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Camponeses fazem cultivo em grande escala

João Upale | Namibe

Com os avanços da produção agrícola e com o domínio das técnicas do campo, como desbravar a terra e lançar a semente à terra, a população da comuna da Lucira, no Namibe, já não vive só do peixe. Agora, a agricultura está a despontar e a ser desenvolvida em grande escala.

A região está a viver um grande impulso no sector da agricultura com o surgimento da política bancária de crédito agrícola de campanha
Fotografia: Jornal de Angola

A administradora da comuna, Isaura Trindade, assegurou que a produção agrícola cresceu substancialmente, com todos os vales das povoações do Inamangando, Carojamba e Tumbalunda a ser cultivados. Como resultado disso, muitos produtos, como couve, repolho, tomate, cebola, banana, quiabo, mandioca, batata-doce e rena, cenoura e gindungo estão a inundar os principais mercados de consumo das províncias de Benguela, Huíla e do Namibe.
Isaura Trindade referiu que a comuna, com 89 camponeses, dos quais 50 não associados, está a viver um grande impulso no sector, com o surgimento da política bancária de crédito agrícola de campanha e de investimento.
A administração também tem dado o seu contributo, com a entrega de um tractor e respectivas alfaias, para apoiar a produção e produtividade dos camponeses, constituídos em cooperativas e associações.
Um dos problemas que estes camponeses refere-se ao mercado de consumo, que oferece preços baixos e dificulta o reembolso na totalidade dos créditos bancários.

Fábrica de tomate

Dado o elevado índice de produção, a administradora considera ser fundamental instalar ali uma fábrica de transformação e conservação de tomate. Quanto ao sector da pecuária, a comuna possui 779 criadores de gado, num total de 5.172 cabeças. O sector pesqueiro, que sempre constituiu a alavanca económica da região, conta com seis pescarias, estando apenas metade delas a funcionar com grandes deficiências, dada a sua antiguidade. Isaura Trindade defendeu a necessidade de se reactivar o sector, equipando-o com mais três embarcações semi-industriais, para que as empresas pesqueiras aumentem a sua capacidade.
Ao referir-se às consequências da seca para as populações e seu gado, salientou que “muita gente está a abandonar as suas áreas de residência para zonas mais distantes à procura de melhores condições para o pasto”.

Falta de geradores

A sede da comuna possui um centro de saúde com 32 camas para internamento, e tem um médico, três técnicos médios, seis enfermeiros básicos e dois técnicos de análises clínicas. No entanto, necessita de ser reabilitado e que seja feita manutenção aos painéis solares, além de ser necessário adquirir um gerador eléctrico, para o tratamento nocturno dos pacientes. A instalação desta energia alternativa também ia ajudar a melhorar o funcionamento da casa mortuária, uma vez que o gerador ali existente apenas funciona entre as 18h00 e as 23h00.
Também é necessário construir mais residências para os técnicos deste e de outros sectores, para minorar as dificuldades neste capítulo.
Lucira, em termos de distribuição de energia, é alimentada por um gerador com capacidade de 550 KVA, que gasta por hora cerca de 50 litros de gasóleo e 300 por dia. Para melhorar o funcionamento no abastecimento, Isaura Trindade garante ser necessário mais um gerador, com 81 KVA, e o reforço das verbas para custear os gastos com o combustível.
Além disso, é necessário admitir três motoristas e operadores de geradores, a aquisição de Postos de Transformação e substituir a rede eléctrica a nível da comuna sede. Quanto ao ensino, as aulas são asseguradas por 68 professores.
 A sede da comuna tem uma escola do ensino primário e do primeiro ciclo, com 13 salas, mas é necessário construir pelo menos mais uma para albergar o segundo ciclo e ampliar outras, nas localidades do Inamangando e Tumbalunda e na povoação de Carojamba.
A comuna da Lucira dispõe ainda de um centro infantil, mas que tem falta de pessoal para o seu pleno funcionamento. Situação mais crítica vive-se nos Serviços de Registos, Notariado e Conservatória, que não funcionam por falta de funcionários.
Neste momento, a comuna está sem água canalizada, devido a uma avaria na bomba. Assim, o abastecimento é feito através de um camião cisterna, disponibilizado pela administração comunal. Antes, a vila era abastecida por um sistema de três bombas, que se encontram actualmente avariadas, e que bombeavam a água a partir do rio Tumbalunda, numa extensão de 18 quilómetros. Um tanque intermédio e dois reservatórios, por gravidade, fornecem água nos vários pontos construídos na sede da comuna.
 A construção de mais um tanque de água, de uma agência bancária, cemitério e campo polivalente, assim como a reabilitação do parque infantil, são acções prioritárias para a administração.
A sede comunal, por se encontrar em montanhas, não tem permitido a sintonização das ondas da Rádio Nacional, daí a administração local ter solicitado a instalação de uma antena de retransmissão e a substituição deste mesmo instrumento da Televisão Pública de Angola.

Promessas do governador

O governador provincial do Namibe, Rui Falcão, que visitou a comuna, garantiu que todas as preocupações expostas vão ser resolvidas, nos próximos tempos, principalmente a questão da água.
Rui Falcão minimizou a questão dos sinais da RNA e da TPA, uma vez que existem projectos para a melhoria das frequências destas duas estações a nível de todas as localidades da província.
O governador referiu que é preciso trabalhar no sentido de oferecer melhores condições aos técnicos locais que ali labutam e garantiu ir resolver o problema habitacional e trabalhar no sentido de ampliar a rede escolar na província, que tem cerca de oito mil crianças fora do sistema normal de ensino.
A comuna tem uma extensão territorial de 137 quilómetros quadrados e uma população calculada em 12.338 habitantes, dos quais 7.403 são da sede comunal. Na Lucira vivem hereros, mucuandos e ovimbundos, que se dedicam principalmente à pesca, agricultura de subsistência e à pastorícia.

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