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Edifícios à espera de obras

O fraco saneamento básico e o estado avançado de degradação de quase todos os edifícios da cidade do Luena, no Moxico, preocupam os moradores, que pedem uma intervenção urgente dos órgãos competentes.

Panorâmica da cidade do Luena onde existem vários prédios em estado avançado de degradação
Fotografia: Santos Pedro | Edições Novembro

A preocupação foi manifestada ontem por alguns moradores, que afirmam que o estado de degradação de alguns prédios coloca em risco a segurança e a saúde de muitos munícipes.
Segundo a moradora do antigo prédio “Marcos Soto”, Azenaide Candelei, o saneamento básico é precário, devido a deterioração do sistema de evacuação das águas residuais, provocando mau cheiro, em pleno centro da cidade do Luena e, aos poucos, a base do edifício está a ser destruída.
A moradora pede à Administração Municipal do Moxico para criar estratégias de cobranças de taxa de condómino, para se melhorar o estado de sanidade dos edifícios e criar comissões de moradores para intermediarem os problemas da população junto da administração.
A morador Edilberta Tchicolo, residente do prédio do Kandamba, centro da cidade, mostrou-se igualmente preocupada com as fissuras que o edifício apresenta e solicita uma rápida intervenção de quem de direito.Edilberta Tchicolo apontou também o vazamento das águas das fossas, que não encontram passagem, que, segundo ela, pode contaminar a água de consumo, que é um atentado à saúde pública.
Por sua vez, o morador do  prédio João Vasconcelos Simão  mostrou-se preocupado com a falta de drenagem das águas residuais em vários edifícios do Luena.
O chefe de departamento da Direcção do Ambiente na província do Moxico, Rosário Pita Chipango, disse que a situação do saneamento nos edifícios da cidade é preocupante, principalmente na época chuvosa, em que a facilidade de contaminação de doenças é maior.
Diante disso, Rosário Pita Chipango apontou a prevenção como o melhor remédio, apelando à população a ser mais cuidadosa, recolhendo sempre o lixo com o intuito de facilitar a passagem normal das águas e se evitar a existência de vectores de transmissão de doenças.
Para Rosário Pita Chipango, o sector tem trabalhado com as comunidades com vista a consciencializar a população a ter mais cuidados com o meio ambiente e incentivar o gosto pela plantação de árvores.
O administrador municipal do Moxico, Bento Luembe Paulino, justificou que a administração tem trabalhado com as comissões de moradores no intuito de encontrar solução dos problemas apresentados pelos munícipes, para garantir o bem-estar de todos.
Explicou que a instituição não tem fundos para a requalificação dos edifícios, limitando-se apenas na manutenção da higiene dos mesmos e pediu que cada morador cumpra com as suas obrigações, sob pena de pagar multas pesadas.
Sobre outra preocupação apresentada pelos moradores, que tem a ver com os contentores para o armazenamento do lixo, Bento Luembe Paulino garantiu que, num futuro próximo, a situação será resolvida.
A cidade do Luena, a capital da província do Moxico, foi projectada para 100 mil pessoas e conta agora com mais de 400 mil habitantes. Foi construída na década de 50 e ascendeu à categoria de cidade a 18 de Maio de 1956.

Novas salas de aula
Cem novas salas de aula para alfabetização serão criadas no ano lectivo de 2018, pela Diocese do Luena, afecta à Igreja Católica, segundo o bispo local, dom Jesus Tirso Blanco. O bispo afirmou que as turmas serão criadas em todas as localidades onde está implementado o projecto Katwuca Kwenda, que visa combater o analfabetismo ainda persistente na região.
Disse existir ainda no Moxico um índice considerável de analfabetismo, sobretudo no meio rural, razão pela qual a diocese vai-se juntar aos programas do Governo para a sua erradicação. Informou que nos últimos anos houve um decréscimo no processo de alfabetização, por terem sido cortados todos os subsídios para os facilitadores e formadores, devido à situação económica.
Por outro lado, o director municipal de Luacano da Educação, Domingos Catepa, afirmou que serão sancionados disciplinarmente os professores colocados na região e que continuam ausentes dos seus postos de trabalho. Disse tratar-se de 36 professores apurados no concurso público de 2014, porém, mesmo com guias de colocação que receberam no dia 4 do mês em curso, ainda não se apresentaram nos locais de trabalho.
Domingos Catepa afirmou que 47 salas de aula da primeira até a 13ª classe aguardam pelos docentes.

                                                                            Evitar a construção em zonas de risco

Um leque de actividades de sensibilização da população para evitar construir em zonas de risco, em função das fortes chuvas que caem na província do Moxico, está a ser desenvolvido pelo Serviço de Protecção Civil e Bombeiros.
O efectivo alerta ainda as comunidades para se prevenirem sobre possíveis calamidades naturais, que podem ocorrer na província durante a época chuvosa, segundo o porta-voz do comando provincial da corporação, inspector Daniel Francisco Alegria.
As actividades passam pela realização de palestras nas escolas e campanha de sensibilização porta-a-porta, que desincentivam a construção em zonas de risco.
O porta-voz afirmou que os bairros Aço, 4 de Fevereiro e Sinai-Novo são os que mais preocupam, tendo em conta o tipo de construção que existe nas referidas zonas, caracterizada por precária (casa de adobe).
Daniel Alegria lamentou o facto de a instituição carecer de meios logísticos para prestar os primeiros socorros às possíveis vítimas de calamidades, que podem ocorrer na presente época chuvosa, apesar de confiar nos meios técnicos e humanos existentes. O inspector Daniel Francisco Alegria informou que na passada época chuvosa o Serviço de Protecção Civil registou a destruição de 623 infra-estruturas, entre escolas, igrejas, postos policiais, tendo causado três vítimas mortais.
Por outro lado, a directora clínica do Hospital Geral do Moxico (HGM), Georgina Esperança Muhunga, alerta a população para se adiantar na implementação dos métodos de prevenção contra doenças negligenciadas durante a época chuvosa, para se evitar a morbi-mortalidade, sobretudo materno-infantil.
Em declarações à Angop, a médica disse que a luta contra a febre tifoide, paludismo, doenças diarreicas e respiratórias agudas passa pelo consumo de água tratada.

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