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Aumenta o número de pessoas no Namibe interessadas em conhecer o estado serológico

Manuel de Sousa | Namibe

A província do Namibe registou, de Janeiro a Dezembro de 2012, 572 casos positivos de VIH-Sida, entre 17.000 testes voluntários realizados.

Várias campanhas de sensibilização têm sido realizadas em todo o país para se evitar a propagação da doença e a discriminação
Fotografia: Dombele Bernardo

A província do Namibe registou, de Janeiro a Dezembro de 2012, 572 casos positivos de VIH-Sida, entre 17.000 testes voluntários realizados.
O chefe de departamento de Saúde Pública e Controlo de Endemias, Franco Mufinda, disse ao Jornal de Angola que a taxa de prevalência da doença mantém-se entre os 2,4 e três por cento desde 2006.
Franco Mufinda aconselha as pessoas portadoras do vírus, que conhecem o seu estado serológico, a evitarem contaminar, de forma consciente, os seus parceiros sexuais, referindo que isso tem sido frequente na província, afectando principalmente raparigas adolescentes.
“É um fenómeno que infelizmente vivemos no Namibe, provocado sobretudo por pessoas com relativa posse financeira e que, conhecendo o seu estado serológico, fazem a transmissão dolosa da doença a raparigas inocentes e ingénuas”, disse, chamando a atenção dos lesados para denunciarem estes casos.
O responsável apelou igualmente aos portadores da doença a recorrerem aos centros hospitalares. “Há medicamentos que chegam, o tratamento é grátis e quem não conhece o seu estado serológico que vá a um centro de saúde para saber”, aconselhou.
O Namibe tem dois centros de aconselhamento e testagem voluntária (CATV), sendo um no município sede e outro no Tômbwa, além de 11 salas de testagem nos cinco municípios da província e dois postos de tratamento, no âmbito do programa de corte de transmissão vertical, no Namibe e Tômbwa.
“Continuamos com as portas abertas, fazendo também a testagem de forma ambulatória, porque temos as clínicas móveis e salas de aconselhamento em todos os municípios.
Estamos ainda a fazer a prevenção através do corte de transmissão vertical de mulheres grávidas, no município sede e Tômbwa”, lembrou. Desde o surgimento dos primeiros casos de VIH/Sida na província do Namibe, em 1998, até 2005, cerca de 6.000 pessoas realizaram testes voluntários.
Depois, o número triplicou, devido ao maior acesso à informação e à adesão aos postos de aconselhamento e testagem voluntária, segundo Franco Mufinda.
“A impressão é que há maior acesso à informação. Houve o alargamento dos nossos serviços a nível das comunidades. A população hoje acredita no tratamento que, apesar de não curar, melhora a qualidade de vida”, frisou.
A direcção provincial da Saúde no Namibe tem levado a cabo um conjunto de actividades que englobam a formação dos profissionais que lidam com as acções de combate ao VIH/Sida, além do aconselhamento e a testagem voluntária, a última das quais foi realizada em Dezembro último, com 200 análises feitas, que permitiram detectar quatro casos positivos.

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