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Mercado de Chissanda dá emprego a muitos angolanos

Cesar André | Dundo

O dia amanhece muito cedo para as populações que se deslocam ao mercado de Chissanda, ao longo da linha de fronteira com a República Democrática do Congo.

O dia amanhece muito cedo para as populações que se deslocam ao mercado de Chissanda, ao longo da linha de fronteira com a República Democrática do Congo.
Fotografia: Santos Pedro

 

O dia amanhece muito cedo para as populações que se deslocam ao mercado de Chissanda, ao longo da linha de fronteira com a República Democrática do Congo. Depois que várias empresas diamantíferas encerraram as portas, devido à crise económica internacional que afectou o sector, centenas de angolanos têm neste mercado a sua fonte de rendimentos.
Sobrevivem a comprar mercadoria do outro lado da fronteira para vender no Dundo e outras localidades da Lunda-Norte. A questão do repatriamento forçado de cidadãos angolanos da RDC, que teve lugar no Norte do país, não foi aqui sequer sentida. As duas comunidades fronteiriças continuam, como sempre, a conviver de forma harmoniosa. Diariamente, o mercado de Chissanda recebe centenas de cidadãos nacionais que se dedicam ao negócio. 
Para se deslocarem a Chissanda, os angolanos viajam nos candongueiros. Os moto-táxis cobram 500 kwanzas mas os Hiace levam 2000 kwanzas por cada viagem. Para chegar ao mercado, a viagem demora 30 minutos numa picada estreita, que está sempre congestionada com enormes engarrafamentos, que começam logo às primeiras horas do dia.
O mercado abre apenas às quartas-feiras e aos sábados, das 8,00 horas às 17,00 horas. Oferece um diversificado lote de produtos, como telefones celulares, relógios, computadores portáteis, vestuário, sapatos, carne de boi, de jacaré e de jibóia. Também se podem comprar, a preços módicos, “panos do Congo” fabricados na China.

Negócio rentável

Manuel Muassanje, comerciante de jóias e a viver actualmente na antiga vila Portugália, hoje sede municipal do Tchitato, disse à nossa reportagem que, apesar dos riscos, comprar produtos em Chissanda para revenda é um negócio rentável.
“Olha, eu hoje tenho uma casa condigna graças aos negócios que tenho feito aqui na fronteira. Os produtos têm muita aceitação e pretendo, nos próximos anos, revender os produtos adquiridos aqui noutras províncias do país”, sublinhou Manuel Muacassanje.
À semelhança do mercado Roque Santeiro, em Luanda, em Chissanda os preços dos produtos vendidos no mercado são módicos e estão ao alcance de qualquer cidadão.
Samanhonga Carinhique dos Santos, que reside no Bairro 4 de Abril, no Tchitato, é também um dos frequentadores assíduos do mercado informal do posto fronteiriço da Chissanda. Disse que essa foi a única forma encontrada para sobreviver, depois de ter passado à reforma antecipada.
Aos 57 anos, Samanhoga dos Santos, antigo trabalhador da Empresa de Diamantes de Angola (ENDIAMA), revelou que antes de passar à reforma já frequentava aquele mercado, porque o salário não dava para sustentar a mulher e os nove filhos.
Conta que com as economias feitas com a mercadoria adquirida em Chissanda conseguiu comprar uma viatura todo-o-terreno.
Adelaide Maxixe, que vive há mais de 40 anos no bairro Soba Samakaka, na cidade do Dundo, apontou como único transtorno nas suas deslocações ao mercado de Chissanda o período chuvoso, que torna a picada intransitável.
Aquela mulher de negócios defende que se devia elaborar um projecto para a construção de uma estrada definitiva na região, para facilitar a circulação de pessoas e bens de Chissanda para a cidade do Dundo. “Como são apenas oito quilómetros de estrada e porque deste mercado sai o sustento de muitas famílias, acho que o governo local devia resolver esse problema da estrada para o bem da população”, disse.

Novos aeroportos

Ernesto Muangala, governador da Lunda-Norte, tem um grande desafio pela frente para resolver os múltiplos problemas do povo, agravados com a crise do sector diamantífero.
Algumas pessoas ouvidas pela nossa reportagem apontaram como uma das grandes apostas de Ernesto Muangala, que tem como vice-governadores Moisés Chingongo e Maria da Conceição Walianga Cazuazua, a construção e reabilitação de escolas, hospitais, casas para quadros técnicos e outras infra-estruturas sociais.
O fomento da agricultura, agora que os diamantes deixaram de dar grandes receitas, a produção de energia eléctrica, o abastecimento de água potável, o saneamento básico e a reparação das principais vias de acesso aos municípios, são outras áreas apontadas como prioritárias para a criação de bem-estar social e económico das populações.
Para atingir esses objectivos, António Mussumari, porta-voz do governo local, defende que sejam disponibilizados recursos orçamentais extraordinários necessários à execução do programa de investimentos públicos, face à exiguidade de verbas disponibilizadas pelo Governo Central à província da Lunda-Norte.
António Mussumari disse que, apesar dos exíguos recursos disponíveis, uma nova cidade está a ser erguida na parte Norte do aeroporto local e vai contar com 20 mil casas.
Este projecto está inserido no âmbito do programa habitacional do Governo que prevê a construção de um milhão de fogos habitacionais em todas as províncias do país.
Ainda no domínio da construção de novas infra-estruturas, o governo local deu início, recentemente, à ampliação da pista do aeroporto da cidade do Dundo, cujas obras estão concluídas em Março de 2010.
A pista, antes com 1.800 metros de comprimento e 30 metros de largura, vai ter, depois da sua reabilitação, 2500 metros de comprimento e 45 metros de largura, segundo dados da Empresa Nacional de Navegação Aérea (ENANA).
À semelhança do que acontece com o aeroporto do Dundo, o Governo Provincial da Lunda-Norte está igualmente a proceder à ampliação da pista do aeródromo municipal do Lukapa, a 180 quilómetros da cidade do Dundo, no quadro do programa da ENANA de reabilitação e modernização dos aeroportos e aeródromos do país. Existe, também, um projecto de ampliação da pista do aeroporto do Nzagi, cujas obras devem arrancar em Abril do próximo ano. 

Potencial turístico

O potencial turístico da região é invejável e aguarda por investimentos. Ao longo dos rios Luachimo e Cunduege é também notório o potencial energético, hídrico e piscatório da região.
Nas margens do rio Cunduege, um local turístico por excelência, um empresário local instalou uma pousada que recebe diariamente turistas que pretendem alcançar o posto fronteiriço de Chissanda.
Localizada a dois quilómetros da cidade capital do Dundo, a pousada do Cunduege oferece ao visitante um serviço de restauração da cozinha nacional e internacional.
Para além desse pequeno empreendimento, a cidade do Dundo possui um hotel de referência, denominado “Hotel Diamante,” pertencente à Empresa Nacional de Diamantes de Angola (ENDIAMA).
Dividida em nove municípios, Tchitato, Chitato, Cambulo, Cuilo, Caungula, Cuango, Lubalo, Capenda Camulemba e Xá Muteba, a província da Luanda-Norte tem um clima tropical húmido e produz arroz, mandioca, milho, batata doce, óleo alimentar, entre outros produtos agrícolas.

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