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Administração do Namibe põe ordem na venda

João Upale

Vendedores dos mercados informais na periferia da cidade do Namibe abandonam os locais mais seguros construídos pelo Governo Provincial e vendem os produtos nas ruas em condições impróprias de higiene o que constitui um atentado à saúde pública, anunciou o administrador municipal, Armando Valente.

Pormenor da cidade piscatória do Namibe onde os vendedores ambulantes fazem o seu negócio e desrespeitando as regras
Fotografia: Afonso Costa

Vendedores dos mercados informais na periferia da cidade do Namibe abandonam os locais mais seguros construídos pelo Governo Provincial e vendem os produtos nas ruas em condições impróprias de higiene o que constitui um atentado à saúde pública, anunciou o administrador municipal, Armando Valente.
 Em declarações à imprensa, no quadro das festividades do 161º aniversário da fundação da cidade, Armando Valente disse que para pôr cobro à situação, a administração do município proibiu as vendas nas ruas e em locais inadequados para encorajar os vendedores ambulantes a ocuparem os mercados que oferecem mais segurança e tranquilidade.
O administrador municipal disse que os três mercados construídos pelo Governo Provincial têm excelentes condições e há muito espaço disponível. O mercado 5 de Abril, o principal da cidade, tem 1.700 lugares vagos e todas as condições para os vendedores.
O mercado do Valódia tem capacidade para dois mil vendedores e tem neste momento 150 lugares. O caso que mais preocupa o administrador Armando Valente é o “excelente mercado” do Saco Mar e que está completamente vazio. “era uma irresponsabilidade da minha parte ou de qualquer outro gestor público construir mais praças na cidade do Namibe, como algumas pessoas reclamam, sem ter esgotado a capacidade instalada dos mercados que há muito estão a funcionar,” disse Armando Valente.
 Muita gente na cidade do Namibe tem o seu ganha-pão na venda ambulante, mas “as vendas de rua não podem servir de desculpa para tantas pessoas, sobretudo jovens saudáveis, abandonarem os centros de produção. Só há mercado se houver produtos”, disse o administrador do Namibe que considera importante acabar de vez com a venda nas ruas, também porque faltam braços que produzam. Armando Valente recusa aquilo que está a acontecer na cidade: “centenas de pessoas estão a transformar cada esquina do Namibe num mercado e a administração não pode admitir essa situação, até porque queremos saber quantos vendedores existem e aonde estão para lhes darmos as melhores condições e defendermos os consumidores”
O administrador municipal disse que há muitas pressões para fazer mais um mercado na cidade mas “empregar dinheiro público noutro mercado enquanto os actuais não forem completamente ocupados é desperdício e nós temos instruções muito claras para acabarmos com o desperdício”.
Para Armando Valente a solução para o problema da venda ambulante está na eficácia de políticas locais e do Executivo: “temos de criar emprego, temos de ter boas estradas, é preciso levar água e luz a todas as comunidades, temos de reforçar o sector da educação e sobretudo o ensino técnico profissional. Só assim conseguimos acabar com as vendas de rua e vamos de encontro às expectativas, às ansiedades e às preocupações das populações. Mas o ganha-pão tem que estar regrado e normalizado”.  
Armando Valente sublinhou que as pessoas encontram um modo de vida através da venda informal e isso permite-lhes combater a pobreza. Mas também lhes dá dignidade porque prestam serviços úteis à comunidade: “nós reconhecemos tudo isso e estamos sensibilizados para o problema mas é preciso que os serviços fornecidos também tenham alguma qualidade e sobretudo higiene.
 
Mercado do peixe
 
O Governo Provincial construiu um mercado para venda de peixe, que inclui balneários públicos para quem anda na zunga pelas ruas da cidade. Hoje, o mercado do peixe, adjacente ao porto, está numa situação lastimável, praticamente inoperante. Os balneários públicos estão cheios de lixo.
Quando ainda funcionava o mercado do peixe, a maior parte das vendedoras abandonava as instalações e vendia o peixe nas ruas, quase sempre à porta de estabelecimentos comerciais, alegando que os clientes nunca iam ao mercado.
As vendas de peixe nas ruas são feitas sem qualquer higiene e ninguém tem, garantia de que aquele peixe, horas seguidas ao sol, esteja em condições de ser consumido. Nuvens de moscas sobrevoavam as bacias e poisam no pescado. Mesmo assim há clientes que compram. E como sempre aparecem clientes que não têm qualquer preocupação com a higiene e a qualidade, as vendedoras insistem em andar pela rua, ao sol, a vender o peixe.
O administrador do Namibe diz que faz falta informação aos consumidores. As pessoas precisam de saber que correm riscos muito grandes quando consomem produtos estragados: “o bom cliente não é aquele que chega e compra logo, mesmo sem saber se o produto é fresco e está acomodado com higiene. Temos de informar as pessoas para serem mais exigentes. Se os consumidores forem informados, a venda de rua começa a diminuir”.
Armando Valente disse que as desculpas levantadas em relação à insuficiência de espaço nos mercados servem apenas para justificar a renitência de muita gente de má fé que não quer acatar as medidas tomadas pela administração, porque as pessoas querem é vender em sítios descontrolados: “dizem que os produtos antes de serem consumidos são lavados ou cozidos e por isso não há problema para a saúde. Mas eu quero saber se os produtos de consumo humano estragados ficam bons só porque são lavados ou cozinhados ”.
O administrador do Namibe assegura que nos mercados informais, sem controlo ou fiscalização, “há uma grande desordem e tudo é vendido incluindo droga e outros produtos que põem em causa a boa convivência da juventude”.

Aulas de alfabetização

A Administração Municipal, disse Armando Valente, tem a obrigação de proteger toda a gente, consumidores e vendedores: “na confusão dos mercados informais há muitos perigos e o menor não é de certeza a presença de meliantes que assaltam clientes e vendedores”.
Armando Valente lembrou que “o grande benefício dos mercados oficiais é que os vendedores deixam os seus produtos guardados em segurança, em boas condições e a administração do mercado é fiel depositária. Vendem em condições higiénicas e sanitárias.
Todos os mercados estão apetrechados com salas de alfabetização e todos os vendedores têm a possibilidade de superar o seu nível de escolaridade.
Armando Valente afirma que muitos vendedores dos mercados são hoje empresários, por acatarem os conselhos da administração. E os restantes “não estão condenados a ser sempre vendedores do mercado, podem evoluir”, disse o administrador municipal.
Armando Valente informa que depois de ser preenchida a capacidade instalada dos três mercados da cidade, os vendedores que ficarem de fora também vão ter um lugar que o Governo Provincial já mandou terraplenar e compactar: “inclusive está indicado um responsável para esse mercado. Não temos qualquer intenção de acabar com a forma de ganhar o pão dos que vivem da venda ambulante”.
O administrador disse que “não nos opomos aos zungueiros, desde que não criem praças nas esquinas e tenham a capacidade e energia para girar pela cidade.
 O que não queremos é amontoados de tomate e de outros produtos no chão, nas ruas e ruelas, numa esquina ou em qualquer ponto da cidade quer da periferia. Temos de pôr ordem nessas actividades”. Salomé Jaime 26 anos, tem dois filhos. Vende peixe na rua há mais de cinco anos. Diz que quando fica dentro dos mercados os clientes não aparecem e compram aos vendedores de rua: “assim o nosso negócio fica sem saída e o peixe apodrece.” Adelina da Conceição prefere comprar o peixe dentro do mercado “onde há conservação e o tratamento aos produtos corresponde às medidas da segurança alimentar, evitando que poeiras, moscas e bactérias penetrem no peixe”.

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