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Curandeiros têm chá contra vício das drogas

João Upale | Namibe

O consumo excessivo de bebidas alcoólicas e outras drogas é preocupante mas os terapeutas tradicionais têm um medicamento natural para acabar com o vício, foi revelado durante a jornada nacional do Dia Africano da Medicina Tradicional, que decorreu no passado dia 31 de Agosto no Namibe.

Curandeiros introduziram no mercado um medicamento natural de combate às drogas
Fotografia: Afonso Costa

O consumo excessivo de bebidas alcoólicas e outras drogas é preocupante mas os terapeutas tradicionais têm um medicamento natural para acabar com o vício, foi revelado durante a jornada nacional do Dia Africano da Medicina Tradicional, que decorreu no passado dia 31 de Agosto no Namibe.
Para travar as consequências perigosas do uso abusivo e excessivo do álcool é preciso efectivar a proibição da venda de bebidas alcoólicas a menores. Mas como a fiscalização está a falhar, os terapeutas tradicionais introduziram no mercado um medicamento natural, o Ekoka.
Segundo os curandeiros do Namibe, é um composto de tchangala, kwanana, mety, ndukó e ekoka, cinco raízes que depois de fervidas dão um chá que afasta os toxicodependentes das drogas.
De acordo com Francisco Ezequiel, médico tradicional, cinco minutos depois de tomar a infusão, o toxicodependente vomita tudo. Passada esta fase, come uma papa quente da mesma composição de raízes e, desta maneira, o vício das drogas é afastado para toda vida,
 Francisco Ezequiel, 30 anos, casado e pai de oito filhos, assegurou que depois do tratamento o toxicodependente foge das drogas e até o cheiro do álcool lhe dá náuseas. Natural do município do Londuimbali, província do Huambo, o curandeiro Ezequiel diz que se dedica à cura de drogados à base de tratamento tradicional há 15 anos.
Foi ao Namibe a convite da delegação provincial do Conselho Nacional de Medicina Natural e Tradicional para participar no Dia Africano da Medicina Tradicional.
Francisco Ezequiel disse à nossa reportagem que combater o álcool não dá muito trabalho: “fervemos as cinco raízes em três copos de água e damos de beber à pessoa, que depois disso nunca mais volta a consumir bebidas alcoólicas ou outras drogas”.
Assegurou que esta prática já foi aplicada com resultados satisfatórios a mais de 300 pacientes, principalmente das províncias do Huambo e Bié, inclusive a figuras destacadas da sociedade, que hoje se encontram livres do alcoolismo.
Francisco Ezequiel é ervanário e recorre a raízes de tchandala, tchiñeny, ndukó, meti, lonshia, hankulankula, a cogumelos, ukhema e ainda às raízes de nespereira, unkhengó, mbavandi e de ekoka para fazer os seus medicamentos naturais.
As raízes existem em grande abundância nas matas de Caluquembe e de Quilengues, na província da Huíla.
Na sua opinião, um sem número de enfermidades que apoquentam milhares de angolanos são consequência do abuso do álcool e de outras drogas pesadas: “encontro pessoas com peito pequeno e coração é grande. Isso tudo é consequência do álcool. A impotência sexual também é devido ao álcool”, disse.

Outras vozes

Francisco Kamuele Chiqueyo, 28 anos, casado e pai de três filhos, exerce a actividade de curandeiro desde 2001. Disse que herdou os conhecimentos do pai, que fazia cura tradicional: “não fiquei por aí, aprofundei os conhecimentos sobre o poder curativo das plantas”.
Lembrou que há doentes que saem de Angola à procura de melhores condições de saúde, quando às vezes a solução “está nas nossas plantas nacionais.”
Francisco Kamuele Chiqueyo disse que muitas pessoas interpretam a medicina natural como quimbandismo ou feiticismo, “mas não é nada disso, é o plano de Deus para que todos tenham acesso à saúde”.
Alfredo Henrique Canivete é curandeiro desde 1993. Nas doenças mentais utiliza vandanwolongombe, ngongolunda, folhas de vishishioningi, mistura de ioló, kiepangele, omonu e kiohakaioposi.
Para o tratamento de reumatismo, utiliza endautõla, utunda, umemaluku. Noutras doenças usa a cindjole, omemaluku e ocikiña: “também uso o ventre de leão, que é uma raiz que se encontra na Quipola, no Namibe”.

Uma área virgem

O chefe do departamento provincial da Saúde Pública e Controlo de Endemias, Franco Mufinda assegurou à nossa reportagem que o homem, sempre procurou formas de cuidar da sua saúde e a medicina natural é uma delas.
Franco Mufinda é de opinião que a medicina natural tem os seus efeitos que “nós não podemos denegrir”. Defende que o Estado deve fiscalizar e regulamentar o exercício da medicina natural porque “é um campo muito aberto e há muitos aproveitadores”.
O delegado provincial do Conselho Nacional de Medicina Natural e Tradicional de Angola, Miguel Chindala, disse que a actividade podia ser melhor explorada para o nosso bem-estar comum. No Namibe, o conselho tem 20 pessoas, uma delegação provincial e várias associações.
Miguel Chindala frisou que a maioria dos associados está legalizada e tem cartão de sanidade. O Namibe tem cinco postos de ervanários legais dos 30 postos existentes de tratamento de medicina tradicional.

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