Províncias

Cheias no rio Caitou cortam a estrada

Manuel de Sousa | Camucuio

As fortes chuvas que se abatem sobre a região norte do município de Camucuio provocaram cheias no rio Caitou e as ligações com a sede da província do Namibe foram cortadas.

A situação pode agravar a partir de Março quando as chuvas atingirem o seu pico na região do Camucuio podendo afectar a via do Bentiaba
Fotografia: Ailton cruz

Como alternativa, os automobilistas estão agora a utilizar a via Camucuio/Bentiaba/Namibe, um percurso particularmente crítico, de 300 quilómetros. A estrada da Bibala está intransitável.
Pedro Mulangui, motorista de autocarro, disse a reportagem do Jornal de Angola que a situação é muito difícil para os automobilistas pelo desgaste dos veículos e morosidade da viagem.
“O troço Bentiaba/Camucuio está muito degradado e os camponeses sofrem também, já que os seus produtos ficam estragados, porque levam muito tempo a ser escoados para as cidades, devido ao reduzido número de viaturas que circulam”, referiu.
Apesar das fortes chuvas que se fazem sentir, a seca ainda é uma realidade em algumas zonas do Camucuio, como Cacimbas, Pirangombe e Chingo, sexplicou o soba grande da localidade, Macuva Teixeira.
“Nesta região chove muito e ficamos sem saída, porque os rios estão cheios. Os riachos de Caluondo e Chipopilo estão cheios e dificultam também a transumância”, disse.

Dificulta na movimetação

A administração do Camucuio está a recorrer a tractores para retirar os carros que ficaram enterrados no Caitou e fazer o transbordo de alguns bens das populações.
Ana Angelina Vaz, habitante do Caitou, disse que as cheias do rio estão a dificultar a movimentação para a sede da província e outras localidades na procura de bens de consumo e apelou ao governo para que construa uma ponte sobre o rio.Reconheceu que a situação vai ser mais crítica a partir de Março, quando as chuvas atingirem o seu pico na região do Camucuio, podendo afectar, também, a via do Bentiaba, provocando o total isolamento.
Com o rio Caitou a transbordar, aumentaram os charcos e doenças como a malária, disse o chefe da Repartição de Saúde, do Camucuio, Job Fortunato.
A falta de professores está a dificultar a expansão dos programas de alfabetização e de aceleração escolar a mais localidades do município do Camucuio, revelou o chefe de repartição da Educação, Tovi Mahapi.Quanto às consequências da seca no sistema de ensino, Tovi Mahapi disse ser uma situação recorrente há três anos, mas sublinhou que os pais e encarregados de educação têm sido desencorajados a levarem as crianças para as pastagens e a manterem-nas nas escolas com o apoio do programa de merenda escolar. Descartou qualquer influência das cheias no sucesso deste ano lectivo, porque, explicou, as escolas situam-se longe dos rios.  O novo administrador do município do Camucuio, José Sombo, defendeu um trabalho de equipa para a solução dos principais problemas das comunidades.
O município do Camucuio está situado 280 quilómetros a norte da cidade do Namibe e tem uma população de 46 mil habitantes que vive da pastorícia e da agricultura de subsistência nas comunas de sede, Chingo e Chinquite.

Tempo

Multimédia