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Lumege Cameia transformada em vila moderna

Adão Diogo| Lumege Cameia

As marcas de destruição deixadas pela guerra a nível de Lumege-Cameia, cerca de 100 quilómetros da cidade do Luena, desapareceram, fruto da aposta das autoridades locais na edificação da vila.

O município era no passado o celeiro da província devido às elevadas cifras de produção de arroz e hoje está em progresso
Fotografia: Adão Diogo | Lumege Cameia


A sede municipal de Cameia, também conhecida por Nambaca, regista um cenário atraente, onde despontam dezenas de edifícios novos e conservados, o renascer de serviços de saúde, educação, energia, água, mercados, espaços para lazer, sistemas de comunicação das duas operadoras de telefones móveis, ruas e avenidas ornadas por palmeiras e outras espécies.
O caminho-de-ferro, que sai do Luena, já chega ao Luau. Ao longo deste troço ferroviário identificam-se os bairros, que revelam a delicadeza de um ordenamento feito com rigor, para acautelar o caos gerado pela explosão demográfica.
O administrador adjunto do município de Cameia, Benjamim José, disse que a recuperação do edifício, onde funciona actualmente a administração local, implicou o derrube de uma árvore no meio dos escombros da antiga casa, onde viveu o administrador colonial português.
Os projectos executados apresentam 100 casas sociais das 200 previstas, numa perspectiva de expandir a urbanização na vila e bairros periféricos de Chivinda e Mufupo, que contam já com 50 casas evolutivas.
A aposta do Governo Provincial do Moxico criou condições em termos de salas de aulas e casas para docentes. Estas estruturas permitiram a inserção de 12 mil alunos no sistema normal de ensino, até ao II ciclo, situação que vai melhorar com a conclusão de 52 novas salas de aulas no próximo ano. O edifício, dentro dos próximos quatro anos, transforma-se em pólo universitário, anunciou o administrador adjunto do município da Cameia.

Hospital ampliado


O antigo hospital da sede municipal beneficiou igualmente de remodelação profunda, no sentido de aumentar e melhorar a capacidade de assistência. Neste momento, a instituição clínica funciona com dois médicos cubanos e dispõe de duas ambulâncias, laboratório para análises clínicas, bloco operatório, serviço de radiologia, adquiridos e equipados no quadro da descentralização financeira do município.
Os progressos no sector da saúde abarcam ainda oito postos, casa social para gestantes e duas outras geminadas para médicos e enfermeiros, centro materno-infantil, depósito de medicamentos e quatro viaturas de apoio. As localidades de Cawewe I e II, Ponte Gomes, Acampamento, assim como os Parques Nacionais de Cameia e Lihumbu-lia-Phami são os principais pontos de atracção turística do município. Estes locais estão subaproveitados, também, por défice gritante de hotéis e similares.
As operadoras de telefonia móvel garantem o sinal da Internet. Por meio da instalação de repetidoras e outros sistemas, a população acompanha as emissões de rádio e televisão, facilitadas pela energia produzida por três grupos geradores, com capacidade de 200 a 365 KVA.

Usos e costumes

Os cerca de 40 mil habitantes não escaparam à influência da globalização. Mas o sobado é que orienta a organização sociopolítica das comunidades, que ainda fazem preservar o hábito de construção de casas de pau a pique, com paredes de barro ou à base de adobe, cobertas de capim ou chapas de zinco.
As casas da comunidade dispõem sempre de uma cozinha, que aparece como um anexo, onde, bem próxima desta, se encontram ainda capoeiras, currais e tarimbas para a secagem de alimentos.
A esposa, a dona de casa é, regra geral, a cozinheira da família. O funji, preparado à base de farinha de bombó ou milho, constitui a principal dieta alimentar, que é normalmente acompanhado de carne, peixe, matamba (quizaca), mulembwe (quiabo), temperado com ginguba, semente moída de abóbora ou de girassol.
O município, tido no passado por celeiro da província, devido às elevadas cifras de produção de arroz, possui chanas em abundância, 25 rios e quatro lagoas, que impulsionam a agricultura e a pesca artesanal.
Aquela parcela da província do Moxico é um território dominado por planícies, arbustos de variedades típicas de zonas com bastante água e florestas pressionadas pela acção humana.
 É também detentor do segundo maior parque nacional do país, o Cameia, com uma superfície de 14.­450 quilómetros quadrados, passando pelos municípios de Moxico, Luacano e Alto-Zambeze.

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