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Bibala regista crescimento ao nível de todos os sectores

Vladimir Prata | Namibe

O município da Bibala, considerado o terceiro principal pólo de desenvolvimento da província do Namibe devido à forte actividade agro-pecuária, tem vindo a registar, nos últimos dez anos, passos importantes nos sectores da Educação e da Saúde, aumentando o número de salas de aula e a qualidade no atendimento sanitário.

Município da Bibala em crescimento em todos os sectores
Fotografia: Vladimir Prata

O município da Bibala, considerado o terceiro principal pólo de desenvolvimento da província do Namibe devido à forte actividade agro-pecuária, tem vindo a registar, nos últimos dez anos, passos importantes nos sectores da Educação e da Saúde, aumentando o número de salas de aula e a qualidade no atendimento sanitário.
A localidade obteve grandes e benéficas transformações a nível das infra-estruturas escolares, inserção de crianças no sistema de ensino e aumento de professores com qualificação académica. Até 2002, por exemplo, o município contava apenas com 13 escolas e 119 professores para 4.701 alunos matriculados. Actualmente conta com 22 escolas, desde o ensino primário à formação média, com uma escola de formação de professores e um PUNIV.
No presente ano lectivo estão matriculados um universo de 17.240 alunos que recebem aulas de um total de 510 professores. Estes indicadores representam um crescimento na ordem dos 73 por cento em relação ao ano de 2002, o que se reflecte de maneira positiva na vida das populações, devido a melhoria da prestação de serviços com técnicos qualificados.
Situada a 168 quilómetros da capital da província, a Bibala conta também com duas escolas de formação básica técnica profissional, uma na sede municipal com capacidade de internamento para 60 alunos e outra na Aldeia Rural do Kapangombe e Pupa, com capacidade para 300 alunos. Ambas administram os cursos de serralharia, agricultura, alvenaria, carpintaria, mecânica-auto, electricidade, corte e costura, habilitando a juventude para o acesso ao primeiro emprego.
O sector da Saúde, por seu lado, foi reforçado com o Programa de Municipalização de Saúde a ser implementado em todo o país pelo Executivo angolano, o que tem resultado na melhoria do atendimento e dos cuidados primários.
Em 2002, o município contava com um centro de saúde com capacidade para 15 camas de internamento, bem como oito postos de saúde, dos quais dois de carácter precário, nomeadamente do Tchapi-Tchapi e Quilemba Velha. O sector tinha 70 funcionários, dos quais um médico, 10 técnicos e enfermagem e 59 técnicos auxiliares e administrativos.
De lá para cá foram realizadas acções que resultaram na transformação do centro num hospital municipal com capacidade para 120 camas. Existem agora três médicos expatriados e um técnico superior de enfermagem. No total, o sector da Saúde na Bibala alberga 124 funcionários, dos quais 13 na área de enfermagem geral, 64 enfermeiros auxiliares, seis técnicos de diagnósticos e terapêuticos, entre outros técnicos.
O município tem já 24 postos de saúde, representando 67 por cento de crescimento. Para apoiar estes serviços, foram adquiridos oito viaturas 4x4 para implementação do programa de consultas ambulatórias, distribuídas nas três comunas da Bibala. Foram igualmente entregues nove ambulâncias e um camião para apoiar o programa de luta contra o VIH/Sida.

Energia e Águas


A Bibala contava com um grupo gerador de 150 kva para uma média de 250 consumidores, beneficiando ainda da linha de transportação da energia eléctrica da barragem da Matala. A nível das comunas, o fornecimento de energia eléctrica foi assegurado por um grupo gerador  com capacidade de 30Kvas.
Recentemente este sector foi reforçado com a aquisição de mais um grupo gerador com capacidade para 860 kva. A sede do município conheceu uma remodelação e ampliação da sua rede de iluminação pública e domiciliar. De igual modo, foram adquiridos três grupos geradores com capacidade de 50kvas e distribuídos nas respectivas comunas. Tal permitiu que se fizesse também melhorias nas redes de iluminação pública das sedes comunais.
A nível do sector das Águas, dados fornecidos pela administração municipal revelam que antes de 2002 o município contava com um sistema de distribuição de água por gravidade, com um tanque reservatório com capacidade para 126 metros cúbicos, abastecendo um universo de 5.780 consumidores. Até 2012 houve um melhoramento da rede de distribuição na sede municipal na ordem de 10.000 consumidores. A administração procedeu a construção da captação de água no bairro Matadouro com capacidade de bombeamento de 80 metros cúbicos por hora.
De igual modo, foram abertos 22 furos de água a nível do município, equipados com painéis solares e tanque de elevação com capacidade para 5.000 litros. Houve ainda uma certa melhoria nas redes de distribuição das comunas do Caitou e Lola e na localidade da Quilemba Velha.

