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A nossa província está a desenvolver e a produzir de tudo

Vladimir Prata |

A província do Namibe está a crescer vertiginosamente. Estas são palavras da governadora Cândida Celeste da Silva, em entrevista ao Jornal de Angola.

Cândida Celeste está confiante na reabilitação do Porto Minelareiro e no seu relançamento depois da abertura do caminho-de-ferro
Fotografia: Afonso Costa

A província do Namibe está a crescer vertiginosamente. Estas são palavras da governadora Cândida Celeste da Silva, em entrevista ao Jornal de Angola. De facto, nos últimos anos tem-se notado a expansão dos principais centros urbanos, com o surgimento de novos bairros, sobretudo no município sede que dá nome à província e que este mês completou 166 anos de existência. A acompanhar, o governo provincial vem implementando uma série de projectos que têm resultado no surgimento de importantes infraestruturas para a melhoria das condições de vida dos seus habitantes. E com todos os recursos de que a província dispõe, a nível das pescas, indústria mineira, turismo e outros, o desenvolvimento do Namibe é mais do que evidente, como conta a seguir a governadora.
 


JORNAL DE ANGOLA - Angola é um país em franco desenvolvimento. Neste âmbito, quais são os exemplos que podemos tirar da província do Namibe?

CÂNDIDA CELESTE
- Muitos. O Namibe é uma província com características especiais e uma das mais prósperas de Angola devido a sua dimensão portuária, aos minerais disponíveis, os seus recursos agropecuários e pelo seu enquadramento no domínio das pescas, para além do potencial turístico natural, favorecido pelo casamento entre o mar e o deserto. A província do Namibe produz de tudo um pouco. Está a crescer e o seu ritmo de desenvolvimento permite que a qualidade de vida da sua população seja considerada satisfatória. Por isso podemos dizer que o Namibe também é uma província em franco desenvolvimento.

JA - Que outros grandes investimentos de impacto social as populações podem esperar para os próximos tempos?

CC
- Dadas as potencialidades que a província dispõe, no campo dos investimentos pretendemos sobretudo apostar no melhoramento da rede viária, com a reabilitação das pontes e desassoreamento dos principais rios. Queremos melhorar os sistemas de abastecimento de água e fornecimento de energia às populações. Contamos com a implementação de um projecto de instalação de uma nova Central Eléctrica. Estamos a concluir o programa de construção de 200 fogos nos municípios da Bibala, Camucuio, Tômbwa e Virei,  com as suas respectivas infra-estruturações. A fim de desenvolver o meio rural, temos um projecto de construção de 50 casas evolutivas que vai garantir a organização e urbanização das aldeias. Vamos proceder a reabilitação total do hospital N´Gola Kimbanda, com a introdução dos principais serviços especializados. As obras já começaram. Vamos reabilitar e ampliar postos de saúde, com a criação de espaços para internamento, em todos os municípios. Vamos igualmente incentivar a prática da aquacultura no interior da província, bem como captar investimentos, com parcerias privadas, para o potenciamento do sector das pescas, com particularidade para o fomento da indústria de conserva de peixe e da construção de pequenas embarcações. Por outro lado, vamos fazer o acompanhamento dos programas de reabilitação e revitalização das salinas, e construir novas unidades de salga e seca de peixe. Contamos com isso produzir muito mais sal no ano que vem. Para o ano 2013, o Executivo provincial prevê uma carteira de investimentos para as áreas sociais, económicas e das infraestruturas, aproximadamente na ordem dos seis mil milhões de kwanzas, sobretudo nos domínios da educação, saúde, energia e águas, redes viárias e saneamento básico. Estes são os projectos que temos e que deverão merecer investimentos, independentemente dos estudos que já se encontram sob responsabilidade do Planeamento e que carecem de aprovação.   

JA - A circulação de pessoas e bens melhorou significativamente, graças a investimentos feitos na construção e reabilitação de estradas. O que foi feito ou está a ser feito, de concreto, neste particular?

