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Uma cidade que se renova com desenvolvimento imobiliário

Samuel António | Luena

Luena, capital da província do Moxico, celebra a 18 de Maio o 60.º aniversário da sua ascensão à categoria de cidade. Para assinalar a data, a Administração Municipal organizou várias actividades políticas, culturais, desportivas, recreativas e debates.

A cidade conhece grandes melhorias na rede ferroviária assim como na viária que mudou a imagem da urbe e melhorou a qualidade de vida de milhares de habitantes
Fotografia: Francisco Bernardo

Distanciada 1.314 quilómetros de Luanda por estrada e  1.036 quilómetros do litoral pelo Caminho de Ferro de Benguela (CFB), Luena encanta os visitantes pelas ruas largas e   rectas, com jardins e largos.
Dados históricos revelam que a instalação dos primeiros colonos portugueses na região remonta a 1894, quando, resultado das expedições de Silva Porto, Serpa Pinto, Brito Capelo, Roberto Ivens e Trigo Teixeira, foi construído um forte. Essa edificação, que funcionou como colónia penal, agrícola e militar, foi substituída pouco depois por uma capitania-mor.
A 15 de Setembro de 1917, através do Decreto 3.365, foi criado o Distrito do Moxico e no ano seguinte deu-se a instalação da sua sede na antiga povoação do Moxico Velho, pelo tenente-coronel Trigo Teixeira.
Após a tomada de posse do primeiro governador, D. António de Almeida, este delineou e fundou, a cerca de 20 quilómetros do Moxico Velho, a sede do distrito Moxico Novo, num planalto de 12 quilómetros de largura, entre os rios Luena, a sul, e Lumege, a norte, a 1.320 metros de altitude. O alto-comissário de Angola, general Norton de Matos, visitou pela primeira vez a localidade em 1922. De seguida, em Conselho do Governo, fixou o nome de Vila Luso para a povoação nascente. Através de Portaria de 18 de Maio de 1956, foi elevada à categoria de cidade e passou a designar-se  Luso.
Assim surgiu a cidade moderna, espaçosa, plana, com largas avenidas arborizadas. Ergueram-se pontes e barragens de irrigação, que permitiram a sua expansão. Também cresceram serviços de administração civil, fazenda e contabilidade, saúde e higiene, educação, agricultura e florestas, veterinária e serviços de economia.

Advento da paz

O administrador municipal do Moxico, Bento Paulino, afirmou que, após o ímpeto inicial, a cidade do Luena teve um desenvolvimento lento, por força das condições no terreno e da falta de meios tecnológicos, e regrediu com o agravamento do conflito militar no país após a Independência Nacional. Com a conquista da paz, os programas de Investimentos Públicos e Municipal Integrado de Desenvolvimento Rural e Redução da Pobreza trouxeram novas infra-estruturas ao Luena.
Bento Paulino afirmou que a cidade conheceu grandes melhorias na rede viária, distribuição de água, iluminação pública e domiciliar, espaços verdes, assim como escolas, hospitais e unidades económicas, que mudaram a imagem da urbe e melhoraram a qualidade de vida dos cerca de 500 mil habitantes.
Luena possui hoje cinco hotéis, o mesmo número de pensões e 34 bares e restaurantes. Os visitantes podem conferir nas ruas da cidade todo o trabalho feito em prol do seu ­desenvolvimento. Regista-se também um aumento vertiginoso do número de construções na periferia da cidade, a revelar uma tendência de crescimento do sector imobiliário, bem como o desenvolvimento de actividades económicas de subsistência, em que os produtos locais, agrícolas e outros, comandam as preferências.

Dia começa cedo

Animada pelo restabelecimento da ligação ferroviária e pelos diferentes projectos em curso na província, a população local participa, à sua medida, no esforço governamental. No Luena, a vida começa muito cedo. Às 5h00, já o sol se mostra à cidade, que logo é tomada por milhares de luenenses na sua luta pela sobrevivência.
Cada vez mais habitantes do Luena adoptam um modo de vida citadino, mas uma grande percentagem da população tem dependência directa do campo, numa altura em que o  slogan é a diversificação da economia. Para tal, concorrem factores naturais, como o relevo plano, a presença de um grande número de rios e as chuvas, com uma precipitação anual entre 600 mm e 1.145 mm, que nos meses de Dezembro a Abril inundam as anharas, também conhecidas por chanas.
A província é atravessada por inúmeros cursos de água, de que se destacam o Zambeze, Luena, Lumeji, Lungue-Bungo, Cassai, Chicalueji, Lúio, Luanguinga e Cuando. As três bacias hidrográficas - Zambeze, no centro Leste, a Cubango no Sul e Zaire a Norte -, constituem um manancial ímpar de recursos hídricos.

Crescimento populacional

Apesar desses recursos, que lhe conferem grandes potencialidades agrícolas, com destaque para as culturas do arroz, milho, amendoim, madeira e frutas, o Estado ainda é o maior empregador da população do Luena.
Devido ao grande crescimento populacional, a capital do Moxico vive dificuldades de abastecimento de água potável, com o rio Luena a revelar-se insuficiente para fazer frente às necessidades, devido à erosão causada pelas ravinas que ameaçam torná-lo num rio seco. Uma nova central de captação e tratamento, instalada no rio Lumeje, a oito quilómetros de centro, veio aliviar a situação.
Um bairro de autoconstrução na periferia da cidade, com casas de arquitectura simples feitas de alvenaria, ganhou dos seus habitantes a designação de Novo Luso, o que para alguns é uma nota de saudosismo, enquanto outros falam de esperanças renovadas da população do Luena, formada por diversos grupos étnicos linguísticos, entre os quais os Côkwe (cujo idioma é o mais falado), Luvale, Ovimbundu, Bundas, Luchazes e Lunda Dembo.

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