Províncias

Economia da província valoriza sector agrícola

Vladimir Prata

O director provincial da Agricultura do Namibe, Gabriel Faustino Félix, deu a conhecer que a ausência prolongada de chuvas no princípio deste ano afectou negativamente a campanha agrícola da época 2011/2012 nos municípios do Norte do Namibe, nomeadamente a Bibala e o Camucuio.

Gabriel Félix apela camponeses a praticarem a agricultura nas baixas dos rios
Fotografia: Afonso Costa



O director provincial da Agricultura do Namibe, Gabriel Faustino Félix, deu a conhecer que a ausência prolongada de chuvas no princípio deste ano afectou negativamente a campanha agrícola da época 2011/2012 nos municípios do Norte do Namibe, nomeadamente a Bibala e o Camucuio.
Gabriel Félix explicou que a agricultura nestas localidades depende apenas da força da natureza, razão pela qual antevê-se uma colheita bastante fraca nos meses que se seguem. Para contrapor esta situação, o Executivo provincial tem estado a apelar aos camponeses para que pratiquem a agricultura nas baixas dos rios, aproveitando assim a humidade.
Na zona litoral, principalmente nos municípios do Tômbwa e Namibe, onde a agricultura é feita sobretudo à base de sistemas de irrigação, através de motobombas, os níveis de produção são mais satisfatórios, segundo o responsável.
O director da Agricultura referiu que os produtos essencialmente cultivados nas localidades afectadas pela estiagem são os cereais como o milho, massambala e massango, para além de algumas leguminosas como o feijão, ao passo que no litoral vai-se fazendo de tudo um pouco, sobretudo a cultura de produtos hortícolas, como batata rena, repolho, cebola, tomate, cenoura e outras variedades.
A agricultura constitui a terceira maior força na balança económica do Namibe, depois das pescas e da indústria. De acordo com o responsável do sector, os produtos do campo têm sido comercializados nos mercados paralelos e supermercados locais, fazendo parte da dieta alimentar dos habitantes da província.
Todavia, existem algumas dificuldades no escoamento dos produtos do campo para a cidade. Há ainda o problema dos excedentes de alguns produtos, como por exemplo o tomate que é cultivado por uma boa franja de camponeses. Os que têm capacidade financeira e meios rolantes, comercializam o seu produto em províncias como a Huíla, Benguela, Kwanza-Sul, Luanda, Huambo, entre outros pontos do país.
Gabriel Félix revelou que existe um projecto que visa a instalação de uma fábrica de processamento de tomate. O mesmo consta do Programa de Investimentos Públicos (PIP) da província para 2013.

Camponeses honram compromissos com o banco

O programa de crédito agrícola de campanha na província foi implementado nos municípios do Tômbwa e Namibe, tendo beneficiado até este momento 633 camponeses, reunidos em 16 cooperativas.
De acordo com o director da A­gricultura, através do referido programa foi atribuído aos beneficiários um total de 219.376.116.15 kwanzas.
Gabriel Félix disse que os camponeses e agricultores têm estado a honrar os seus compromissos junto do banco credor, apesar da difícil época agrícola, referindo que até ao momento foi reembolsado um total de 44.­447.490 kwanzas.
 O responsável referiu que nos municípios da Bibala e do Camucuio os camponeses estão a trabalhar para ter a documentação em dia e poderem também beneficiar de empréstimos bancários.
O programa tem surtido os efeitos desejados, segundo Gabriel Félix, proporcionando mais postos de trabalho no seio das famílias e dando a possibilidade aos camponeses de adquirir imputs e meios de trabalho.
A direcção da Agricultura controla 17 cooperativas agrícolas e 112 associações de camponeses. Para além do programa de crédito de campanha agrícola, a direcção da Agricultura tem apoiado com a aquisição de imputs para associações de camponeses, bem como investido na reabilitação dos serviços de agricultura, abertura de furos de água e aquisição de sistemas de irrigação.

Resgatar a tradição dos olivais

A província do Namibe conservou durante muitos anos a tradição do cultivo da vinha e do olival, sobretudo na época colonial, uma cultura que o governo da província está apostado em relançar nos próximos tempos.
De acordo com o director da Agricultura, foi gizado um programa que visa revitalizar a cultura e produção sobretudo do olival. Para tal, foram disponibilizados, numa primeira fase, alguns meios para potenciar o programa. Na segunda fase, disse, foram adquiridos alguns pés de olivais e de vinha, embora em quantidades reduzidas.
“Apenas um agricultor se encontra a trabalhar com 300 pés de olival. O cultivo da vinha também é em número bastante reduzido. A nossa intenção é alcançar as cifras que colocavam o Namibe no topo da cultura destes produtos”, referiu.
A cultura do olival era feita naquele tempo ao longo do Tômbwa e do Namibe, até quase a localidade do Bentiaba, com cerca de 40 mil pés de oliveiras, o que permitia ter uma produção de azeitonas considerável. O responsável disse que talvez por ser uma cultura mediterrânica e tropicalizada, e com as dificuldades que foram surgindo, as pessoas deixaram de se dedicar a ela, substituindo-a pelas culturas que permitem a sua subsistência.
“As pessoas preferiram substituir as oliveiras pelo milho, ou por aqueles produtos que permitem mais rapidamente combater a fome”, considerou.

Criação de gado

A província do Namibe conta com cerca de 500 mil cabeças de gado bovino, ao passo que os caprinos e ovinos contam-se mais de 1.200.000 cabeças. Todo este gado, de acordo com Gabriel Félix, está na mão do criador tradicional. Bibala, Camucuio e Virei são os municípios de grande potência a nível da pecuária.
“O estado tem o compromisso de assegurar sobretudo a vacinação deste efectivo de gados, para mantermos o mesmo são por formas a que os munícipes possam consumir carde boa”, disse.
O director provincial da Agricultura do Namibe disse que este ano, devido a estiagem, os criadores foram obrigados a fazer a transumância do seu gado, o que criou dificuldades na vacinação dos animais.

Tempo

Multimédia