CC
- Melhoraram consideravelmente as vias que ligam o Namibe ao Virei e Tômbwa ao Virei. Na Estrada Nacional 280, que liga à Huila, estamos a reabilitar uma via que irá servir de alternativa para chegar àquela província, passando pelo Munhino e Bibala, onde criou-se um troço que vai até ao município do Kamukuio, passando pela localidade de Kaitou. Provavelmente, até ao fim de 2013 será completamente asfaltada. Da sede do Kamukuio ao Mamué temos também uma via bastante larga e em condições, embora tenhamos dificuldades em colocar pontes nesta e noutras vias terciárias, o que torna o acesso difícil em tempo de chuva, devido aos rios secos. O troço Kamukuio/Cacimbas, com cerca de 60 quilómetros, era um lugar péssimo, em que não se conseguia circular em condições devido a quantidade de pedras que dava cabo das viaturas. Felizmente conseguimos reabilitar o mesmo e julgo que nos próximos dias vamos inaugurar. Também está em reabilitação a terciária que liga Bibala a Lola, uma localidade produtiva bastante importante para o desenvolvimento agrícola do município da Bibala. Esta via terciária vai nos ajudar bastante, apesar da quantidade de pontes a colocar. Pensamos que no princípio de 2013 iremos concluir os trabalhos. Brevemente procederemos a inauguração das estradas nacionais que vão do Namibe ao Tômbwa, até a ponte do rio Curoca, e Namibe/­Bentiaba/­Lucira/­Benguela.

JA - Estas acções têm ajudado a facilitar a implementação do programa de combate à fome e à pobreza? Quais os principais constrangimentos?

CC -
Já se sente um alívio no seio da população. As motorizadas, por exemplo, já conseguem circular sem pôr em risco os seus utentes, chegando até às localidades mais remotas e levando até mesmo mercadorias. Estas acções têm permitido que os nossos parceiros sociais, engajados na implementação de projectos sociais e económicos, no quadro do programa de combate à fome e à pobreza, atinjam todas as áreas eleitas para construção de infraestruturas. Ao mesmo tempo, os comerciantes têm facilitados os acessos às áreas de comercialização. Os estudantes circulam com mais facilidade para as suas escolas. Os principais constrangimentos registamos nas áreas onde os rios não estão desassoreados. Não existem pontes hidráulicas, e nas épocas chuvosas encontramos dificuldades na circulação de uma localidade para outra.

JA - A agricultura é apontada como uma das principais formas das populações resistirem à fome, e até mesmo fazer algum negócio. Como anda este sector a nível da província?

CC
- Apesar das enxurradas, e agora o período de estiagem, o sector da agricultura tem envidado esforços para que se opere a reposição das culturas habituais como o tomate, cebola, batata-rena, batata-doce, feijão e frutícolas. Neste período estamos a trabalhar na reactivação das fábricas de produção de azeite-doce, no aumento da produção de olivais, com 26 unidades produtoras numa área estimada em cerca de 300 hectares. Estamos a prever a recepção de 3.500 oliveiras, bem como 3.000 pés de vinha. Acreditamos que o azeite-doce local vai aparecer nas nossas mesas mais cedo do que esperamos, e termos uvas nacionais de qualidade, o que nos orgulha muito. Procedemos a entrega de imputs agrícolas e sementes diversificadas para apoiar os camponeses e agricultores da província. Destacamos também a produção de tomate, cultura que é feita ao longo de todo o ano e que pelo excedente de produção, clama já pela implantação de uma fábrica local para a sua transformação. 

JA - A pesca é uma das principais fontes de alimentação para o povo do Namibe. A actividade é devidamente controlada pelas instituições de direito?

CC
- Sim, a actividade piscatória na província está devidamente controlada. Existe a Associação Provincial de Pescas, órgão forte e devidamente organizado que pontualmente tem procurado encontrar as respostas para os problemas do sector. Por outro lado, a direcção provincial das Pescas, através dos seus órgãos de execução, como a fiscalização e os centros de Apoio à Pesca Artesanal, recentemente inaugurados no município do Tômbwa e comuna da Lucira, tem procurado apoiar e incentivar os pescadores do sector informal para o aumento da capacidade de salga e seca do pescado.

JA – Comenta-se que a Academia de Pescas do Namibe será a maior de todo o continente africano. O que isso significa para o governo provincial e para a população em geral da província? 

CC - É verdade. É um orgulho para nós. Significa uma mais valia para o desenvolvimento da província em geral, e do sector das pescas em particular. Significa igualmente que o Namibe está em franco desenvolvimento e preparado para a recepção de estudantes de todos os pontos de Angola e doutros países da SADC, para as diversas faculdades que existirão na Academia de Pescas. Isto também vai obrigar a criação de serviços complementares, como um internato para os estudantes e um complexo habitacional para os quadros docentes. Esperamos com expectativa a conclusão das obras da  Academia, pois a mesma irá gerar muitos empregos e facilitar muitos estudantes que pensam em emigrar para outras províncias por falta de universidades no Namibe.

JA - A província encontra-se numa região privilegiada em termos de criação de gado. Existem muitos criadores a nível do Namibe? Como está o combate ao roubo de gado bovino na região?

