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Município da Cela resgata o potencial

Casimiro José | Wako Kungo

A cidade do Wako Kungo, ex-Santa Comba, município da Cela, Kwanza-Sul, assinalou terça-feira 40 anos da sua elevação à categoria de cidade, sob o signo do progresso e optimismo dos seus habitantes.

Reparação de estradas é uma das apostas da administração municipal
Fotografia: Casimiro José

A cidade do Wako Kungo, ex-Santa Comba, município da Cela, Kwanza-Sul, assinalou terça-feira 40 anos da sua elevação à categoria de cidade, sob o signo do progresso e optimismo dos seus habitantes.
A localização geográfica, do ponto de vista estratégico, fez do Wako Kungo durante o período de guerra palco de vários confrontos armados pela sua posse, situação que, naquela época, levou à paralisação de muitos projectos que visavam o seu desenvolvimento social, económico e cultural.
Com o alcance da paz definitiva em Angola, a 4 de Abril de 2002, o Governo angolano gizou programas e projectos para que a cidade do Wako Kungo pudesse reavivar e resgatar o seu potencial agro-pecuário e industrial, no âmbito regional e nacional.
É assim que hoje, de acordo com o administrador municipal da Cela, Isaías Bumba Luciano, são visíveis os níveis de desenvolvimento nos mais variados aspectos, com destaque para os resultados patentes do projecto Aldeia Nova, cujos produtos são hoje consumidos à escala nacional. Aliado a esses esforços do governo, está também o sector privado ligado à agro-indústria a dar o seu contributo. Tratam-se das empresas SEDIAC, SARL e Agro-Wako, entre outras que estão apostadas na produção de grãos e tubérculos e ao mesmo tempo garantem emprego aos habitantes da região.
O administrador municipal da Cela, Isaías Bumba Luciano, destacou, ainda, a instalação de um complexo de fabrico de casas pré-fabricadas, como sendo uma alavanca para o relançamento de projectos ligados ao ramo imobiliário na região e não só.
O desenvolvimento da cidade do Wako Kungo não está apenas nos sectores da agricultura e indústria, pois, actualmente apresenta a maior rede hoteleira ao nível da província do Kwanza-Sul, aliado ao seu potencial turístico, que encanta todos que para lá se deslocam, com realce para o centro da Lupupa que, mesmo em reabilitação, constitui um verdadeiro “oásis” do ecoturismo em Angola.
Os indicadores de desenvolvimento da cidade do Wako Kungo são promissores, pois, para além do seu potencial em recursos naturais, os seus habitantes são exímios trabalhadores em todos os sectores. Todos os dias operários, camponeses e comerciantes empenham-se naquilo a que são chamados a executar e, assim a cidade vai se transformando num “verdadeiro canteiro de obras”.

Execução de projectos sociais

O administrador municipal da Cela, Isaías Bumba Luciano, garantiu que o seu executivo traçou um plano de desenvolvimento municipal para responder às reais necessidades das populações locais e imprimir nova dinâmica no contexto social e económica do município.
A administração municipal da Cela aguarda pela disponibilização das verbas para executar oito projectos planificados para este ano, com acções que incidem nos sectores da saúde, educação, energia e águas, assistência social, habitação, obras públicas e acções de índole administrativa.
Constam do pacote de acções a construção e apetrechamento do centro de saúde na comuna da Sanga, construção e apetrechamento de duas escolas primárias com seis salas de aulas cada nas localidades de Tengue e da Sanga, prossecução da segunda fase da escola do II ciclo do ensino secundário do Wako Kungo e reabilitação do lar de estudantes e do edifício da repartição municipal de educação da Cela.
Ainda para este ano, decorrem acções de reabilitação e requalificação dos jardins, reparação de passeios e lancis, reabilitação, ampliação e melhoramento da rede de distribuição de energia eléctrica pública e domiciliária, tendo sido adquiridos dois grupos geradores, a implementação do projecto de construção dos sistemas de captação, tratamento e distribuição de água potável nos bairros Kissecula, Cambango e Mbanza-Ngumba e construção e apetrechamento de um Pic-Pec e de um balneário público.
Constam ainda do leque de acções do programa para 2010, a construção de um edifício para albergar os Serviços de Migração e Estrangeiros, apetrechamento do posto policial da comuna de Kissanga-Kungo, construção e apetrechamento da residência do administrador comunal da Sanga e reabilitação do cemitério municipal. O administrador municipal da Cela, Isaías Bumba Luciano, manifestou-se preocupado com o estado de degradação que apresentam as estradas secundárias e terciárias e pontecos que ligam a sede à administração comunal da Sanga e de outros aglomerados populacionais e pensa na sua reabilitação para permitir as trocas comerciais nessas localidades.

