Gabinete Provincial da Agricultura, Mariana Soma, garantiu que outras brigadas de mecanização agrícola em várias zonas da Huíla também vão ser contempladas, para fazer com que o uso de enxadas, catanas e charruas seja paulatinamente substituído por tractores.
“O uso apenas de enxadas e charruas inviabiliza a preparação de extensões consideráveis de terras agricultáveis, repercutindo-se nas reduzidas quantidades nas épocas das safras”, referiu, para destacar a importância da reactivação e apetrecho das brigadas de mecanização agrícola.
Mariana Soma garantiu que todos os produtores com extensões de terras vão beneficiar dos serviços das brigadas, para que haja cada vez mais terras preparadas para a sementeira e criarem-se condições favoráveis para envolver mais famílias na produção agrícola. O Jornal de Angola apurou que a empresa Jardins da Yoba, sedeada na vila da Chibia (45 quilómetros a sul da cidade do Lubango), que apostou na produção de sementes de “alta selecção e adaptáveis aos solos de vários pontos do país”, desenvolve acções com vista a estar mais próxima dos produtores.
Para o efeito, está a instalar na comuna da Arimba, arredores da cidade do Lubango, uma unidade de processamento de sementes de cereais, orçada em dois milhões e 500 mil dólares. O empreendimento vai armazenar 1.500 toneladas de milho, massambala e massango.
Pretende-se também assegurar o desenvolvimento científico, com o estabelecimento de um Catálogo Nacional de Variedades. “Pretendemos contribuir para a incorporação científica, tecnológica e na multiplicação de sementes, bem como melhorar a qualidade da produção agrícola”, referiu o responsável do Jardins da Yoba, Paulo Amaral.

Contrariar a seca

Mais de 314.600 famílias camponesas, enquadradas em 835 associações e cooperativas, estão empenhadas no cultivo de 604 mil hectares previstos na campanha agrícola 2019/2020, tendo como principais motivações as chuvas que retomaram o seu curso normal, após um longo período de seca.
O agricultor António Kaleveko, que coordena um grupo composto por 32 pessoas, sublinhou que “o regresso das chuvas e a regularidade renovaram as esperanças, por isso a plantação de sementes diversas abrange cada vez mais espaços, que já se encontravam preparados”.
Acrescentou que as sementes de milho, massango, massambala, feijão, batata rena, entre outros produtos plantados em dezenas de hectares de terra já estão a germinar. “Já há produtos que estão a ser colhidos, com realce às hortícolas, onde as quantidades consideráveis favoreceram a redução dos preços”.
António Francisco, filiado à cooperativa 1º de Maio, que explora alguns hectares do perímetro irrigado da Matala, enalteceu a acção do Executivo em reactivar as brigadas de mecanização agrícola com tractores modernos e alfaias.
“Lavrar com as charruas e enxadas é desvantajoso, por não permitir atingir grandes extensões de terra, num curto espaço de tempo”, referiu.
Segundo António Francisco, estão agora criadas as condições para o desmatamento de novas áreas agrícolas, em vários pontos da província da Huíla, e sensibilizar os jovens com ou sem formação a apostarem na agricultura.

Redução da fome

O governador provincial da Huíla, Luís Nunes, garantiu que estão disponíveis sementes e fertilizantes para potenciar a produção agrícola, facto que necessita apenas do maior envolvimento das famílias camponesas, agro-industriais e outros, para elevar as colheitas e inverter a ausência de alimentos, com realce nas comunidades rurais.
Segundo o governador foram entregues nos últimos tempos às cooperativas de camponeses seis mil charruas, enxadas, catanas, machados, bem como 2.700 toneladas de adubos, 90 toneladas de sementes de milho e 1.300 de calcário para a correcção de solos.

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