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Festas do Moxico indicam mudança

Samuel António| Luena

O Moxico, nome de um importante soba derivado do "Muxikó", uma espécie de cesto feito de fibras de pequenos arbustos que era usado para guardar produtos do campo e utensílios de caça, está em festa. O distrito foi criado por decreto em 15 de Setembro de 1917, como território desmembrado do distrito de Benguela.

Um dos edifícios emblemáticos de Luena que hoje completa 93 anos
Fotografia: Daniel Benjamim

O Moxico, nome de um importante soba derivado do "Muxikó", uma espécie de cesto feito de fibras de pequenos arbustos que era usado para guardar produtos do campo e utensílios de caça, está em festa. O distrito foi criado por decreto em 15 de Setembro de 1917, como território desmembrado do distrito de Benguela.
A província do Moxico é a maior de Angola, com 223.023 mil metros quadrados, e tem 800.820 habitantes, que na sua maioria se dedica à agricultura e à pesca. Luena é a capital, antiga vila Luso, fundada pelo tenente-coronel Trigo Teixeira, em Março de 1895, na sua primeira expedição à região.
A rede provincial de estradas tem 2.700 quilómetros e centenas de pontes, o que permite a circulação de pessoas e mercadorias em todo o território. Os rios têm variadíssimas espécies de peixe, como tuqueia, mbuli (bagre), kele, kundu mukunga, pungu mussoji o que tem vindo a reforçar a dieta alimentar da população.
A par da agricultura, a actividade piscatória é a principal ocupação das populações do Moxico.
Apesar  dos meios rudimentares ainda utilizados, Moxico é a região de Angola que mais mel produz. Segundo os dados, a região foi grande centro de permuta de cera e borracha, o que a levou, em 1956, a figurar na lista do maior produtor mundial de mel.
A província tem importantes recursos minerais e florestais. No município do Alto Zambeze há cobre, manganésio, ferro, volfrâmio, urânio, carvão, diamantes e jazidas de petróleo descobertas recentemente no município do Luacano. A sua densa floresta é rica em madeira de grande qualidade.
O Moxico, para além de albergar as maiores bases da luta contra a ocupação colonial, testemunhou vários acontecimentos políticos, como o acordo de Lunhameji, em 1974, entre o governo português e o MPLA, liderado por Agostinho Neto, que teve como objectivo o cessar fogo.
Em 1991, foi no Moxico que se assinalou a cessação das hostilidades que deu lugar aos acordos de Bicesse, em Portugal. Em 31 de Março de 2002 foi assinada a declaração de entendimento do Luena, que deu posteriormente lugar à assinatura dos acordos de paz em Luanda.
A província comemora os 93 anos da criação do distrito numa altura em que os sinais do progresso são visíveis em todo o território.

A caminho do desenvolvimento

Os rastos da guerra que assolou fortemente a região mostram que o governo tem muito a fazer. A falta de quadros em todos os sectores é ainda um sério problema, o que tem vindo a dificultar o desenvolvimento da região.
O plano de construção das infra-estruturas na província satisfaz algumas exigências. Localidades mais fustigadas pela guerra já têm escolas, postos médicos e outros serviços.
Os sectores da educação, saúde, e energia e águas são os mais beneficiados em todos os programas anuais do governo da província.
Durante oito anos de paz foram investidos enormes recursos financeiros na construção de infra-estruturas, reabilitação e apetrechamento de escolas, centro e postos médicos, sistema de abastecimento de água e de energia nas sedes municipais e comunas.
Moxico é uma região em pleno desenvolvimento mas o sector industrial está paralisado. Na década 80, a província tinha uma fábrica de panelas, outra de bebidas e uma moagem de café. Hoje essas unidades de produção estão em escombros.
O desenvolvimento do Moxico também passa pela formação de quadros de níveis superiores, reabilitação das vias de acesso e o combate ao analfabetismo.
Com os ganhos da paz, a população do Moxico tem motivos suficientes para festejar. A paz mudou o aspecto das infra-estruturas e o rosto dos cidadãos, que já começam a sentir-se donos do seu destino, almejando um futuro promissor, trabalhando para o seu auto-sustento.
A calada das armas trouxe para esta população o fim do sofrimento e a tranquilidade necessária para que cada um possa começar o processo de reconstrução da sua vida do ponto de vista material, económico e social.
A paz definitiva marcou o início de uma nova era da Reconstrução Nacional que deve ser encarada por todos, de mãos dadas, esquecendo o passado e pondo de parte as diferenças partidárias, religiosas, cor da pele, estatuto ou condição social.

A nova face da paz

Hoje, as crianças têm escolas construídas de raiz, com carteiras adequadas. Com a abertura das vias, os produtos agrícolas estão a ser escoados. As assimetrias antes existentes na balança alimentar da população mudou consideravelmente, porque o produto chega rapidamente ao consumidor a preço baixo.
O programa de ensino de adultos oferece aos cidadãos a oportunidade de aprenderem a ler e a escrever.
Os nove municípios que compõem a província beneficiam do sinal da Televisão Pública de Angola e o da rádio já se ouve em toda a província. Milhares de jovens ganharam emprego nos mais variados sectores, através do processo de concurso público em curso no País. A adesão dos jovens aos postos de actualização do registo satisfaz as expectativas de que estes pretendem participar de forma activa na vida política e no processo democrático em curso no País.
Um total de 2.258 jovens do Moxico adquiriu competências em várias especialidades, graças ao Centro de Formação Profissional, dos quais 600 estão inseridos no mercado de trabalho. Milhares de crianças beneficiaram do registo de nascimento de forma gratuita. O programa de vacinação contra as grandes endemias é um facto que tem merecido máxima atenção por parte do governo, com objectivo de erradicar várias doenças de que ainda padecem as nossas crianças.
O edifício do Centro da Juventude, em fase de acabamento, é a maior infra-estrutura de que os jovens do Moxico vão poder dispor neste últimos oito anos marcados pela paz e reconciliação nacional.
O crédito agrícola vai facilitar aos camponeses do Moxico, mais possibilidades para poderem resolver rapidamente os problemas da produção e aumentar cada vez mais os níveis de produção agrícola, combater a fome e diminuir a pobreza no seio das populações.
Perto de 500 estudantes frequentam pela primeira vez as aulas na escola politécnica superior, o que demonstra bem o quanto o governo está apostado na expansão do ensino superior e na formação de quadros em todos os níveis.
Os apelos constantes do executivo da província, que defende a necessidade de se primar pela boa gestão e transparência na utilização da coisa pública para a resolução com êxito dos múltiplos problemas que afligem a população, mostram de forma clara que o governo está preocupado com a melhoria dos níveis de governação na província.
A população do Moxico mostra-se satisfeita com estes resultados alcançados nos últimos oito anos. A província caminha, com passos seguros, rumo ao desenvolvimento, embora existam dificuldades em alguns sectores.

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