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Aulas de religião nas escolas públicas

João Upale | Namibe

O padre da Igreja Católica no Namibe, Abel Carlos Calanje, defendeu a inclusão nos currículos académicos da disciplina de Educação Religiosa, de modo a incutir no seio da sociedade, principalmente na camada jovem, comportamentos que mais se adequam com a identidade sociocultural do povo angolano.

O sacerdote, que dissertava numa palestra subordinada ao tema “A preservação da cultura da paz no seio da juventude”, promovida pelo Conselho Provincial da Juventude (CPJ), disse que, para isso, é preciso que se entre na "escola da paz", que é a Igreja.
O padre Abel Calanje avançou que embora o Estado seja laico, não se pode esquecer que Angola é uma Nação religiosa. "Nós precisamos de recuperar a cultura da disciplina de religião nas escolas públicas, pois a cadeira de Educação Moral e Cívica é outra coisa", salientou. O religioso chamou a atenção dos munícipes do Namibe para que entendam que os homens são iguais entre si e, por isso, devem saber viver na tolerância, na convivência da diversidade na unidade.
Estas questões, reforçou o sacerdote, são abordadas na disciplina de Educação Religiosa, que ajuda os pais e as famílias a educarem melhor os seus filhos. "A educação do homem deve começar no berço, na família e, com ela, a religião", aponta.
Para reforçar o seu argumento, o padre Abel Calanje deu o exemplo de alguns líderes angolanos que passaram nos seminários, nas casas de formação religiosa, nos internatos, destacando a figura do Presidente da República, José Eduardo dos Santos, como produto de uma ­educação religiosa implantada pela família, que era cristã. “Coloco como um desafio do país: a educação na paz. Nós precisamos de ser educados na paz, porque há pessoas que vivem neste tempo de paz, mas com a mentalidade do período da guerra”, insistiu o padre, que defendeu uma sociedade que cultive mais o amor, acolhendo o próximo, independentemente do que tenha acontecido.
O padre disse que se deviam multiplicar os exemplos do líder da Nação, que perdoou todos os seus irmãos que estavam do outro lado da guerra. “São poucos os angolanos que fazem isso.”
O também docente universitário disse estar igualmente preocupado com a delinquência juvenil e a violência no seio da sociedade, que são consequências de falta de formação da consciência verdadeira.

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