Reparação de vias de acesso

 Isaías Luciano revelou ao Jornal de Angola que a vida dos munícipes tende a melhorar, a julgar pelas acções em curso, que contam com a colaboração dos agentes económicos e das populações da região.
“É cada vez mais crescente a melhoria de vida dos munícipes, fruto do trabalho que estamos a empreender, nos vários domínios da vida social e económica. Mas não temos ainda o sentimento do dever cumprido. Antes pelo contrário, temos de redobrar esforços para fazermos mais e melhor”, frisou.
A par disso, Isaías Bumba Luciano lembrou que “os investimentos do sector empresarial privado que estão a ser feitos no município têm de encontrar entrosamento com as acções do governo local”. Só assim - disse - se poderá traçar políticas de redução da fome e pobreza no seio das populações locais.

Sectores da Saúde e da Educação

Os sectores da saúde e da educação do município da Cela não fogem à regra naquilo que são as dificuldades conjunturais que o país vive. Para disponibilizar esses serviços às populações, as autoridades locais redobram esforços para responderem às necessidades dos munícipes.
A rede sanitária do município conta com um hospital municipal com 153 camas para internamento, três centros de saúde, 22 postos de saúde, 12 farmácias e quatro postos de enfermagem. De acordo com as autoridades, no município da Cela registam-se frequentemente casos de paludismo, doenças respiratórias e diarreicas agudas.
A rede escolar está composta por 75 escolas, o que perfaz um total de 608 salas de aulas, sendo 69 do ensino primário, três do I ciclo e uma do II ciclo do ensino secundário. Para o presente ano, de acordo com as autoridades, são necessários mais professores e escolas para colmatar as carências que se fazem sentir no sector.

Agricultura e pecuária

O município da Cela é, a par de outras localidades, considerado o celeiro da província do Kwanza-Sul por dispor de terras férteis, regularidade de chuvas e clima que permite praticar a agricultura com diversidade de culturas.
Durante a campanha agrícola 2009/­2010, e no quadro do programa de extensão e desenvlovimento rural (PEDR), foram planificados e preparados mais de 500 hectares de terras, que foram distribuídos aos sectores empresarial e camponês, envolvendo um total de 26 mil famílias camponesas e 96 empresas agrícolas. A população animal comporta 22 mil cabeças de gado bovino, 12 mil de caprino, 9 mil de suínos, 13 de ovinos e 55 mil bicos de aves de capoeira.
O administrador Isaías Bumba Luciano lançou um veemente apelo a todos os naturais e amigos do Wako Kungo que se encontram noutros cantos do país e na diáspora no sentido de regressarem à terra que os viu nascer para se juntarem aos esforços de reconstrução no município.

Historial

A cidade do Wako Kungo, então Santa Comba, dado o seu clima e o seu potencial em recursos naturais, levou o Estado Português, então potência colonizadora, a reservar parte da região da Cela para a fixação de famílias portuguesas, tendo aprovado o regulamento do colonato à luz do Diploma nº2.550, de 5 de Maio de 1958. A 6 de Julho de 1970, pela portaria nº16.997, a vila de Santa Comba, hoje Wako Kungo, foi elevada à categoria de cidade, acontecimento anunciado, pessoalmente, pelo então governador-geral de Angola, Camilo Augusto de Miranda Rebocho Vaz.
O município da Cela tem uma superfície de 5.525 km quadrados, com uma estimativa de 240 mil habitantes que maioritariamente vive da agricultura. Administrativamente está dividida em 3 comunas, sendo a sede, a da Kissanga-Kungo e Sanga e uma área administrativa de Cachongono.

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