Agricultura e pecuária

Em 2002, o sector da agricultura contava com 45 associações de camponeses organizados, tendo evoluído para 107, com 10.307 associados. Um crescimento correspondente a 58 por cento. Um total de 187,7 hectares de terra está preparado e à disposição dos mesmos.
As autoridades locais controlam uma cifra de 112.765 cabeças de gado bovino, o que representa um crescimento de 41 por cento em relação ao ano 2002. Existe um programa do executivo angolano consubstanciado na recuperação dos serviços de veterinária existente a nível do município, para dar cobertura aos programas de profilaxia.
Para o melhoramento e acesso à água para o abeberamento do gado bovino, o executivo municipal traçou programas para a realização de sete projectos de reabilitação e melhoramento de represas, financiados pela Comunidade Europeia.

Aldeia Rural no vale da Pupa

O Executivo angolano lançou um projecto integrado concernente a construção e instalação de uma aldeia rural no vale da Pupa, onde foram erguidas infra-estruturas de interesse social e económico, nomeadamente uma escola com seis salas de aula, um posto sanitário, duas residências geminadas e um armazém para conservação de produtos. De igual modo foram abertos seis furos para irrigação, com sistema de goteamento e de aspersão, e adquirida uma carrinha para o escoamento dos produtos.
Trata-se de um projecto de grande impacto para as populações locais e não só, uma vez que o principal objectivo é proporcionar o aumento da produção e da produtividade agrícola, devido as suas potencialidades climáticas. A Aldeia Rural da Pupa encontra-se na sua primeira fase de implementação.

História da Bibala


A designação de Bibala provém de Ovivala, que na língua Nyaneka significa várias cores, referindo-se às rochas que constituem as serras que circundam a referida vila, de entre as quais as da Chela. Mais tarde passou a designar-se 118, em referência a uma das principais paragens dos antigos Caminho-de-Ferro de Moçâmedes.
Posteriormente passou a designar-se de Konguia, palavra proveniente igualmente do Nyaneka e que significa agulha, devido a mudança de linha-férrea, através da agulha, de uma linha para outra. Este nome perdurou pouco tempo. Em homenagem ao primeiro Presidente de Portugal, Manuel de Arriaga, a vila passou a designar-se de Vila Arriaga.
A mesma começou a evoluir com a chegada do primeiro comboio, no dia 1 de Fevereiro de 1912. Este comboio trouxe à vila diversos comerciantes, então designados de “funantes”, que se organizaram e concentraram na sede da vila, construindo as primeiras residências de adobe, junto a estação do CFM. Segundo o historiador Raf Delgado, em 1869, já existiam na Bibala 10 fazendas agrícolas, pelo que se julga que a vila já era conhecida.
A acção administrativa começou com o Posto Civil de Vila Arriaga, por portaria número 215 de 11 de Novembro de 1916. Mais tarde foi extinto o Posto Civil e criado em sua substituição um Posto Militar de 2ª classe. Presume-se que a fundação da primeira administração ou circunscrição tenha sido feita por portaria número 115 de 21 de Junho de 1918, que estabeleceu a divisão administrativa, tendo sido o seu primeiro administrador o senhor Manuel de Mesquita Lemos.
A Bibala é um dos cinco municípios da província do Namibe, com uma superfície de 7.612 quilómetros quadrados, representando 13,3 por cento da superfície da província. Dista 168 quilómetros da capital provincial. Está limitad a Norte pelo município do Camucuio, a Sul pelo município do Virei, a Este pela província da Huíla e a Oeste pelo município do Namibe.
O clima é temperado médio predominantemente semidesértico, com duas estações do ano, sendo uma chuvosa (Outubro a Abril) e outra seca (Maio a Setembro). As chuvas são escassas. O município  compreende três comunas, nomeadamente Caitou, Lola e Kapangombe. A população é estimada em 211.020 habitantes.

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