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Comportamentos desviantes combatidos na família

Manuel de Sousa| Namibe

O sociólogo Pedro de Castro Maria, docente do Instituto Superior de Ciências da Educação (ISCED) de Luanda,  defendeu segunda-feira, na cidade do Namibe, o papel da família na prevenção das condutas desviantes.

Vista parcial da cidade do Namibe onde se abordou a importância da família no combate às condutas desviantes dos jovens
Fotografia: Arão Martins

Pedro de Castro valorizou a eficáciadas instituições tradicionais,como a família e a escola, na transmissão dos valores das sociedades contemporâneas.
O sociólogo disse que a sociedade angolana é periférica e apresenta vulnerabilidades na construção do processo educativo e de recuperação cultural e um desafio interessantes é tentar perceber até que ponto a família contribui para a preservação dascondutas desviantes. “É no seio da família que, por excelência, se deve começar aprevenir os referidos desvios para que as novas gerações não abracem tais condutas”, sublinhou o sociólogo.
O professor considerou que a partir do conceito de família“se pode entender se faz ou não sentido falar-se de coesão familiar como premissa para a promoção de condutas socialmente aceitáveis, não desviantes”.
Entre as condutas desviantes, o sociólogo apontou a delinquência juvenil, havendo outras que não estão de acordo com as normas sociais estabelecidas por um determinado grupo social e são comportamentos ilícitos. Como principais causas da delinquência juvenil, o professor universitário apontou o conflito armado, que perdurou desde a independência de Angola, em 1975, até 2002, as formas como são executadas as políticas públicas, que promovem a informalidade e que retiram da escola um elevado contingente de adolescentes, o desemprego e a queda dos valores morais.
O desafio da preservação e coesão familiar, de acordo com Pedro de Castro, passa pelos membros da família, que devem usufruir de oportunidades para se sentirem plenamente realizados, partindo do princípio de que é aí onde têm mais direitos e deveres.
O contrário da integração familiar é a exclusão, que define como o afastamento de qualquer dos membros da família da rede de relações sociais, económicas, afectivas, socializadoras e outras que se desenvolvem naquela grupo, segundo o sociólogo.
“Quando é negado a um dado membro da família o amor, o carinho ou a assistência financeira, por exemplo, estamos diante da exclusão familiar, atentando assim contra a sua coesão”, explica o professor.

Os valores da integração

Os valores que promovem a integração familiar – de acordo com o sociólogo – são a harmonia, a solidariedade, o espírito de ajuda mútua, a união, o amor entre os membros da família. Estes valores, que são parte importante de todas as culturas, servem para influenciar as opções de vida dos indivíduos no processo de socialização.“Um cidadão usufrui de direitos, mas também cumpre deveres.
Os deveres do homem, enquanto membro de uma sociedade, de um Estado, de um país, são fundados em valores – portanto, valores cívicos – e é na família que se começam a transmitir esses valores”, disse Pedro Maria.
Quanto ao Estado, tem a missão da realização do bem comum dos seus cidadãos, promovendo o seu crescimento material e cultural. Para esse desiderato, cada cidadão deve exercer o seu papel individual ecolectivamente, acrescentou.
Para as mulheres, mesmo nas sociedades modernas, elas ocupam um papel relevante na educação dos jovens. Mesmo nas famílias em que os pais se ocupam mais dos filhos, a relação é mais intensa com a mulher do que com o homem.
O sociólogo sublinhou que as famílias, ao cuidarem dos seus idosos, estão também a “promover a coesão familiar, a honrar e a dignificar os seus progenitores”, porque se  cria a oportunidade de os idosos servirem de “veículos de transmissão da sua experiência aos mais novos”.  A palestra foi muito concorrida.

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