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Mona Quimbundo vive melhores dias

Flávia Massua e Camuanga Júlia |Saurimo

Mona Quimbundo, designação na língua kimbundo que significa descendente desta tribo, é a antiga povoação de Mwatximbundo, em Cokwe, que resultou da fusão de Mwata (chefe) e Mbundu (nevoeiro), em memória ao seu fundador.

Um ângulo da localidade de Mona Quimbundo onde estão a ser erguidas várias infra-estruturas de impacto social
Fotografia: Pedro Fiawana

Mona Quimbundo, designação na língua kimbundo que significa descendente desta tribo, é a antiga povoação de Mwatximbundo, em Cokwe, que resultou da fusão de Mwata (chefe) e Mbundu (nevoeiro), em memória ao seu fundador.
Reza a história que o então mandatário da localidade desapareceu num cenário de forte nevoeiro por si criado, numa demonstração de poder, em resposta à ameaça de um sobrinho que integrava um grupo militar que servia um colonialista português.
Situada na parte Oeste da cidade de Saurimo, num raio superior a 50 quilómetros, a localidade de Mona  Quimbundo ocupa uma superfície de mais de seis mil quilómetros quadrados. Tem cerca de 12 mil habitantes, na sua maioria dependentes de uma agricultura de subsistência.
A mandioca é o principal suporte de alimentação dos habitantes desta localidade, que tem ainda o milho, a ginguba, a batata-doce, o abacaxi como outros produtos que integram o leque de culturas adaptadas ao clima da região.
Mona Quimbundo dispõe de extensas chanas favoráveis ao fomento da cultura do arroz em grande escala. Mas o ataque das culturas por animais força os habitantes a cultivarem num raio inferior a dez quilómetros da vila.
Localizada junto à estrada nacional 230, que dá acesso à capital, a comuna possui solos cultiváveis, é rica em diamante, tem uma fauna e flora que incentivam o repovoamento animal, a pesca, a caça e a exploração da madeira.
Apesar deste potencial, o administrador da comuna, António Jaime, afirma que a falta de pontes nalgumas vias secundárias e terciárias, a dispersão das aldeias e a existência de campos minados, quer identificados quer suspeitos, têm estrangulado os esforços com vista ao acelerar do desenvolvimento.
Em outras palavras, o responsável referiu que apesar dos esforços gizados pelo Governo e parceiros, nestes oito anos de paz, no sentido de desminar as áreas de produção agrícola, as vias de acesso às fontes de abastecimento de água e das obras de construção e reconstrução de infra-estruturas, muito há ainda por fazer.

Nova imagem

Um sistema de abastecimento de água com capacidade para 50 mil litros está em fase de conclusão. A empreitada, que está a ser levada a cabo pela empresa Molimo Walupara, visa suprir as dificuldades no enchimento de dois reservatórios que eram reabastecidos por um camião cisterna que se encontra avariado.
Do conjunto de novas infra-estruturas erguidas na era de paz, destaca-se uma escola do ensino primário com seis salas de aula, um hospital com capacidade para 18 camas, quatro residências, das quais uma para o administrador e outra para o seu adjunto.
Estes esforços levados a cabo pelas autoridades locais deram outra imagem àquela comuna, que possuía apenas duas modestas infra-estruturas que serviam o comando militar e a administração.
Nesta altura, a vila beneficia de energia eléctrica durante quatro horas/dia, produzida por um gerador.  Os moradores da região estão preocupados com as ravinas que começaram a surgir ao longo dos espaços abandonados, resultantes das chuvas que se fazem sentir regularmente.

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