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Autoridades trabalham para dar mais água potável

Baptista Marta| Namibe

A quantidade de água potável que se produz no Namibe é insuficiente e a Direcção Provincial de Energia e Águas quer aumentar o actual nível de abastecimento de 420 metros cúbicos por hora para mais de 900 metros cúbicos entre 2012 e 2020.

O crescimento populacional dos últimos anos obriga o Governo a investir no aumento das infra-estruturas de abastecimento de água
Fotografia: Baptista Marta

A quantidade de água potável que se produz no Namibe é insuficiente e a Direcção Provincial de Energia e Águas quer aumentar o actual nível de abastecimento de 420 metros cúbicos por hora para mais de 900 metros cúbicos entre 2012 e 2020.
De acordo com Arlindo Tavares, director provincial de Energia e Águas, a população do Namibe, estimada em mais 500 mil habitantes, só vai ser plenamente abastecida com água quando for redimensionada a captação do Benfica, que é a principal e de maior produção, e as do Kussy e Boavista. Também é preciso construir mais tanques de distribuição. 
A captação do Kussy foi projectada para um período de oito a dez anos e já ultrapassou esse tempo de vida útil. Mesmo assim, até 2004 ainda respondeu às necessidades dos consumidores. Nos últimos cinco anos surgiram problemas, sobretudo durante o cacimbo. O bairro 5 de Abril começou com poucas dezenas de milhares de habitantes e agora, segundo o censo do Serviço Provincial de Águas, tem mais de 400 mil habitantes.
No bairro 5 de Abril vai ser instalada uma nova captação, acabando com a dependência do bairro Forte Santa Rita. "É imprescindível a criação de uma nova rede de abastecimento no bairro Valódia, onde surgiram novas urbanizações, para melhorar as condições de vida dos seus habitantes e apoiar a sua actividade quotidiana", afirmou Arlindo Tavares.
O abastecimento de água no Namibe tem sido ineficiente nos últimos tempos, devido às constantes avarias no sistema eléctrico. Outro problema tem a ver com a rede, que foi criada para abastecer 40 mil habitantes e hoje serve mais de 500 mil pessoas. As canalizações estão velhas e contribuem para as deficiências no abastecimento.
O Governo Provincial tem apostado no saneamento básico e há poucos anos construiu o Laboratório de Água, que custou mais de 270 mil dólares, e que tem permitido que a população consuma água química e bacteriologicamente pura.
Segundo Arlindo Tavares, o problema do abastecimento de água tem a ver com a degradação das infra-estruturas. As adutoras são de fibrocimento e têm mais de 74 anos de vida. Acrescentou que o fornecimento de água ao domicílio se situa, actualmente, entre 20 e os 30 litros por habitante, no casco urbano, enquanto a população das zonas periféricas, na sua maioria abastecida por fontenários, tem um consumo entre  os oito e os 11 litros por habitante.
Devido ao clima desértico, que caracteriza a província, há uma drástica redução no abastecimento de água, em particular no tempo de calor, em se verifica maior consumo. A Direcção Provincial de Águas propôs ao governo o reforço dos sistemas de abastecimento com a construção de mais furos, sobretudo na captação central do Benfica.
Arlindo Tavares frisou que a falta financiamentos ao longo dos anos, tornou impossível renovar ou alterar o actual sistema de captação, tratamento e distribuição de água, que na generalidade se apresenta saturado. Para agravar a situação, "há falta de materiais de reposição no mercado local, o que tem dificultado o trabalho da Direcção Provincial Águas", afirmou Arlindo Tavares.

Água para todos

O Programa "Água para Todos" inclui a instalação de laboratórios móveis para análises e a formação técnica para a manutenção dos equipamentos. A Direcção Provincial de Energia e Águas garante que com este projecto é possível atingir pelo menos 43 por cento da população e definir uma escala de prioridades ajustada às necessidades reais de abastecimento regular de água de cada localidade, com vista a diminuir a pobreza e a mortalidade infantil no meio rural.
O Programa "Água para Todos" está a funcionar em pleno nos municípios da Bibala, Camucuio e do Virei, comuna de Cainde. Está em estudo a reposição de pequenos sistemas de abastecimento nas comunidades rurais a partir de furos e a colocação de bombas volantes para colmatar a falta de água.
A província do Namibe tem sede. Há populações inteiras sem acesso à água mas o problema também se coloca no que diz respeito ao consumo animal. No quadro do Programa "Água para Todos" estão em construção "chimpacas" com uma tecnologia apropriada para captar a água no período das chuvas para depois conservá-la durante os meses de cacimbo. "Os estudos e o levantamento das necessidades já estão feitos nos municípios do Camucuio e Bibala. A seguir são feitos no Namibe, Tômbwa e Virei", referiu o director provincial de Energia e Águas.
O município do Camucuio conta, desde o ano passado, com um sistema de distribuição e fornecimento de água, instalado no âmbito do Programa "Água para Todos". Foi um passo em frente, na solução dos problemas das populações, que antes tinham de se deslocar longas distâncias para acarretar água no rio, em condições higiénicas pouco recomendáveis.
Com uma população de 500 mil habitantes, a província do Namibe, em termos de abastecimento de água, é tributária da bacia hidrográfica do rio Cunene, dos cursos de água não permanentes do Bero, Inamangando, Giraul, Bentiaba e Curoca, e das lagoas temporárias do Curoca e do vale do Inamangando.
Embora ainda haja outras linhas de água, são estes os principais pontos de fornecimento à rede doméstica e industrial. Mas especialistas atestam que debaixo do deserto do Namibe existe um enorme potencial de águas.
 
Falta um inventário

O sector das Águas no Namibe enfrenta dificuldades, que vão desde a falta de meios de transporte, o reduzido número de técnicos e a escassez de infra-estruturas de armazenamento dos materiais.
“O inventário dos recursos de água subterrânea, a explorar, dos seis aquíferos existentes, e da água de superfície, é imprescindível para as diversas actividades económicas, desde a agricultura, pastorícia, passando pela indústria”, explicou Arlindo Tavares.

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