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Milhares de pessoas assistiram ao funeral das vítimas do acidente entre Uíje e Mucaba

José Bule | Uíje

No átrio da casa mortuária do Hospital Central do Uíje, onde se encontravam os corpos, estavam centenas de pessoas, entre familiares, amigos e público anónimo. Todos estavam comovidos com a tragédia. Todos choravam enquanto os grupos corais entoavam canções religiosas.

Os corpos foram sepultados entre choros e cânticos religiosos
Fotografia: Filipe Botelho

No átrio da casa mortuária do Hospital Central do Uíje, onde se encontravam os corpos, estavam centenas de pessoas, entre familiares, amigos e público anónimo. Todos estavam comovidos com a tragédia. Todos choravam enquanto os grupos corais entoavam canções religiosas.
O cortejo fúnebre partiu da casa mortuária para o cemitério municipal do Uíje, onde foram sepultados os 33 corpos do acidente da estrada Uíje-Mucaba. Durante o cortejo, o cenário na cidade era desolador, havia muita gente concentrada nas varandas dos edifícios, nos muros dos quintais e perfiladas ao longo das ruas.
A cidade do Uíje parou para render homenagem às vítimas do acidente que ocorreu quinta-feira, na estrada Uíje/Mucaba e que provocou 33 mortos. Milhares de pessoas, na sexta-feira, acompanharam o cortejo fúnebre e dezenas de viaturas e motorizadas juntaram-se ao cortejo. Uns entoavam cânticos religiosos, outros choravam.
Antes do acto fúnebre, o governador provincial do Uíje, Mawete João Baptista, acompanhado do comandante provincial da Polícia Nacional, subcomissário Domingos Ferreira de Andrade, deslocou-se ao local do sinistro, onde constatou o estado lastimável em que se encontra a viatura acidentada, um camião Iveco.
 
Causas do acidente
 
Celestino Monteiro, motorista da viatura sinistrada, disse que uma avaria no veio de transmissão do camião foi a causa do acidente que provocou a morte de 33 pessoas, entre as quais alguns cidadãos angolanos expulsos da República Democrática do Congo (RDC).
Quando sentiu que havia problemas no veio de transmissão já não teve tempo para agir porque os travões não obedeceram. “O camião despistou-se, caiu na ribanceira e capotou”.
Celestino Monteiro referiu que a viagem começou em Maquela do Zombo e o camião, de caixa aberta, transportava cerca de 80 passageiros, incluindo crianças, que viajavam sem as mínimas condições de segurança. Morreram 33 pessoas e 41 ficaram feridas.
O motorista, que se encontra ferido, com lesões na coluna vertebral, recebe assistência médica numa das unidades sanitárias da cidade do Uíje.
A viatura acidentada fazia regularmente o transporte de passageiros entre Luanda e Maquela do Zombo. É propriedade de uma empresa particular de transportes.
Para além da população que se manifestou solidária com o trágico acontecimento, o governador provincial do Uíje, Mawete João Baptista, acompanhado da vice-ministra da Assistência e Reinserção Social, Maria da Luz Sá Magalhães, assistiram à cerimónia fúnebre.
A vice-ministra da Assistência e Reinserção Social, Maria da Luz, informou que o seu ministério garante apoio moral e material aos sobreviventes do acidente de viação, tendo referido que foram distribuídos bens alimentares, roupa, instrumentos de trabalho, material de cozinha e tendas para alojamento provisório.

População está consternada

Com um ramo de flores na mão, Benjamim Fernando estava visivelmente consternado com o quadro que se vivia no interior do cemitério municipal do Uíje. “A morte de qualquer ser humano é sempre uma perda grande para a humanidade, quanto mais 33 pessoas de uma só vez. As vítimas são maioritariamente jovens e crianças que ao longo do tempo podiam dar o seu contributo em prol do desenvolvimento desta província”, disse. 
“Este triste acontecimento abalou toda a sociedade e eu estou sem palavras para descrever esta perda grande que a província, em particular, e o país, em geral, registou”, disse Francisco Tomás “Chico Tempo”.
O padre Luzizila Kiala disse que a Igreja Católica, a província e o país estão de luto pela perda destes cidadãos, por isso é que todos nós estamos solidários. “É importante que os automobilistas sejam mais responsáveis sempre que estiverem na estrada e sobretudo quando transportam pessoas”.
“Este nefasto acontecimento mancha a província do Uíje. É muito triste e faz-nos pensar que temos que ser mais cautelosos e cuidadosos sempre que estivermos ao volante de uma viatura que transporta vidas humanas”, disse Joaquim Manuel Fernandes “Kinito”, que louvou o gesto do Governo por ter apoiado o funeral.
Para Sónia Arlete, “nesta hora de muita dor e luto faltam palavras para falar deste nefasto acontecimento. Este terá sido o primeiro acidente que deixa a nossa sociedade completamente consternada. É, portanto, um alerta muito grande aos automobilistas que continuam a não respeitar as regras de trânsito”.
Milhares de pessoas,  entre familiares das vítimas, amigos, membros das igrejas, membros do governo local e da sociedade civil, autoridades tradicionais, oficiais das FAA e da Polícia Nacional, representantes de partidos políticos, entre outros, presenciaram as exéquias fúnebres.

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