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Província do Moxico aposta nos técnicos

Samuel António| Luena

A direcção provincial da Agricultura no Moxico aposta na formação de técnicos e agentes rurais para garantir a sustentabilidade dos projectos ligados à agricultura, no quadro do programa da luta contra a fome e a pobreza, disse ao Jornal de Angola o director provincial do sector. 

Director provincial da Agricultura
Fotografia: Daniel Benjamim|Luena

A direcção provincial da Agricultura e Desenvolvimento Rural no Moxico aposta na capacitação de técnicos e agentes rurais, para garantir a sustentabilidade dos projectos ligados à agricultura, no quadro do programa de luta contra a fome e a pobreza.
António Silva, director provincial da Agricultura , disse ao Jornal de Angola que os projectos do sector na província estão ligados ao programa municipal integrado de desenvolvimento rural e combate à pobreza, para o ano de 2011.
Para além de acções de capacitação, disse, consta no programa do sector da Agricultura, a realização de projectos de renda para apoiar as pequenas famílias camponesas e monitorar o processo a nível da província, para identificar as potencialidades dos excedentes de produção, de modo a facilitar a promoção do comércio rural.   
Em função das informações e das constatações feitas a nível de todas as associações de camponeses, António Silva prevê bons resultados no presente ano agrícola, principalmente nas culturas de mandioca, milho e batata-doce.
Sem avançar números, o responsável reconheceu que a província do Moxico possui potencialidades para criação de gado, mas descartou a hipótese dos números existentes, pelo facto de este povoamento animal ser feito de forma aleatória por parte dos criadores.
De acordo com o director da Agricultura, está para breve o arranque da campanha de vacinação e de outras acções de profilaxia, para acautelar sobre as eventuais doenças que atacam os animais.      
António Silva disse que a sua preocupação está virada para os resultados da presente campanha agrícola, apesar das chuvas que provocaram prejuízos enormes no município do Alto Zambeze.
“Tivemos um prejuízo de 200 lavras que ficaram submersas no município do Alto Zambeze e como se trata da cultura de mandioca, pensamos que a colheita está comprometida”, frisou.     
 A província controla 73 associações de camponeses legalizadas, mas o atraso na concessão do crédito agrícola tem contribuído para o baixo nível de rendimento da produção agrícola na província.    
“Temos estado a sensibilizar os camponeses no sentido de terem mais paciência, pois os processos estão já encaminhados junto dos bancos. Uma vez que haja luz verde, os camponeses vão ter os seus problemas resolvidos”, disse.
Temos a certeza, disse o responsável, que o Executivo, através dos bancos vocacionados, vai trabalhar para garantir as verbas junto das famílias camponesas, para aumentar os níveis de produção.
“Para este ano agrícola, segundo o programa de combate à fome e pobreza, cabe às administrações municipais identificar os problemas por que os camponeses passam e criar condições através de verbas alocadas a cada uma das administrações para a aquisição de imputes agrícolas e de outros meios que facilitem a produção agrícola”, esclareceu o responsável da Agricultura no Moxico.  António Silva lembrou que a produção agrícola deve ser acompanhada pelas administrações municipais, para terem em conta o nível de produção, criar mecanismo para o investimento do comércio rural, gerar rendimentos e promover o bem-estar das famílias camponesas, tendo em consideração o programa de luta contra a fome e pobreza, que o Executivo realiza em todo o país.     

Aumento da produção

Segundo o director provincial da Agricultura, a produção tem vindo a aumentar em cada ano, o que significa dizer que há bons indicadores, quer na produção agrícola dos bens essenciais, como também na captura do pescado, onde se constata maiores volumes destes produtos nos mercados locais. 
A província do Moxico, segundo o director da Agricultura, produz anualmente mais de 200 mil toneladas de peixe. Os números podem aumentar nos próximos tempos, caso haja mais incentivos a favor das associações dos pescadores.     
António Silva garantiu que existem alguns barcos para apoiar a pesca, mas infelizmente os administradores dos municípios, onde a pesca constitui uma das actividades predominantes da população, não se preocupam com o transporte para as referidas localidades destes equipamentos.   
 O responsável referiu que o sector vai continuar a orientar o sistema de captura do pescado, para facilitar o controlo dos níveis de produção do peixe na região, e promover um circuito comercial mais abrangente, que atenda as necessidades reais da população.    
Adiantou que o Caminho-de-Ferro de Benguela vai proporcionar a expansão do produto para outras províncias e como consequência vai incentivar o aumento de captura do pescado na região.
A direcção provincial da Agricultura, Pesca e Desenvolvimento Rural no Moxico está a trabalhar no sentido de as administrações municipais e associações de camponeses terem apoios técnicos e outras acções formativas que lhes capacitem a desenvolver as suas actividades com maior nível de conhecimento sobre as regras básicas da produção agrícola.
“A agricultura é uma ciência e é preciso que as pessoas que apostam neste trabalho tenham ferramentas próprias que lhes permitam exercer esta actividade”, esclareceu.

Falta de escoamento

Um dos maiores problemas que preocupa a direcção da Agricultura é a conservação dos produtos. O município do Luau é grande produtor de tomate, mas por falta de escoamento para outros mercados, este produto acaba por se deteriorar, porque o mercado local não tem capacidade suficiente para comprar as grandes quantidades que os camponeses colhem, lamentou António Silva .
A direcção provincial do Moxico da Agricultura necessita de técnicos para atender os nove municípios existentes.

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