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Distribuição gratuita de material satisfaz população

João Upale | Namibe

“Os livros que recebi na escola passam a ser levados e guardados na pasta que o meu tio comprou, para se conservarem e não se rasgarem”, disse Isabel Mayukuiti, ao Jornal de Angola. De 13 anos, é aluna da 4ª classe na escola Comandante Kussy II, no Bairro Forte Santa Rita, periferia da cidade do Namibe, e encontrava-se visivelmente satisfeita, momentos depois de lhe terem sido entregues os manuais escolares, de forma gratuita.

Entrega de material didáctico está a evitar que os encarregados de educação tenham de recorrer ao mercado informal
Fotografia: Afonso Costa | Namibe

“Os livros que recebi na escola passam a ser levados e guardados na pasta que o meu tio comprou, para se conservarem e não se rasgarem”, disse Isabel Mayukuiti, ao Jornal de Angola. De 13 anos, é aluna da 4ª classe na escola Comandante Kussy II, no Bairro Forte Santa Rita, periferia da cidade do Namibe, e encontrava-se visivelmente satisfeita, momentos depois de lhe terem sido entregues os manuais escolares, de forma gratuita.
Isabel Mayukuiti, ou Dorkasse, como é tratada pelos mais próximos, é natural da cidade de Mbanza Congo, província do Zaire. É a primeira vez que está nas terras da mulher mucubal, mais concretamente na cidade da Welwitshia Mirabilis, que a vê crescer em companhia do tio Afonso Meshaguiuvulua.
Visivelmente emocionada, Dorkasse confessou ao Jornal de Angola que, com a ajuda do tio, vai procurar fazer tudo para alcançar os níveis de aproveitamento escolar desejados, para poder contribuir para o engrandecimento do país. “Quero ser médica e cantora quando terminar os meus estudos académicos”, disse a pequena.
O seu tio Meshaguiuvulua teceu rasgos elogios à sobrinha que, segundo ele, se entrega muito aos estudos, pois é a primeira a acordar, por volta das 5h30 da manhã, preparando-se para ir à escola, onde a entrada é às 7h00.
Para Manuel Tchimbwa, 43 anos, pai de três filhos que estudam na 2ª, 3ª e 4ª classe, a entrega gratuita de manuais escolares elevou o ânimo dos educandos e, concomitantemente, permitiu que as algibeiras dos pais fossem poupadas.
“Nós, os pais, agora não temos de gastar muito, porque a maior preocupação residia na compra dos materiais escolares”, afirmou, em nome dos encarregados de educação. “Com esta medida (distribuição gratuita de livros), o nosso Governo assume-se como um verdadeiro ‘bombeiro’ na resolução dos problemas que mais afligem a população”, realçou.
O director da escola primária  Deolinda Rodrigues, Alfredo Chitombi, assegurou a inexistência de problemas, pelo facto do material ser distribuído antes do início do ano lectivo e de forma gratuita.
“Estamos satisfeitos com a medida do governo da província em garantir o material escolar, que foi distribuído mal so recebemos”, referiu, deixando o recado aos progenitores de que devem acompanharem melhor os seus educandos, porque só existe escola quando a comunidade participa. Sem ela, nada de melhor se pode fazer.
Na escola Deolinda Rodrigues, 1.321 alunos matriculados, da iniciação à 6ª classe, receberam o material didáctico.
“As aulas, asseguradas por 41 docentes distribuídos por três turnos, decorrem sem sobressaltos, embora tenha havido absentismo nos primeiros dias”, disse o director da escola. Neste estabelecimento de ensino, a água potável e a energia eléctrica são fornecidas 24 horas por dia.
A professora da escola primária Comandante Kussy II, Sara da Silva, afirmou que, na iniciação, à qual dá aulas, todos os alunos receberam os manuais na presença dos pais e encarregados de educação, que manifestaram a sua grande satisfação pela oferta.

Uso do material

O director provincial da Educação, Ciência e Tecnologia, Pacheco Francisco, assegurou que este ano lectivo arrancou com o material académico em posse dos alunos, ao contrário do que aconteceu nos anos anteriores, em que este apenas era entregue três meses depois das aulas terem começado. “Desta vez temos de dar os parabéns ao Executivo, através do Ministério da Educação, que tudo fez para colocar o material a tempo e horas nas mãos dos alunos,” sublinhou o responsável.  Pacheco Francisco considera que este ano o Ministério assumiu essa responsabilidade e conseguiu cum­pri-la muito antes do início do ano lectivo.

Milhares de livros

A província do Namibe foi contemplada com 256.350 livros e, neste momento, a distribuição já foi feita a todas as escolas dos municípios, comunas e aldeias.
Além disso, recordou que, no decurso do ano lectivo, alguns professores vão ser submetidos a acções de formação destinadas a ajudá-los a saberem como utilizar os respectivos manuais.No ano passado, foi construída, em cada município, uma escola de 12 salas.
De acordo com Pacheco Francisco, para resolver o problema da falta de estabelecimentos de ensino, as autoridades tencionam construir 193 novas salas, correspondendo a 20 escolas.
Neste momento, estão a ser construídas cerca de 86 salas, para que, até finais deste ano, o sector possa ter as 20 pretendidas.

 Mais professores

O responsável provincial da Educação esclareceu que o seu sector necessita, para este ano, de 1.012 professores.
Pelo menos 126.350 alunos, mais sete mil do que no ano passado, foram matriculados na presente época lectiva. Dadas as especificidades dos municípios da Bibala e também do Camucuio, que têm a ver com a transumância, as matrículas nestas localidades vão até ao próximo mês de Maio.
Pacheco Francisco explicou que a província está a ser assolada pela estiagem, o que faz com que algumas crianças sejam deslocadas para as províncias de Benguela e da Huíla, devido à necessidade de pastagem do gado.
Este fenómeno, segundo o director provincial, provoca o atraso das matrículas, previstas para Maio, altura em que os alunos estão de volta às suas localidades.
“Nós estamos a envidar todos os esforços para que as crianças não saiam prejudicadas com esta situação”, assegurou o responsável da direcção da Educação a nível da província do Namibe.

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