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Caça ilegal no Iona é crime com os dias contados

Baptista Marta|Lona

O Ministério do Ambiente divulgou no acampamento Pedra sobre Pedra, um PLANO de acções para a reabilitação e conservação do Parque Nacional do Iona, com vista a impedir o acesso ilegal de comerciantes e de caçadores furtivos que continuam a violar esta área protegida.

Fotografia: Jornal de Angola

O Ministério do Ambiente divulgou no acampamento Pedra sobre Pedra, um PLANO de acções para a reabilitação e conservação do Parque Nacional do Iona, com vista a impedir o acesso ilegal de comerciantes e de caçadores furtivos que continuam a violar esta área protegida.
A ministra do Ambiente, Fátima Jardim, estava representada pelo secretário-geral do ministério, Sebastião Manuel Leitão, que explicou detalhadamente o projecto, cuja execução começa em Junho e está orçado em seis milhões de dólares financiados pelo PNUD, União Europeia e o Ministério do Ambiente. No conjunto das acções a desenvolver, destacam-se a reabilitação de todas as infra-estruturas degradadas, como a Administração do Parque, Postos Fiscais e de Observação, criação de um corpo administrativo e de fiscais e a aquisição de meios de transportes e de telecomunicações adequadas.
O Governo Província apoia activamente a todas as actividades do projecto e fornece serviços como saúde, educação, segurança e infra-estruturas. O Ministério do Ambiente prevê a reintegração de antigos militares no corpo de fiscalização do Parque Nacional do Iona, faz a gestão de caça grossa, planeamento da gestão do parque, recolha de dados, utilização dos recursos, comunicações e relações com as comunidades, educação ambiental, formação de fiscais, administração e gestão financeira, apoio a iniciativas de investigação, monitorização do parque e actualização da sinalética.

Deserto do Namibe

O Parque Nacional do Iona faz fronteira com o Oceano Atlântico e é delimitado a Sul pelo rio Cunene e a Norte pelo rio Curoca, a 200 quilómetros do Namibe, no município do Tombwa. A sua delimitação segue o vale Otchifengo, entre os rios Curoca e Cunene, ate às quedas de Monte Negro.
O Parque conta com 15.150 Km2 de paisagem, ecossistemas e eco-regiões diversificadas e é o principal habitat da Welwitchia Mirabilis. Acolhe ainda uma rica diversidade de animais e plantas, conhecidas apenas no Deserto do Namibe.
As altas montanhas de Tchamaline e Cafema atingem mais de 2.000 metros de altitude, onde foram descobertos elementos da distante flora Capensis. O Iona também tem 180 quilómetros de costa atlântica, parte do Grande Ecossistema Marinho da Corrente Fria de Benguela.
Os ecossistemas do deserto e das savanas áridas, que dominam o parque, acolheram grandes manadas de orixes, zebras de Burchell, zebras das montanhas, antílopes, pequenas populações de impalas de cara negra, cudos e elefantes. Com excepção dos antílopes e dos orixes e, em menor escala, da zebra das montanhas, estas populações foram dizimadas durante a guerra e pela caça furtiva. A robusta população de rinocerontes negros encontra-se agora extinta no Iona, enquanto muitos mamíferos de menor porte estão em vias de extinção.
O Parque Nacional do Lona é importante a nível regional, do ponto de vista de conservação, na medida em que forma uma ligação contínua com as extensas áreas costeiras da Namíbia, fornecendo o potencial para formar uma das maiores áreas de conservação transfronteiriças em África.

Património abandonado

O Parque Nacional do Iona foi efectivamente abandonado em 1975 pelas autoridades das áreas protegidas, não tendo um orçamento atribuído ou funcionários efectivos. A fauna original do parque, típica do Bioma do Sudoeste Árido, era extremamente diversificada, incluindo espécies como mabecos, hienas malhadas e hienas castanhas, Protelo, Leão, Leopardo, Chita, Elefante, Zebra da planície, zebra da montanha, rinocerontes, gungas, olongos, guelengues (orix), impalas, cabras de leque.
Hoje muitas espécies desapareceram e no Iona apenas aparecem os avestruzes e pouquíssimas zebras da planície. Mas a foz do rio Cunene mantém-se intacta, com a sua colónia residente de tartarugas verdes e jacarés.
O Parque Natural do Iona tem um grande potencial turístico mas precisa de parcerias institucionais para a realização de estudos ligados à conservação da natureza, estabelecimento de um parque transfronteiriço com o Skeleton Coast Nacional Park, recuperação das espécies e mais ameaçadas e a prática do eco-turismo.
O parque já tem um corpo de guardas, foram formados 11 que entram em acção brevemente.

Caça furtiva

Um dos principais problemas do parque é a caça furtiva indiscriminada, devido à ausência de qualquer corpo de vigilância e de fiscalização na reserva. É preciso evitar a todo o custo a extinção do rinoceronte preto, do lefante, da impala de face preta, do mabeco e do leão.
A presença de gado bovino e caprino dentro do parque, na ordem das milhares de cabeças, tem vindo a alterar  profundamente o equilíbrio natural. O Iona, para alem do rio Curoca, tem 31 fontes naturais e poços, sendo apenas seis de água doce corrente permanente. Estes pontos são de importância vital para as espécies da reserva.
Hoje, a maior parte destes pontos de ágia estão ocupados por pastores e o seu gado “roubando” à fauna selvagemdos seus bebedouros tradicionais e proporcionando condições à caça furtiva.
Ao nível das pastagens, as necessidades dos herbívoros selvagens estão diminuídas fruto da invasão de gado bovino e caprino Ovahimba..

Vias de penetração


A presença de uma estrada dentro do parque, que liga Charojamba à foz do rio Cunen,Espinheira e Ovipaca, torna impossível o controlo de caçadores furtivos. A solução é que seja apenas permitida a circulação de funcionários do Parque do Iona e indivíduos devidamente autorizados, passando futuramente a manutenção destes troços para as competências da administração do parque.
De acordo com o projecto, vão ser criados postos de controlo no Charojamba, Pediva, Ovipaca , Nevamalulo e Monte Negro, para impedir o acesso  ilegal de comerciantes e caçadores.

Turismo da natureza

A vocação turística do Parque Nacional do Iona é indesmentível.E pode render milhões, caso seja explorado com profissionalismo. Mas antes de qualquer projecto turístico é indispensável um plano de recuperação e gestão da área protegida.
A escassos dez quilómetros da entrada principal do parque, existe o campo turístico “Pedra sobre Pedra” propriedade do empresário Álvaro Raul Ferreira. Neste local, existem três bungalôs feitos com material artesanal contendo cada um quatro camas com dois WC, um restaurante, uma cozinha, dispensa construída no interior duma gruta e outros compartimentos.
Também existe o acampamento da ”Orca“, administrado pelo empresário, Gilberto Ferreira Passos que, apesar do seu objecto social estar vocacionado a agência de viagens e turismo, também exerce actividade hoteleira.

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