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Vila do Alto Zambeze sem estradas asfaltadas

O bispo do Moxico alertou ontem para as condições de vida naquela província, no-meadamente no Alto Zambeze, um dos municípios mais isolados de Angola, maior do que a Holanda ou a Suíça, mas sem qualquer quilómetro de estrada asfaltada.

Viajar para Alto Zambeze é um martírio devido ao estado das vias
Fotografia: DR

O argentino Tirso Blanco lidera a diocese católica do leste do país há dez anos, mas ali já tinha estado, na mesma função, em pleno período da guerra civil, entre 1986 e 1991. O bispo católico criticou a rede viária até ao Alto Zambeze, que no período colonial foi um dos maiores produtores de arroz em Angola, sublinhando que a única picada que liga ao centro do município está totalmente esburacada e coberta de lama.
Nestas condições, a viagem facilmente se transfor-ma num “martírio” de dois dias. “Esta é a única via possível para chegar a Cazombo, comuna do Alto Zambeze, que não tem aeroporto nem comboio”, apontou.
Localizado no extremo leste do país, o Alto Zambeze tem 48 mil quilómetros quadrados e apenas 20 mil habitantes, ocupando uma área, por exemplo, semelhante à da Dinamarca. Sem estradas, a alternativa, segundo o bispo Tirso Blanco, passa por recorrer a serviços básicos do outro lado da fronteira, na República Democrática do Congo e na Zâmbia.
O isolamento do município é agravado nesta altura do ano, devido ao período das chuvas (Agosto a Maio), com intensa precipitação, que habitualmente deixa várias comunidades isoladas durante vários dias.
“Em todo esse território não se encontra onde comprar uma arca, uma geleira, o único hospital não tem mais que a boa vontade dos médicos. Raio x? Reagentes? Controlar a glicemia? Só na Zâmbia, depois de uma pe-nosa viagem”, criticou o bispo, que regularmente usa as re-des sociais para alertar para a situação de isolamento da província do Moxico.
Recordando que foi no Moxico que acabou a guerra civil angolana, em 2002, com a morte em combate de Jonas Savimbi (UNITA) e a assinatura dos acordos de paz no Luena, capital da província, Tirso Blanco diz que é tempo de as várias promessas dos últimos anos serem cumpridas. Isto porque, apon-ta, a construção da estrada entre o Luena e o Cazombo, de mais de 400 quilómetros, nunca saiu do papel, apesar de agora voltar a ser colocada em cima da mesa pelas autoridades locais.
“No ano de 2009 prometeram asfaltar a estrada, mas sem dar explicação a ninguém, os trabalhadores foram-se embora e até hoje não voltaram”.

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