Províncias

Cresce número de infectados com o vírus da Sida

Manuel de Sousa | Namibe

O Hospital Municipal do Namibe regista mensalmente três casos de infectados com o vírus da Sida, entre mulheres grávidas e jovens de ambos sexos.

O Hospital Municipal do Namibe regista mensalmente três casos de infectados com o vírus da Sida, entre mulheres grávidas e jovens de ambos sexos. De acordo com Silva Garcia, chefe do sector de enfermagem, há ainda um aumento significativo de pessoas que procuram os serviços do hospital para fazerem o teste voluntário e para aconselhamento.
“Quando começámos a trabalhar, havia meses que não registávamos nenhum caso, e testávamos na altura entre 100 a 200 pessoas por mês, mas hoje a realidade é diferente, estamos a registar três casos por mês”, disse Silva Garcia.
O chefe do sector de enfermagem do Hospital Municipal do Namibe considera que o aumento do número de pessoas seropositivas se deve, em parte, à falta de informação sobre a doença, nas comunidades.
“Tivemos no mês passado dois casos de mucubais seropositivos, uma situação que nos chamou à atenção e nos preocupa, por causa dos hábitos tradicionais dessa camada da população, que raramente procura os hospitais para se tratar. Se apareceram dois casos é porque existem mais, por isso pedimos a todos que se informem sobre a doença e façam o teste”, referiu.
Silva Garcia afirmou que o Hospital Municipal tem capacidade para prestar serviços de aconselhamento e de seguimento das mães grávidas, corte de transmissão vertical, acompanhamento das mães grávidas que são seropositivas, além da testagem, tratamento e seguimento das pessoas seropositivas.

Serviço permanente
 
O Hospital Municipal do Namibe, localizado na vila do Saco Mar, a 12 quilómetros da sede da província, inaugurado há dois anos pelo ministro da Saúde, José Van-Dúnem, trabalha 24 horas por dia, disse o chefe de enfermagem Silva Garcia.
“Temos quase todos os serviços a funcionar, desde as urgências ao apoio à mulher grávida e à criança, e recebemos doentes com as mais diversas patologias”, informou.
O hospital tem 104 camas e funciona com 136 trabalhadores, incluindo dois médicos, enfermeiros e pessoal dos serviços gerais. Em média, o hospital atende diariamente 50 doentes com várias patologias, com destaque para a malária, que é a doença mais frequente.
Em termos de equipamento, Silva Garcia garante que o Hospital Municipal do Namibe é o mais bem servido da província, já que possui material de ponta nos laboratórios de análises clínicas e de Raios-X, no bloco operatório, nas salas de esterilização, na sala neo-natal, nas lavandarias e nas cozinhas.

Quadros qualificados

Silva Garcia diz que há falta de pessoal qualificado para manusear esses equipamentos modernos, sobretudo no que diz respeito ao bloco operatório e ao aparelho de Raios-X.
“Temos áreas que não funcionam por falta de quadros qualificados, como é o caso do bloco operatório, onde só temos quatro técnicos, e o aparelho de Raios-X, que tem apenas um técnico, mas em termos de equipamentos temos o que há de melhor no mundo”, afirmou.
Para colmatar estas falhas, o hospital e a Direcção Provincial da Saúde enviaram bolseiros para as províncias de Benguela e da Huíla, para especialização nos equipamentos disponíveis no bloco operatório.
Em relação ao aparelho de Raios-X, Silva Garcia disse que o recrutamento depende da realização de concursos públicos, que não são da competência do hospital. “Não é da nossa competência recrutar pessoal, isso já depende do Governo Provincial e da Direcção da Saúde”, disse, acrescentando que no último concurso realizado para o recrutamento de pessoal, o hospital recebeu um técnico de laboratório de análises clínicas, mas nenhum técnico para o aparelho de Raios-X. “Estamos à espera que nos enviem mais técnicos”, disse.
Silva Garcia disse ainda que os técnicos em falta requerem uma formação dirigida para as áreas, já que “não é fácil encontrar na nossa província técnicos com formação a este nível”.
O Hospital Municipal do Namibe não foi também contemplado com técnicos dos que recentemente regressaram da formação fora do país.
O número de médicos, enfermeiros e técnicos especializados que o hospital possui não satisfaz, segundo Silva Garcia. O hospital tem apenas dois médicos, um de oftalmologia e outro de clínica geral.
“Precisávamos de pelo menos um médico de ginecologia e obstetrícia, porque nesta especialidade temos tido muitas pacientes, por isso precisamos de ter mais médicos”, referiu.

Faltam medicamentos

Para além da falta de técnicos qualificados para uso dos equipamentos de última geração e de médicos, o hospital também enfrenta  dificuldades que são comuns a todas unidades sanitárias.
“Em termos de medicamentos, não conseguimos satisfazer as necessidades, na medida em que o hospital depende de um plano geral provincial e nacional”, esclareceu Silva Garcia.
Outra dificuldade que o Hospital Municipal do Namibe vive prende-se com os transportes, já que a unidade sanitária fica distante da cidade. Silva Garcia apela às autoridades provinciais para criarem transportes públicos entre a cidade do Namibe e a vila de Saco Mar.
“São necessários serviços para apoiar a função pública nesta localidade, porque um funcionário é obrigado a ir ao Namibe para resolver um problema simples, como reconhecer um documento ou fazer uma transferência. Se estes serviços tivessem representações na vila era tudo mais fácil”,
Para além da malária, considerada como a principal doença, o hospital também regista com alguma frequência doenças respiratórias agudas e diarreias devido à falta de saneamento.
O hospital serve as populações do Giraul, onde o abastecimento de água não é dos melhores. A unidade hospitalar é procurada também por muitas pessoas da cidade do Namibe e localidades vizinhas. Os casos mais graves vão para o Hospital Provincial Ngola Kimbanda e para a Maternidade Provincial.
O chefe de enfermagem do Hospital Municipal do Namibe apela aos utentes a terem mais paciência quando vêm para o hospital, porque não é por falta de vontade que as pessoas não são atendidas com a celeridade, há falta de pessoal qualificado.
“Nós atendemos as pessoas em função da gravidade da doença e há doentes que reclamam porque chegaram primeiro. Mas esses têm de compreender que há casos de rotina e há emergências. Se aparecer um caso grave, o doente que chegou primeiro tem de esperar. Às vezes esta posição não é bem entendida pelos doentes e isso tem causado alguns problemas, sobretudo entre às nossas funcionárias”, disse a concluir.

Tempo

Multimédia