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Académicos estudam deserto do Namibe

João Upale | Namibe

Académicos de Angola e de Portugal vão, em breve, estudar as principais afinidades e diferenças entre as populações desde sempre que se cruzaram no deserto do Namibe.

Comunidades que desde tempos imemoriais habitam o deserto do Namibe desde o litoral ao interior da Namíbia estão a ser estudadas
Fotografia: Jornal de Angola

De acordo com o investigador em Biodiversidade da Universidade portuguesa do Porto, Jorge Rocha, o projecto visa a caracterização humana das populações que habitam o deserto do Namibe, com maior incidência nos estudos antropológicos e genéticos das populações autóctones. O estudo vai tentar perceber quais foram as principais migrações que deram origem ao povoamento desta região de Angola, por se considerar muito importante para que se possa perceber o povoamento e as migrações em toda a África Austral.
Os hereros constituem a maior comunidade do deserto do Namibe, que têm nos mucubais os grandes conhecedores de todas as rotas da água e dos pastos. “Esta é uma região fundamental para perceber o segredo das movimentações humanas que deram origem ao povoamento da África Austral,” afirmou.
O director do Instituto Superior de Ciências de Educação (ISCED /Huíla), Raimundo Amizelak, frisou que este é um projecto puramente de investigação, que resulta de uma colaboração estabelecida entre o Instituto Superior de Educação da Huíla (Angola) e o Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade do Porto, Portugal. O administrador do município do Tômbwa, João de Freitas, congratulou-se com o projecto, já que permite estudar vários  grupos étnicos que têm no deserto do Namibe o seu berço e habitat. Entre os habitantes estão pequenas comunidades dos koisan, muncuancalas, cuisses ou mucuisses. Este grupo corre riscos de extinção.

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