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Menongue recupera toxicodependentes

Carlos Paulino | Menongue

O centro de acolhimento e reabilitação de dependentes do álcool e de outras drogas, afecto à Cruz Azul de Angola (CAA) no Cuando Cubango, reabilitou, desde Setembro de 2016, um total de 216 adolescentes e adultos, dos quais 51 são mulheres.

Desde Setembro de 2016 foram reabilitados mais de 200 alcoólicos e dependentes de drogas
Fotografia: DR

A informação foi avança-da em Menongue pelo director da referida instituição, Aires Manuel, durante o acto de devolução ao convívio familiar de dez pacientes que foram reabilitados, idos das províncias do Cuando Cubango, Bié e Huambo.
Explicou que a reabilitação dos doentes, que tem a duração de seis meses, envolve sobretudo aulas relacionadas com assuntos religiosos, so-ciais e económicos, bem como com as consequências do consumo excessivo do álcool na família e na sociedade, para que os pacientes, depois de serem reabilitados, tenham uma boa reintegração e não voltem a cometer os mesmos erros.
“O principal instrumento que temos levado a cabo para que as pessoas abandonem definitivamente as más práticas e crêem em Jesus, como a fonte da verdadeira vida, é a palavra de Deus, inscrita na Bíblia”, disse, acrescentando que a Cruz Azul de Angola está preocupada com o aumento do número de toxicodependentes no país, muitos dos quais jo-vens e adolescentes.
Aires Tchilemo Manuel in-formou que neste momento estão internados no centro de acolhimento e reabilitação de toxicodependentes de Menongue 46 adolescentes e adultos, dos quais oito mulheres, das províncias de Luanda, Bié, Huambo, Benguela, Cuanza-Sul, Moxico, Huíla e Cunene. Construído de forma provisória, no bairro Castilho, arredores da cidade de Menongue, o centro de acolhimento e reabilitação de toxicodependentes tornou-se uma grande referência a nível do país, na cura de pessoas viciadas em bebidas alcoólicas e outras drogas prejudiciais à saúde humana.

Superlotação

Aires Manuel disse que a instituição, construída para acolher apenas 30 pacientes, nos últimos dias tem registado superlotação, devido a demanda de doentes graves, que vêm de diversas províncias de Angola.
Lamentou o facto de muitas famílias não apoiarem ou prestarem atenção especial aos seus parentes após a reabilitação, uma situação que tem contribuído para que muitos voltem ao mundo das drogas.
Salientou que a Cruz Azul de Angola, uma organização não-governamental, apartidária, filantrópica, de solidariedade social e sem fins lucrativos, tem enfrentado algumas dificuldades financeiras ou de apoio, para garantir alimentação condigna aos pacientes.
Acrescentou que o centro enfrenta igualmente dificuldades no fornecimento de água potável e energia eléctrica, tendo apelado às instituições públicas e privadas, assim como a pessoas de boa-fé, a prestarem solidariedade, para que a instituição possa continuar a cumprir o seu verdadeiro papel de reintegração social de cidadãos envolvidos no consumo exagerado de bebidas alcoólicas e outras substâncias ilícitas.
“O que nos faz não encerrarmos o nosso centro, tendo em vista as inúmeras dificuldades que atravessamos, é o amor que temos pelo próximo e que nos motiva a continuar a trabalhar para a rea-
bilitação de muitos toxicodependentes, principalmen-te de adolescentes e jovens, que deixaram de estudar e trabalhar por causa das drogas”, disse.
Aires Tchilemo Manuel realçou que muitos crimes de roubo, furtos, homicídios e até de violência doméstica, que são registados a nível do país, são motivados pelo consumo exagerado de bebidas alcoólicas e outras drogas, que alteram a maneira correcta de agir de uma pessoa.
Lamentou ainda o facto de muitas igrejas em Angola não direccionarem a sua atenção para a cura ou apoio de cidadãos que se encontram nestas condições, uma vez que estão mais preocupadas na recolha de dinheiro dos crentes e não cumprem com o seu verdadeiro papel de salvar e restaurar almas.
Domingos Canvenjo, efectivo das Forças Armadas Angolanas (FAA), residente na cidade de Menongue, faz parte dos dez pacientes que foram reabilitados e disse que, devido ao consumo exagerado de bebidas alcoólicas e liamba, já não ia trabalhar.
Explicou que, após os seis meses de tratamento, sente-se curado e preparado para retomar a sua actividade laboral, com muito afinco, dedicação e determinação.
Luther António Razão, funcionário público da província do Bié, disse que o centro de acolhimento e reabilitação de Menongue foi a sua salvação, uma vez que era considerado uma pessoa muito ruim.

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