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Cooperativas no combate à fome

Samuel António | Luena

Os sinais de desenvolvimento, nos mais variados domínios da vida da população do município dos Bundas, cuja capital é a bonita vila de Lumbala Nguimbo, são visíveis.

Rei Mwene Bandu III
Fotografia: Samuel António

Os sinais de desenvolvimento, nos mais variados domínios da vida da população do município dos Bundas, cuja capital é a bonita vila de Lumbala Nguimbo, são visíveis. O aumento das infra-estruturas sociais tem mudado a face da região.

O município, apesar de existirem ainda dificuldades em alguns sectores, tem registado melhorias das condições sociais básicas, com a construção e reabilitação de escolas e postos médicos e o fomento da agricultura.
O administrador municipal mostrou-se satisfeito com os resultados alcançados nos últimos oito anos: “O município caminha, com passos seguros, rumo ao desenvolvimento, embora existam dificuldades nos sectores da educação e da saúde”. “Faltam-nos os técnicos para responder às necessidades existentes em toda a extensão do município, disse, ao  Jornal de Angola, Júlio Cuando.
Bundas é, maioritariamente, habitado pela população regressada. A guerra, que assolou fortemente a região, fez com que grande parte dos habitantes abandonasse o local e procurasse refúgio na Zâmbia.
A reinstalação da população numa zona onde a guerra não poupou nada, frisou o administrador, criou grandes dificuldades: “Tudo teve de ser refeito. A vida recomeçou praticamente do nada. Nos primeiros tempos, a alimentação era escassa, pois a agricultura tinha sido abandonada. As casas, na maioria, estavam destruídas ou seriamente danificadas”.
A agricultura e a pesca foram retomadas, através da criação de cooperativas e associações de camponeses e de pescadores, o que permitiu afastar o espectro da fome. Actualmente, declarou Júlio Cuando, com orgulho, em termos de alimentação básica, a população é auto-suficiente.
A instalação do sistema “Liga-Liga”, da Angola Telecom, veio facilitar as comunicações com o exterior, sem grandes custos.
“No passado, para comunicar com o exterior do município, a população recorria aos serviços privados, através de telefones satélites. Os custos eram muito altos. Por cada minuto pagava-se 200 kwanzas. Com o novo sistema, por 30 minutos paga-se apenas 500”, disse.
O rei dos Bundas, Mwene Mbandu III, afirmou, ao Jornal de Angola, que acredita nos esforços do Governo para resolução dos principais problemas da população. 
A paz, além de permitir o reencontro de famílias, referiu, facilitou a comunicação, o bem-estar das populações e o desenvolvimento das zonas mais afectadas pelo conflito armado. 
Mwene Bandu III pediu ao Governo que continue com “a mesma determinação, a expandir a rede escolar e sanitária e a cuidar do saneamento básico”.
Apesar dos sinais de melhoria, muito ainda há a fazer no município dos Bundas. O desenvolvimento deve ser visto numa perspectiva local, em função da realidade de uma população essencialmente rural, que há cerca de oito anos perdeu tudo.
A cerca de 356 quilómetros da cidade do Luena, a vila de Lumbala Nguimbo, sede municipal dos Bundas, precisa, pelo menos, de uma agência bancária para o pagamento dos salários dos trabalhadores da função pública e para impulsionar as pequenas actividades empresarias, incluindo os sectores da agricultura e das pesca.
Neste momento estão a ser construídos, em todas as comunas, edifícios para a administração e casas para os administradores e para os adjuntos. O fundo de gestão municipal para este ano, revelou Júlio Cuando, vai financiar a construção de jardins e de um parque infantil na sede do município.

Vias de comunicação

As estradas são um dos sectores em que ainda há muito por fazer. O mau estado em que se apresentam dificulta as trocas comerciais e mantém algumas localidades em estado de quase isolamento. Por exemplo, para chegar à comuna do Ninda, uma das seis que compõem a circunscrição, vive-se uma verdadeira odisseia. As pontes ao longo do percurso são todas de madeira, em estado precário de conservação. A circulação de viaturas é e arriscada.
Júlio Cuando garante que há já um projecto para substituição das pontes de madeira por metálicas.
O hospital municipal, construído de raiz no quadro do programa de aumento, melhoria e oferta de serviços básicos às populações, tem capacidade para internar 50 doentes.
O município tem uma grande escassez de técnicos das mais diversas áreas. Em todo o município não há um único médico. Os serviços sanitários são prestados por enfermeiros e técnicos médios e básicos. 
Bundas é, em toda a província, o município com maior prevalência do HIV\Sida. O sector municipal da saúde foi contemplado com uma viatura equipada com meios técnicos que facilitam a testagem voluntária. O meio, apesar de claramente insuficiente, permite a testagem voluntária nas localidades mais afastadas. A prevalência do HIV/Sida no município, referem técnicos, está associada às movimentações demográficas provocadas pela guerra.
“A população que regressou depois do fim da guerra trouxe doenças adquiridas no estrangeiro”, disse o administrador, sublinhando:
”Isto é outra das consequências do conflito armado, que também não permitiu uma ampla difusão dos conhecimentos quanto à prevenção da doença”.
Bundas, um dos nove municípios da província do Moxico, tem cerca de 53 mil habitantes, que basicamente se dedica à agricultura, pesca, caça e apicultura. É limitado a Norte, pelo Moxico e Alto Zambeze, a Este pela República da Zâmbia, a Sul por Rivungo e Mavinga e a Oeste, por Luchazes.
O município é constituído pelas comunas de Lumbala Nguimbo, Luvuei, Lutembo, Sessa, Mussuma, Ninda e Chiume.

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