CC
- Sim, a província tem um número considerável de criadores de gado. Sabemos que o povo mucubal é na sua essência criador de gado, e neste âmbito o Governo tem apoiado os criadores com projectos de reposição de animais e criação de condições para o seu pasto. Através do BDA, criou-se um projecto denominado Programa Integrado de Desenvolvimento Pecuário, a ser implementado no município do Virei para a criação de melhores condições da qualidade e reprodução do gado caprino e ovino (ovelhas), produção de feno e melhoramento de raças. Com este projecto a população vai beneficiar de um matadouro industrial, reduzindo assim os níveis de importação de carne. Relativamente ao furto e roubo de gado, é um fenómeno que preocupa as autoridades governamentais, policiais e tradicionais. Porém, foi criada a Brigada de Combate ao Furto e Roubo de Gado, que tem vindo a envidar esforços e a tomar medidas para contrapor este fenómeno nas áreas de maior propensão para as acções delituosas. O Namibe está de parabéns porque até as autoridades tradicionais estão a agradecer o trabalho que o interior tem estado a fazer.

JA - O sector da Saúde enfrenta muitas carências a nível de quadros especializados. Para quando a implementação de uma escola média de Saúde no Namibe?

CC -
O sector tem estado a beneficiar de novas infraestruturas. Contamos com um centro básico de enfermagem que está em vias de se transformar em Instituto Médio de Saúde. Já estamos a criar novas infraestruturas para servir aos professores que virão leccionar neste instituto. Esta é uma acção necessária e uma preocupação de toda a população. A maioria dos quadros que temos são técnicos básicos. Mas julgamos que brevemente esta situação será ultrapassada, com a criação do Instituto Médio de Saúde.

JA - O porto mineiro da província é considerado um monstro adormecido. Para quando a sua recuperação? 

CC
- Realmente, durante muitos anos o porto mineiro esteve adormecido. Dada a sua importância estratégica neste momento está a ser alvo de tratamento. Estão a ser removidas todas as sucatas existentes no local e a criar condições necessárias para a sua recuperação e reabilitação total. Agora com o movimento do caminho-de-ferro de Moçâmedes constitui um passo importante para que o porto minelareiro entre em funcionamento. Este é um projecto do âmbito do Executivo central.

JA - A indústria do turismo na província está ou não devidamente potenciada? Gera lucros?

CC -
Não, ainda não. Mas temos vindo a incentivar os nossos operadores turísticos para o incremento do turismo na província, porque potencialidades turísticas não nos faltam. Recentemente realizamos o Fórum de Desenvolvimento do Turismo do Namibe que produziu um conjunto de sugestões de incentivos às iniciativas do Executivo sobre o desenvolvimento da actividade turística na província do Namibe. O nosso território é um dos mais privilegiados do país, porque tem mar, deserto e uma fauna e flora ímpares. Este magnífico quadro natural dá um sentido único para o desenvolvimento da industria turística. Não gera lucros, pois não está devidamente organizado, embora existam alguns operadores turísticos que se encontram na fase de implementação dos seus projectos e estejam a concluir os estudos para posterior aprovação do governo provincial.

JA - Temos notado alguma preocupação da parte do governo da província em relação à protecção da Welwitchia Mirabilis. Quais as razões e qual a actual situação?

CC
- Qualquer espécie rara é sempre uma preocupação para quem a detém. A Welwitchia Mirabillis é um cartão de visita do nosso deserto, símbolo de orgulho do nosso país, uma planta exótica, única e rara em todo o mundo. Daí a necessidade da sua preservação e de nos preocuparmos com a sua conservação. Ao longo do deserto, sobretudo na via Tômbwa/Iona, temos longas extensões desta planta. Temos apelado aos turistas ou transeuntes para que não circulem com as viaturas em lugares onde elas estejam a se reproduzir. Temos a Welwitchia Gigante, que é a que nos preocupa porque é a única a nível do país e que infelizmente tem sido vítima dos turistas, que a espezinham e maltratam no intuito único de tirarem fotografias sobre ela, provocando a destruição das suas folhas. Para sua protecção, orientamos a administração municipal do Tômbwa a vedar o espaço que a circunda.

JA - Uma das principais preocupações dos angolanos tem a ver com a aquisição de uma casa própria. Como é que o governo da província do Namibe está a dar resposta a este problema?

