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Mesa redonda sobre comunidade khoisan

Weza Pascoal | Menongue

O estado social dos membros da comunidade khoisan e sua localização geográfica em Angola foi debatido durante uma mesa redonda realizada na cidade de Menongue,

Governo e parceiros têm dado vários apoios aos membros das comunidades khoisan que se dedicam à caça e recolha de frutos silvestres
Fotografia: Weza Pascoal | Menongue

Cuando Cubango, que serviu para avaliar também aspectos relacionados com a formação, cultura, modo de vida e de actuação das minorias San em todo o país.
Subordinada ao tema “Património Sociocultural da Comunidade San em Angola”, o evento serviu para lembrar a prestação imperiosa de maior apoio aos khoisan em Angola, dando-lhes acesso à educação, saúde, habitação, entre outros serviços sociais básicos.
Os cerca de 200 participantes recomendaram ao Governo Provincial do Cuando Cubango e de outras províncias onde existam membros da minoria Sam no sentido de incluírem nos seus planos de desenvolvimento acções de apoio especial, para o progresso económico e de segurança social destas comunidades.
Durante os debates, promovidos pela Associação Missão de Beneficência Agropecuária do Cuando Cubango, Inclusão, Tecnologia e Ambiente (MBAKITA), em parceria com a fundação “Open Society Angola”, os participantes abordaram temas sobre o perfil socioeconómico do Cuando Cubango, a relação entre Governo e a comunidade San, protecção legal e direitos dos povos indígenas, direitos civis, políticos, económicos, sociais e culturais dos khoisan no país.
O director geral da MBAKITA, Pascoal Baptistiny Samba, disse que face à situação preocupante da comunidade  khoisan, a mesa redonda produziu um documento que é encaminhado à Assembleia Nacional e ao Governo Provincial do Cuando Cubango no sentido de promoverem um debate inclusivo para a promoção da identidade, culturas, línguas e religião dos povos indígenas.
Samba defendeu igualmente a criação de uma legislação e políticas afirmativas que garantam a existência dos San, bem como a divulgação de informações de carácter sociocultural sobre este povo junto dos órgãos de Comunicação Social, universidades, escolas do II ciclo e primário de todo o país, para compreenderem melhor esta comunidade e contribuir para a integração social dos mesmos.
“É necessário que o governo faça um debate inclusivo com todas as forças activas do país e da província, incluindo nestas acções as instituições que trabalham directamente com a população vulnerável, de modo a tornar o plano de desenvolvimento nacional mais abrangente e que estude estratégias de financiamento das ONG locais”, frisou.
A promoção de estudos sócio-antropológicos, para compreender melhor a cultura San, é outra das preocupações, referiu.
Segundo o relatório da Internacional Open Group estima-se que habitam no Botswana 50 mil pessoas da comunidade San, 38 mil na Namíbia, 14 mil em Angola, 7.500 na África do Sul, Zimbabwe e Zâmbia 2.500, organizados nas suas tradições, usos, costumes, alianças, línguas ou dialectos, com algumas centenas de pessoas a viverem nas zonas fronteiriças da região do oeste de África.
Do universo de 14 mil pessoas desta população em todo o país, 11.999 habitam na província do Cuando Cubango, sendo 1.011 homens, 2.874 mulheres, 3.082 rapazes, 5.032 meninas.

Um mar de dificuldades

Elias Mateus Isaac, representante da Fundação Open Society-Angola, realçou que em pleno século XXI esta população continua a sobreviver fundamentalmente da caça, frutos silvestres e produção de mel, sem acesso à informação, mecanismo de protecção, registo civil, não frequentam a escola, posto médico e nem têm território para o seu modo de vida e de actuação.
Os direitos da comunidade San representam uma grande preocupação por parte do Governo, e por este motivo em 2012 a Fundação Open Society tomou a decisão de financiar a MBAKITA e a aplicação deste projecto, que visava fazer o levantamento do património sócio-cultural do povo khoisan, preservar e promover esta herança cultural e a história destas comunidades em Angola e na região da África Austral.
O projecto visava ainda contribuir para o desenvolvimento e capacitação de liderança das comunidades khoisans, que permitem afirmar, preservar e promover as suas tradições indígenas e os seus valores culturais como povo e desta forma aliviar a sua situação presente que se caracteriza por uma pobreza extrema e o perigo da sua extinção.
Elias Mateus Isaac realçou que o projecto visa também assegurar os direitos de cidadania dos povos khoisan e estabelecer-se uma ponte de diálogo permanente entre as autoridades da província do Cuando Cubango e as comunidades para a resolução dos problemas que na verdade são peculiares, porque a comunidade khoisan sofre grande exclusão e enfrenta autêntico empobrecimento.
A fundação realizou um estudo preliminar para avaliar a situação da comunidade khoisan que habita Cuatir e Jamba Cueio e constatou a exclusão como a causa principal de marginalização económica, social e promoção da pobreza desta comunidade.
A maioria dos adultos da comunidade tem de sobreviver e sustentar as suas famílias oferecendo trabalho barato e a comunidade khoisan, que  raramente frequenta os hospitais e clínicas em busca de assistência médica e medicamentosa, está severamente condenada pelas doenças sexualmente transmissíveis.

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