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Via degradada corta a ligação

Samuel António| Luena

A comuna de Liangongo, município do Léua, 93 quilómetros a Leste da cidade do Luena, capital da província do Moxico, enfrenta enormes dificuldades que passam pela falta de infra-estruturas, mau estado das vias que ligam a sede do município com a comuna e o número reduzido de professores e enfermeiros.

Estrada não oferece as mínimas condições para a circulação de viaturas e mesmo as
Fotografia: Daniiel Benjamim

A comuna de Liangongo, município do Léua, 93 quilómetros a Leste da cidade do Luena, capital da província do Moxico, enfrenta enormes dificuldades que passam pela falta de infra-estruturas, mau estado das vias que ligam a sede do município com a comuna e o número reduzido de professores e enfermeiros.
Apesar de oito anos de paz, os sinais de desenvolvimento ainda não são visíveis. Liangongo foi uma das comunas da província do Moxico onde o regime colonial ergueu mais infra-estruturas, devido ao seu potencial agrícola. Mas hoje, por causa da guerra que assolou fortemente a região, a comuna de Liangongo está em escombros.
O administrador comunal, António Gonçalves Chimbese, disse ao nosso jornal que durante os oito anos de paz, a comuna ganhou no quadro do programa de melhoria e aumento da oferta dos serviços básicos às populações, uma escola e quatro postos médicos, número considerado insuficiente para atender a uma população estimada em 19.180 mil habitantes.
A estrada que dá acesso à comuna de Liangongo está em péssimas condições, principalmente nesta época de chuvas, situação que inviabiliza o desenvolvimento da região. António Gonçalves Chimbese disse que devido ao mau estado das vias, a população da comuna está privada de se deslocar ao Léua e outras partes da província e as trocas comerciais estão cada vez mais comprometidas.
"Estamos aflitos porque a única via para chegar à sede do município e da província está intransitável", lamentou o administrador António Gonçalves Chimbese.
Para que haja desenvolvimento na comuna, o administrador defende que é essencial a reabilitação do troço. "O péssimo estado da estrada constitui um obstáculo para o desenvolvimento da comuna, porque os camponeses não conseguem evacuar os seus produtos e não existem trocas comerciais entre o campo e a cidade". Os buracos no troço entre o Léua e a comuna de Liangongo tornam o trânsito cada vez mais complicado e perigoso.
A reportagem do Jornal Angola testemunhou que a estrada não oferece as mínimas condições para a circulação de viaturas e mesmo as "todo-o-terreno" muitas vezes ficam enterradas. O administrador comunal do Liangongo, surpreendido com a chegada dos repórteres, a primeira coisa que disse foi esta: "estamos isolados numa ilha".
Em condições normais, o percurso faz-se em menos de duas horas, mas devido ao mau estado da estrada a viagem demorou mais de cinco horas.
No sector da educação a comuna tem apenas cinco escolas dos quais três de carácter definitivo e duas de construção precária. Por falta de salas suficientes alguns alunos estudam nas capelas e em baixo das árvores. Para contornar a situação, António Gonçalves Chimbese diz que é preciso construir mais escolas e 52 novos professores para juntar aos 93 existentes na comuna. "Temos uma comuna vasta, precisamos que as condições de ensino sejam melhoradas com aumento de novos professores e novas salas para que a rede escolar seja alargada a nível da comuna".
Apesar de tantas dificuldades no sector da educação, o administrador comunal considerou positivo o aproveitamento escolar e perspectiva que o próximo ano lectivo seja ainda melhor.
 
Dificuldades na saúde

O sector da saúde é o que apresenta mais dificuldades. A nível da comuna, tem apenas quatro postos médicos assegurados por cinco enfermeiros. A evacuação dos doentes em situação grave é feita por familiares em motorizadas ou bicicletas e em certos casos com a viatura do administrador.
Neste momento, os serviços de saúde naquela comuna carecem de medicamentos para acudir a situações como a malária, doenças respiratórias agudas, diarreias e outras complicações.
Para melhorar a capacidade de atendimento e a expansão da rede sanitária, está em estudo a construção de três postos médicos em localidades de maior concentração populacional para evitar que os moradores não tenham que percorrer grandes distâncias à procura da assistência médica.
A sede da comuna tem um gerador de 75 kva, mas por falta de cabos eléctricos para a instalação, a energia não chega a todos os moradores. Foi montado um sistema de abastecimento de água potável na sede da comuna com quatro chafarizes que atendem a população.
 
Pólo agrícola

Liangongo é considerado um pólo agrícola devido à riqueza dos seus solos, mas há pouca actividade agrícola. Os camponeses trabalham em dez associações e são apoiados com sementes e instrumentos de trabalho pela Federação Luterana, uma organização não governamental de origem americana.
Por falta de apoios e devido ao mau estado das vias que dão acesso aos grandes centros comerciais, a população da comuna do Liangongo trabalha apenas para o auto sustento.        Segundo o administrador, os dois tractores existentes na sede do município apoiam as actividades agrícolas em regime de contrato mas os camponeses não dispõem de meios financeiros para pagar as horas de trabalho.
A pesca na comuna de Liangongo é uma actividade secundária dos habitantes e para que haja maiores níveis de captura de pescado, a administração comunal pretende apoiar as associações de pescadores para aumentarem a produção, olhando para o mercado local mais também para outras paragens.
A actividade empresarial é inexistente na comuna. Os poucos estabelecimentos comerciais existentes, estão desprovidos de capitais para oferecer serviços de qualidade aos habitantes de Liangongo, situação que tem obrigado a população a deslocar-se a pé para a sede do município.
Liangongo é terra de gente trabalhadora e no passado foi um celeiro da província, mas hoje a realidade é diferente. Durante o conflito armado a sua população perdeu os seus haveres. A vida tende a melhorar, mas muito lentamente.  

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