CC
- A questão da habitação é uma preocupação do governo da província que tem já gizado um programa de construção de habitações para facilitar o acesso aos técnicos e à juventude. É neste âmbito que do programa do Ministério da Juventude e Desportos, temos estado a entregar habitações sociais na localidade do Saco-Mar, perfazendo 190 casas para os jovens. Já entregamos 100, e este mês vamos entregar as outras 90 casas. As mesmas estão a ser vendidas à juventude através de um banco. A nível dos municípios e no meio rural, temos em execução o programa de construção de casas evolutivas para as populações mais carenciadas, e vamos iniciar o processo de urbanização do meio rural. Ainda no âmbito dos 200 fogos, decretado pelo Executivo Central, estão em construção em todos os municípios, com excepção da sede da província, habitações que servirão para entrega e venda aos técnicos e funcionários das áreas. Na sede da província, no município do Namibe, contamos com a construção de quatro mil fogos do projecto da SONIP que prevê a sua conclusão até ao final do ano de 2012. Ainda assim é relevante o papel da população que continua a requerer espaços habitacionais para a autoconstrução, e com agrado estamos a ver o Namibe a crescer vertiginosamente, acção que reconhecemos e agradecemos pelo esforço de todos os namibenses.

JA - O abastecimento de água potável no bairro 5 de Abril, considerado o mais populoso de toda província, é deficiente. Que estratégias existem para se inverter este quadro?

CC
- É verdade que esta é uma das grandes preocupações do Executivo provincial. Para o bairro 5 de Abril, estamos a melhorar a capacidade da captação do Benfica e distribuiremos uma torneira por cada residência, de forma a que este precioso líquido chegue minimamente a cada família. Julgamos que colocando uma torneira em cada casa poupamos mais água do que colocando fontenários que muitas vezes são banalizados e destruídos. Temos ainda alguns constrangimentos porque nesta altura o lençol de água é baixo, no entanto, a estratégia é melhorar o abastecimento de á­gua potável no bairro 5 de Abril e outras áreas com esta carência. Lamentamos o facto de que alguns munícipes inconscientes têm vindo a vandalizar a tubagem e a desviarem os tubos dos projectos em curso.

JA - Em que situação se encontram as famílias sinistradas durante as últimas cheias? Poderão ser contemplados com a criação de um novo bairro, como os do 5 de Abril?

CC
- Infelizmente continuam a aguardar por melhores condições. Neste entretanto, recebem, dentro do possível, apoios do governo, através do Minars, com abastecimento de água e outras condições mínimas. O governo provincial está a trabalhar na construção de 50 casas evolutivas e na construção de uma escola definitiva. São obras que infelizmente estão atrasadas porque o empreiteiro suspendeu-as, dando-nos um golpe, mas já reiniciaram e contamos que brevemente serão concluídas e entregues. O Bairro onde estão actualmente chama-se 4 de Março, está a ser infraestruturado e pensamos que futuramente superará o bairro 5 de Abril.

JA - Uma das consequências das cheias foi a destruição da Ponte sobre o rio Giraúl. Para quando a construção de uma nova ponte?

CC
- Brevemente. Já estão feitos os estudos técnicos e passos positivos estão a ser dados para o início das obras. O projecto é da competência do Ministério do Urbanismo e Construção.

JA - Como é que a província está a se preparar para o grande desafio que se aproxima, que são as eleições gerais de 31 de Agosto próximo? Qual é o número da população votante?

CC
- A província está bem preparada e os seus munícipes conscientes do que vai acontecer. Temos vindo a apelar para a importância do acto, do seu papel como cidadão e da necessidade de cada um se sentir verdadeiramente angolano. Vivemos e convivemos na paz, harmonia e respeito pelas opções de cada um. O mais importante é que cada cidadão vá às urnas para depositar o seu voto e contribuir para a escolha dos nossos futuros dirigentes do país. Estão preparados para votar 170.124 cidadãos namibenses.

JA - A cidade do Namibe foi escolhida para ser uma das sedes do Mundial de Hóquei em Patins de 2013. Como é que o governo provincial acolheu esta notícia e como é que se está a preparar para o evento?

CC -
Acolhemos com bastante satisfação e é para nós uma grande honra termos sido eleitos para albergar uma das fases do Mundial de Hóquei em Patins. Estão em reabilitação, quase em fase conclusiva, dois pavilhões gimnodesportivos e estão criadas as condições para o início da construção de um pavilhão multiuso concebido para esta finalidade, sob responsabilidade do Ministério da Juventude e Desportos.

JA - Fala-se na reabilitação da Marginal do Namibe. Existe já um projecto elaborado?

CC -
Sim. É um projecto de carácter Central, está em estudo e inserido no âmbito da nova centralidade do Namibe. Aguardamos pelos passos subsequentes.

JA - Que mensagem deixa para os namibenses nesta fase crucial que o país atravessa?

CC
- Gostaria de apelar aos habitantes do Namibe que haja tranquilidade, paz e confiança no nosso Governo. Somos um povo unido, esclarecido. Não nos deixemos levar por situações que possam nos conduzir a conflitos. Devemos estar preparados para, como cidadãos e com educação cívica, saber como ir às urnas e o que devem fazer. Todos devem votar. Ninguém deve ficar em casa, porque é um bem para todos nós.

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