Províncias

Defendidos projectos para a educação ambiental

João Upale| Namibe

A ambientalista Carina Semedo Garcia defendeu sexta-feira, na cidade do Namibe, o desenvolvimento de projectos educativos no domínio do ambiente, que abarquem o ensino formal e informal e a realização de campanhas de educação e sensibilização nesse âmbito.

Vista parcial da cidade do Namibe onde estão a ser reabilitadas e construídas várias infra-estruturas sociais para melhorar o estilo de vida
Fotografia: Jornal de Angola

A ambientalista Carina Semedo Garcia defendeu sexta-feira, na cidade do Namibe, o desenvolvimento de projectos educativos no domínio do ambiente, que abarquem o ensino formal e informal e a realização de campanhas de educação e sensibilização nesse âmbito.
Carina Semedo Garcia falava durante uma palestra sobre “A educação ambiental como elemento de transformação”, promovida pela Administração Municipal do Namibe, no âmbito das Festas do Mar, que decorrem durante todo o mês de Março.
A palestrante disse aos membros do governo provincial, representantes da sociedade civil, ecologistas, feirantes e expositores dos diversos ramos de actividade ser necessário ainda alguns eixos estratégicos para se guiar e orientar melhor “o barco ecológico”.
A especialista sugeriu, para o caso concreto do Namibe, a utilização de políticas atinentes à redução, reutilização e reciclagem dos resíduos, a conhecida política dos “três R”.
A defesa do ambiente e a sua protecção é uma responsabilidade de todos os cidadãos. “É igualmente nosso dever, como habitantes, a preservação da lei de base, que visa a manutenção do meio ambiente”, destacou. Carina Semedo Garcia advertiu que se deve ter em conta, na gestão dos resíduos, as boas práticas, considerando-se sempre as áreas litorais e urbanas com base na reciclagem, criando meios e mecanismos que permitam evitar exposição de lixo a céu aberto.
O desafio nesse sentido prende-se com a criação de um aterro sanitário, plano anunciado recentemente pelo governador da província, Isaac Maria dos Anjos, com vista a minimizar o problema que se vive no momento.
A especialista disse que há também necessidade de se criar projectos que visem a aplicação prática a nível da reciclagem, de forma a obter-se uma consciencialização e mais informações sobre a matéria.
Carina Garcia, durante a sua dissertação, mencionou alguns factores que contribuem para a deterioração do meio e apontou os problemas ambientais que mais preocupam as autoridades locais e não só, com destaque para os casos de degradação da paisagem e dos resíduos hídricos, a perda da biodiversidade e a poluição atmosférica.
A preocupação sobre estes problemas constitui matéria constitucional, referindo-se à Lei de Base Sobre o Ambiente, tendo ressaltado o seu artigo terceiro, que diz que “todos os cidadãos têm o direito de viver num ambiente sadio e beneficiar da utilização racional dos recursos naturais do país”.
Quanto à educação ambiental, na óptica dos recursos hídricos, Carina Garcia disse que tem sido dada para incentivar as boas práticas, no sentido de propiciar o uso sustentável desses recursos, evitando-se desperdícios quotidianos.
A ambientalista referiu exemplos simples destas práticas diárias, como, por exemplo, não deixar as torneiras abertas. Sobre a desertificação, a palestrante disse ser indispensável consciencializar, criar programas e outros mecanismos que permitam implementar práticas que direccionem para o combate ao fenómeno.
Carina Garcia defende a plantação de árvores, para criar a nível da cidade do Namibe um corredor verde. Disse que, tendo em conta os recursos, existem áreas que permitem a realização do projecto, desde que haja um grande incentivo à população na plantação em áreas mais sensíveis à desertificação.

Mudança climática

A ambientalista chamou a atenção sobre as mudanças climáticas que se registam, nos últimos anos, a nível do mundo e de Angola, também. Por isso, frisou que é preciso que pratiquem acções que permitam minimizar o impacto que estas alterações podem ter na sociedade.
O aumento da ocorrência dos fenómenos climáticos obriga à criação de planos de contingência, tendo em conta algumas orientações que concorrem para que se evitem fenómenos extremos, como cheias, secas, entre outros, disse Carina Garcia. A responsável ambiental manifestou ainda preocupação com a poluição sonora pelas ruas da cidade, situação cujas consequências constituem no futuro alguns dos grandes problemas das sociedades.
O administrador do município do Namibe, Armando Valente, referiu que, se todos os citadinos do Namibe, em particular, assumissem o compromisso de deixar a terra um pouco melhor, colocava-se uma pedra na edificação de um futuro que se pretende promissor para as futuras gerações. Por isso, o responsável municipal apelou para a mudança de comportamento por parte dos citadinos, de forma a manterem as ruas limpas e garantir a saúde de todos.

Tempo

Multimédia