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Moxico reforça combate aos casamentos infantis

Daniel Benjamim | Luena

Mais de 30 jovens estão a ser capacitados no Luena, província do Moxico, para trabalharem como activistas sociais no combate ao casamento infantil e gravidez precoce, no âmbito da parceria entre a Iniciativa Regional para o Apoio Psicossocial (REPSSI) e a Direcção Provincial da Família e Promoção da Mulher.

Família e Promoção da Mulher traça estratégias para que as crianças cresçam de forma saudável
Fotografia: Arão Martins | Edições Novembro

Os activistas a serem ca-pacitados na primeira fase vão dar cobertura às acções de sensibilização, numa perspectiva de atingirem pelo menos 7.500 famílias, para que, por via desta iniciativa, possam ajudar a evitar casamentos infantis e gravidez precoce nas comunidades.
António Félix Jerónimo, representante da REPSSI, disse que a referida instituição, enquanto Organização Não Governamental Africana, trabalha na defesa do bem-estar das famílias e na capacitação dos parceiros estatais e privados, que im-plementam acções a favor das comunidades.
O casamento infantil, referiu António Félix Jerónimo, constitui uma violação dos direitos humanos e é um acto que nega e põe em cau-sa a dignidade e oportuni-dade de escolha por parte da rapariga.
 O responsável considerou que o casamento infantil tem uma ligação muito directa com a gravidez precoce, ressaltando que o facto dos casamentos realizarem-se na maioria dos casos com pessoas mais velhas e sexualmente mais experimentadas faz aumentar o risco de infecção de VIH-Sida e a violência doméstica.
António Félix Jerónimo anunciou que a REPSSI, em parceria com a Organização Não Governamental AFRIQUER, tem em carteira um projecto para prevenir os casos de prevalência do VIH-SIDA, dar apoio psicossocial às vítimas de casamentos in-fantis, bem como outras iniciativas ligadas à saúde sexual e reprodutiva, com o financiamento do PNUD.
O representante do RE-PSSI disse que os dados do UNICEF dão conta que 60 por cento dos bebés nascidos e menores de 18 anos têm maior probabilidade de morrer no primeiro ano de vida, tendo assegurado que a sua organização vai trabalhar para juntar-se aos esforços do Go-verno de Angola na erradicação deste mal que inquieta as famílias angolanas.
Segundo António Félix Jerónimo, a REPSSI existe há 15 anos e trabalha em 13 países africanos, com a missão promover a saúde mental de qualidade e o bem-estar psicossocial das famílias, com foco na protecção especial de crianças e jovens.
O responsável afirmou que ao nível institucional a Organização Não Governamental Africana tem prestado o seu contributo através de um acordo de parceria técnico existente entre a REPSSI e o comité de crianças órfãos e vulneráveis da SADC.
O vice-governador para o Sector Social e Político, Carlos Alberto Masseca, considerou o casamento infantil um problema mundial, mas com maior expressão no continente  africano. Sublinhou que os  chefes de Estado e de Governo dos países  africanos assumiram, numa das cimeiras, o combate à este fenómeno.
Carlos Alberto Masseca afirmou que  o  casamento in-fantil na província do Moxico é uma realidade, devido a frequência de casos registados, e apelou à mudança de comportamento dos pais, para banir este mal no seio das famílias.

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