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Capital ganha novos empreendimentos

Vladimir Prata|

A cidade do Namibe, capital da província com o mesmo nome, completou, no passado dia 4 de Agosto, 166 anos desde a sua fundação.

O jardim da Avenida Eduardo Mondlaine é um dos principais pontos pitorescos da cidade capital do Namibe e que inspira os fotógrafos
Fotografia: Afonso Costa



A cidade do Namibe, capital da província com o mesmo nome, completou, no passado dia 4 de Agosto, 166 anos desde a sua fundação. As comemorações, entretanto, continuam até ao final deste mês, com a inauguração de várias infra-estruturas reabilitadas ou construídas de raiz, inclusive do Caminho-de-Ferro de Moçâmedes (CFM).
A inauguração de dois centros recreativos na sede do Namibe, dia 3 de Agosto último, foi considerada pelo administrador municipal, Armando Valente, como sendo o ponto mais alto das comemorações do aniversário da cidade.
Trata-se do Centro Recreativo e Cultural do bairro Forte Santa Rita e do Centro Recreativo e Cultural do bairro do Valódia, construídos de raiz e apetrechados pelo governo municipal no âmbito do Programa de Investimentos Públicos em curso em todo o país.
De acordo com o responsável, o centro do bairro Forte Santa Rita reveste-se de uma grande importância histórica, sendo que na época colonial acolheu muitos artistas de renome e que se encontrava em ruínas, acabando mesmo por desaparecer. “Mas graças ao esforço do governo foi possível resgatá-lo, dando-lhe uma outra roupagem”.
Já o empreendimento similar do bairro do Valódia, outrora denominado Centro Recreativo e Cultural do Marítimo, leva muitos a recordarem com nostalgia tempos idos em que o local acolhia grandes festas e actividades culturais.
“São empreendimentos que se constituem em elementos importantes para a cultura na nossa urbe”, disse.
No sector da saúde, o administrador Armando Valente destacou que a sede do município conta em todos os bairros com um centro médico com capacidade para 60 camas, para além de realçar a construção, recentemente, do hospital materno-infantil, com capacidade para 300 camas.
Tais empreendimentos ajudaram a reduzir a mortalidade por malária em 50 por cento, bem como a mortalidade no seio das mulheres grávidas e de recém-nascidos. Em breve, o atendimento sanitário na capital da província estará ainda melhor, quando for entregue o hospital provincial Ngola Kimbanda que se encontra em reabilitação. O mesmo será totalmente apetrechado.

Bentiaba beneficia deinvestimentos

A comuna do Bentiaba, localizada a cerca de 150 quilómetros da sede da província, é uma das que maior investimento recebeu nos últimos tempos, tendo ganho empreendimentos no valor de mais de um milhão de kwanzas, que foram inaugurados igualmente por ocasião do aniversário do Namibe.
A população local testemunhou, dia 30 de Julho, com agrado, a abertura de um novo centro de saúde, construído no âmbito do programa municipal de combate à pobreza. O empreendimento, cujas obras estiveram a cargo de uma empresa local, foi entregue às autoridades da comuna pela governadora provincial do Namibe, Cândida Celeste da Silva, que fez igualmente a oferta de uma ambulância e de uma carrinha Toyota Hilux.
O centro conta com um banco de urgência, uma enfermaria para homens e outra para mulheres com capacidade para oito camas cada, laboratório de análises clínicas, sala de parto e de pós-parto com três camas, consultório e farmácia, para além de uma área de arrecadação.
O responsável do centro, Nascimento Calandula, deu a conhecer que o mesmo vai funcionar com 15 enfermeiros, e que o laboratório poderá fazer quase todo tipo de análises, como gota espécie, Vidal, VDRL, inclusive testes de VIH/Sida.
“A nossa comuna do Bentiaba contava apenas com um posto de saúde com dois quartos, e não tínhamos condições para atender vários pacientes ao mesmo tempo. Agora tudo vai mudar”, disse.
Cândida Celeste fez igualmente a inauguração de quatro casas do tipo T2 para quadros da localidade. As obras duraram cerca de 180 dias e estiveram orçadas em 24.800.000 de kwanzas. A governadora do Namibe procedeu, ainda no Bentiaba, a inauguração de uma escola com três salas de aulas, bem como da administração comunal, também construídas de raiz.
O administrador municipal Armando Valente destacou o facto de aquela ser a última comuna em que faltava construir um edifício da administração que confira maior dignidade à presença do Estado e garanta um atendimento eficaz das populações.   

