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Dadores de sangue criam associação e querem mais pessoas a salvar vidas

João Upale | Namibe

“Ao dar sangue, sinto-me também um paciente, mas depois disso, além do sentimento de salvar uma vida, sinto o organismo mais aliviado”, disse o dador António Segunda.

“Ao dar sangue, sinto-me também um paciente, mas depois disso, além do sentimento de salvar uma vida, sinto o organismo mais aliviado”, disse o dador António Segunda.
De 47 anos e pai de seis filhos, António Segunda, morador na cidade do Namibe, conta que se tornou dador de sangue desde 2006, quando certo dia ouviu, num programa local da rádio, o clamor de quem, em aflição, queria ver salva a sua filha, que estava em apuros.
“Preparei-me de imediato e fui andando para o hospital (...). Até hoje a criança vive e, quando os pais me vêem a passar, dizem logo à criança: vem a correr, olha o teu mais que tudo”, lembra.
António Segunda afirma que, de três em três meses, contribui com o seu sangue para salvar outras vidas. Conta ao Jornal de Angola que para se ser feliz não é necessário “mundos e fundos,” mas um simples gesto de fraternidade, como dar sangue. Por esta razão, juntou-se, na última semana, aos demais dadores de sangue para fortalecer a associação que criaram. A primeira reunião para a constituição da associação dos dadores voluntários de sangue do Namibe (ADVSN), no Hospital Materno-Infantil, serviu de trampolim para o relançamento da actividade, que tem um único caminho a atingir: salvar vidas humanas.
Fundada este ano, a associação dos dadores voluntários de sangue é de natureza privada, sem fins lucrativos e de carácter cívico e público. Nela é excluído todo o lucro material. Tem como interesse promover e fomentar os hábitos de solidariedade social e estimular para a doação altruísta, cujo propósito é incutir a todas as pessoas o espírito da fraternidade humana e solidariedade social.
A co-fundadora da associação, doutora Maria Teresa, clama pela ajuda de todos os que quiserem colaborar, directa ou indirectamente, contribuindo desta forma para a melhoria da saúde pública e também da maternidade, levando o stock de sangue dos hospitais da cidade do Namibe para os municípios, bem como para outras províncias onde a carência se faça sentir.
“O nosso objectivo é fazer com que todo o mundo venha dar sangue sem medo, à semelhança de tantos outros que o fazem em troca de nada, mas por um gesto voluntário. E assim a hemoterapia do hospital provincial Ngola Kimbanda vai agradecer,” enfatizou.
Fazer de tudo um pouco para que a associação tenha sucesso é a aposta forte desta agremiação filantrópica, que não quer ver ninguém a morrer por falta de sangue.
A presidente da associação dos dadores voluntários de sangue, Ana Felícia de Abreu, convida todos os namibenses a dar o seu contributo a esta associação, acrescentando que muitas vezes as pessoas recorrem aflitas às igrejas, unidades militares e outros locais à procura de sangue, por ter um familiar carente e em estado de saúde crítico. A doutora Maria Teresa realçou que actualmente, mesmo com o avanço tecnológico da indústria farmacêutica, “ainda não se descobriu outra forma de substituir o sangue e a única que se tem é de obtê-lo através do homem”.
O secretário-geral da associação, Nkoxi Manuel Paulo, revelou que o número de dadores voluntários é elevado na província, o que levou à criação de uma organização. “O que tem acontecido é que aparecem 30, 40 dadores voluntários, mas que não se alimentam condignamente para a sua estabilidade física”. Nkoxi Paulo garante que dentro da associação vão ser criadas condições para os dadores, solicitando também o apoio dos empresários e de outros patrocinadores.
A associação tem 15 dadores voluntários e conta com o apoio do Hospital Provincial Materno-Infantil e da direcção provincial da Saúde. A angariação de patrocínios revela-se indispensável, para se “levar o barco a bom porto”.
O chefe do departamento de Saúde Pública e Controlo de Endemias, Franco Mufinda, em representação da direcção provincial da Saúde, elogiou a iniciativa e sugeriu que se mobilizem as organizações juvenis, para que os objectivos preconizados sejam alcançados.
“Há que procurar meios-termos para estimular as pessoas e manter o projecto, para que a chama não se apague tão cedo, procurando alternativas”, disse. Franco Mufinda defende ainda uma colaboração com as repartições municipais de Saúde e com os líderes comunitários, políticos, agentes da educação e comunicação social, entre outros.
Para Franco Mufinda, o que importa é haver um banco de sangue à altura das necessidades da população, referindo que o melhor é tê-lo à espera do paciente e não o contrário.

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