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Camucuio abre importante escola

Vladimir Prata | Camucuio

A partir do próximo ano lectivo, os jovens do município do Camucuio deixam de se deslocar a outras sedes municipais para darem continuidade aos estudos do II Ciclo do Ensino Secundário.

A Escola do II Ciclo do Ensino Secundário inaugurada pelo Governador Provincial
Fotografia: Afonso Costa | Namibe

A primeira escola de nível, com capacidade para 1.400 alunos da 7.ª, 8.ª e 9.ª classes em três turnos, foi inaugurada.
A escola recebeu o nome de “António Júlio Francisco dos Santos”, nacionalista desta região que se bateu pela independência e pela paz em Angola, assassinado em Dezembro de 1975 pelas forças dos colonialistas do ELP (Exército de Libertação Português), aliados da FNLA, como reza a história.
O chefe da Repartição Municipal da Educação, Tchindanga Mukuku, lembrou que o empreendimento é um importante ganho dos 40 anos da independência. “Estamos de parabéns, porque esta escola vai suprir a falta de salas de aulas que tínhamos”, disse, referindo que o município tem matriculados um total de 345 alunos do II Ciclo que até aqui recebiam aulas em salas de uma escola primária.
O chefe da Repartição pensa que com a abertura desta escola, o quadro pode melhorar. Agora vão ser os jovens de outras localidades a procurar uma vaga no Camucuio. A escola tem 12 salas. O desafio, nesta altura, é melhorar o quadro docente. O município tem apenas 12 professores desse nível, dos quais 11 a trabalhar em regime de voluntariado e um efectivo. “Aguardamos pelos professores que este ano estão a terminar a licenciatura no Namibe e Lubango, na Escola Superior Pedagógica”, disse Mukuku. A escola foi inaugurada pelo governador provincial, Rui Falcão, que dirigiu, há uma semana, a quinta sessão ordinária do Governo Provincial do Namibe na sede deste município.

Promoção do trabalho

Antes disso, o governador fez a entrega simbólica de vários instrumentos de trabalho a membros de uma cooperativa integrada, incluindo quatro motorizadas de três rodas, importantes para o fomento do emprego e o combate à fome e à pobreza. Equipamentos para agricultura, costura, pedreira, carpintaria, serralharia, ladrilhagem, canalizador, mecânica e recauchutagem foram distribuídos  a 36 famílias.
Quanto à reunião do Governo Provincial, o destaque recaiu para o sector da saúde. A província do Namibe consta da fase de pré-eliminação da malária. Tal deve-se à redução substancial do número de casos, resultante da aplicação do Programa de Combate à Malária, caracterizado por forte sensibilização à população, distribuição de mosquiteiros e fecho de focos de água estagnada.
O Governo Provincial fez um balanço do Programa de Investimentos Públicos (PIP) e das actividades desenvolvidas no terceiro trimestre deste ano, período em que registou uma execução financeira de cerca de 29,5 milhões de kwanzas para o PIP e 32 milhões para o Programa Água para Todos.
O programa habitacional de construção dos 200 fogos por município consumiu cerca de 1,8 mil milhões de kwanzas. A província do Namibe teve uma receita total de 1,6 mil milhões de kwanzas, dos quais 69 por cento provenientes dos serviços aduaneiros. A despesa efectiva cifrou-se em cerca de 3,1 mil milhões de kwanzas. Um total de 212 crimes de natureza diversa foi registado, no terceiro trimestre, pelo comando provincial do Namibe da Polícia Nacional. Dos crimes registados, 154 foram esclarecidos.

Serra das Neves

A população da Serra das Neves arregaçou as mangas e leva a cabo uma campanha para a abertura da picada que vai permitir o acesso de viaturas a partir da localidade de Mailowe, na comuna do Mamue, 45 quilómetros a norte do Camucuio. Uma brigada composta por dezenas de pessoas, entre homens e mulheres, trabalha desde o ano passado de forma voluntária no desbravamento de uma parte do matagal que envolve o morro mais alto da província do Namibe e a destruição de rochas, com o objectivo único de ver chegar os serviços básicos à sua aldeia.
No planalto da Serra das Neves, onde residem mais de 200 famílias, a principal actividade é a criação de gado bovino e caprino, bem como a agricultura de subsistência do milho e o feijão. A comunidade enfrenta dificuldades devido à falta de posto de saúde e escola, o que obriga a percorrer quilómetros em busca de assistência médica e formação para as crianças.
Daí a aposta na picada de acesso à sede comunal do Mamue, trabalho que está a ser feito com recurso ao machado, à catana, picaretas e outros equipamentos e a ser apoiado pelo Governo Provincial, como referiu Rui Falcão, na visita ao local. “Mal a estrada esteja aberta, vamos fazer chegar o hospital e a escola à vossa comunidade”, prometeu o governador provincial do Namibe.

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