Nova morgue para o Lucira

Ainda no âmbito dos festejos dos 166 anos da cidade do Namibe, a governadora Cândida Celeste deslocou-se à comuna da Lucira, cerca de 210 quilómetros da sede provincial, onde fez a entrega de uma morgue para o hospital local. A mesma conta com uma câmara com capacidade para dois corpos.
Ainda na Lucira, a chefe do executivo na província inaugurou o palácio comunal, totalmente reabilitado, ampliado e apetrechado, num investimento que custou aos cofres do Estado 16.000.000 kwanzas. O administrador do Namibe reconheceu que o mesmo tem agora maior dignidade e oferece melhor comodidade, sendo que o mesmo encontra-se em estado avançado de degradação.
Cândida Celeste também fez a entrega de um tractor e respectivas alfaias para apoiar a actividade dos camponeses locais, acto que repetiu nas comunas do Bentiaba e do Forte Santa Rita.

Bibliotecas

O governo prevê fazer a inauguração, nos próximos dias, de uma biblioteca na comuna do Bentiaba e outra na Lucira. As mesmas encontram-se já erguidas e apetrechadas, aguardando apenas pelo corte da fita.
Ainda no âmbito das comemorações dos 166 anos do Namibe, procedeu a abertura oficial do cemitério da comuna do Forte Santa Rita e da estrada que liga o bairro 5 de Abril, o mais populoso da província, ao município do Virei, a 130 quilómetros da capital do Namibe.
Várias actividades desportivas e culturais, bem como a eleição da Miss Namibe 2012 fizeram igualmente parte da festa.

História


Fundada em 1849, a cidade do Namibe foi, entre 1665 e 1676, visitada com certa frequência por barcos que navegavam para o Sul, rumo ao Oriente. Nesta fase, aproximaram-se à baía, na época conhecida por Ancra do Negro, para se abastecerem de víveres e de água. Foi assim que o tenente-coronel Pinheiro Furtado, em homenagem ao então governador-geral de Moçâmedes, mudou o nome de Ancra do Negro para Baía de Moçâmedes.
A paisagem natural foi-se alterando aos poucos. O homem dominava a natureza a custa do seu trabalho. Junto ao rio Beiro estabeleciam-se pequenas fazendas agrícolas, pois a pesca não atraía muita atenção dos colonos.
Em 1849, ano da fundação do distrito, teve início a colonização com a chegada a Moçâmedes do primeiro grupo de imigrantes portugueses, vindo de Pernambuco, Brasil. Traços de toda a sua trajectória podem ser encontrados em sítios históricos como Alfândega do Namibe, cadeia militar, cadeia são Nicolau Bentiaba, capela da Nossa Senhora do Mundo, capela da Praia Amélia e a capitania do Porto do Namibe.
A Fortaleza de Kapangombe, Hotel Moçâmedes, Igreja Nossa Senhora de Fátima, Igreja de S. Adrião, Palácio do Governo e tribunal provincial, são outros locais históricos. Existem ainda as pinturas rupestres localizadas nas regiões do Tchitundo-Hulu e do Tchipopilo, no município do Virei e Macahama, na localidade de Caraculo, onde habitaram os primeiros povos.
A província do Namibe tem cinco municípios que são Bibala, Kamukuio, Tômbwa, Virei e Namibe. A cidade capital conta com uma população estimada em 400 mil habitantes, distribuídos pelos bairros 5 de Abril, Forte Santa Rita, Eucaliptos, Torre do Tombo (também conhecido como Valódia) e arredores.  

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