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Falta água potável nos bairros da cidade

João Upale

O abastecimento de água à população do Namibe ainda é deficiente embora conste entre as prioridades do Governo Provincial que trabalha para ultrapassar as restrições que surgiram ultimamente e estão a tirar o sono aos responsáveis do sector.

Com a instalação de uma nova conduta e mais captações vai ser possível levar mais água às famílias dos bairros periféricos da cidade do Namibe e sobretudo ao bairro 5 de Abril
Fotografia: João Upale| Namibe

O abastecimento de água à população do Namibe ainda é deficiente embora conste entre as prioridades do Governo Provincial que trabalha para ultrapassar as restrições que surgiram ultimamente e estão a tirar o sono aos responsáveis do sector.
Na cidade do Namibe a situação é preocupante e há zonas em que os moradores andam quilómetros com os baldes à cabeça para se abastecer. Quando não encontram um ponto de abastecimento público, são obrigados a recorrer às cisternas, que substituem os fontanários e as torneiras mas deixam os bolsos vazios porque os candongueiros da água exageram nos preços, sobretudo no tempo de seca.
Julieta Chilombo tem 27 anos e é mãe de quatro filhos. Ela e a sua família viviam no bairro da Nação Tchindukutu mas as cheias de 2001 destruíram a sua casa e teve de mudar para o bairro 5 de Abril, um dos melhores bairros do país, urbanizado pela Administração Municipal. Conta que com os parcos recursos que consegue na venda de produtos alimentares tem de alimentar a família e ainda tem de pensar nas batas das crianças, cadernos, lápis e propinas.
 É preciso fazer muita ginástica e o dinheiro nunca chega. Mas agora está pior: “não tenho água no bairro e compro-a nas cisternas porque as crianças têm que ir limpas para a escola”.
Julieta Chilombo é jovem mas a sua vida dá muito que contar: “o meu marido é deficiente físico e desmobilizado das FAPLA. Mesmo assim faz trabalho de sapateiro para ajudar nas despesas, porque a nossa vida está cada vez mais complicada. Pior ainda quando temos de gastar quatro mil kwanzas por 200 litros de água”.
Muitos moradores do bairro 5 de Abril e de outras zonas periféricas da cidade passam longos períodos sem água em casa nem nas torneiras dos chafarizes que foram construídos pelo Governo Provincial. 
Todos os dias circulam nas ruas e ruelas da cidade do Namibe camiões cisternas e carrinhas carregadas com pipas de água. O negócio prospera porque ninguém tem água e todos precisam de beber, lavar a roupa e cozinhar. Os preços dos candongueiros da água variam de acordo com as capacidades das vasilhas. Os valores variam entre os 2.500 e os 5.000 kwanzas o que não está ao alcance de todos os bolsos.
O director provincial de Energia e Águas, Arlindo Tavares, disse à nossa reportagem que está a tomar medidas para minorar os problemas das populações da cidade do Namibe e sobretudo dos bairros periféricos onde os chafarizes estão secos e prospera o negócio da venda de água ambulante.
O sector das Águas está a fazer uma avaliação das necessidades para depois tomar medidas que resolvem para sempre os problemas de escassez de água na cidade e nos bairros periféricos.
Técnicos dos serviços já fizeram uma avaliação porta a porta e em breve os serviços têm uma ideia precisa das necessidades.Arlindo Tavares disse à nossa reportagem que existe uma equipa de engenharia que já iniciou estudos nos municípios do Camucuio e Bibala onde equipas técnicas estão a fazer furos de água. Dentro de dias esses trabalhos são feitos na periferia do Namibe e no Tômbwa.

Fontanários secos

 Em relação aos chafarizes, Arlindo Tavares disse que há alguns que foram começados e nunca foram concluídos, sobretudo no bairro 5 de Abril: “têm que ser recuperados para responderem às necessidades das comunidades mas está difícil a recuperação porque não temos água suficiente para o abastecimento público.”
Arlindo Tavares diz que a captação do Kussy tem uma capacidade instalada de 150 metros cúbicos e dela depende o bairro Forte Santa Rita que é o maior da cidade. Em 2001, dada a ocorrência das cheias, as populações do bairro Nação Praia e do bairro Tchindukuto foram levadas para o novo bairro 5 de Abril e com isso começaram as dificuldades no abastecimento de água porque a estação de captação deixou de responder às necessidades de tanta gente.
A captação do Kussy também foi projectada para um período de oito a dez anos e já ultrapassou esse tempo de vida útil. Mesmo assim, até 2004 ainda respondeu às necessidades dos consumidores. Nos últimos cinco anos é que surgiram os problemas sobretudo durante o cacimbo. Mas ainda que a estação de captação do Kussy tivesse sido reforçada, dificilmente acompanhava o crescimento populacional do bairro 5 de Abril. Começou com dezenas de milhares de habitantes e agora, segundo o censo do serviço provincial de Águas, tem mais de 400 mil habitantes, o mesmo que uma grande cidade.
 
Novos sistemas

O serviço provincial de Águas pretende encontrar uma solução para o problema da falta de água na cidade do Namibe. A estação de captação do Kussy hoje responde apenas às necessidades de um terço da população. Há um claro défice que só pode ser anulado com a construção de sistemas alternativos, como já está a acontecer noutros municípios da província.
O Programa Água para Todos está a funcionar em pleno nos municípios da Bibala, Camucuio e do Virei (comuna de Cainde).
Em estudo está igualmente a reposição de pequenos sistemas de abastecimentos de abastecimento nas comunidades rurais com furos e a colocação de bombas volantes para colmatar a falta de água. A província tem sede.
 Há populações inteiras sem acesso à água mas o problema também se coloca no que diz respeito ao consumo animal.
Dentro do Programa Água para Todos estão em construção chimpacas com uma tecnologia apropriada para captar a água no período das chuvas e depois conservá-la durante os meses de cacimbo.

Mais captações

A maior captação do Namibe, no Benfica, vai ser reforçada e arrancam em breve obras nas captações do Kussy e da Boavista, devido à precariedade das condutas que estão a precisar de manutenção. Arlindo Tavares diz que os problemas de falta de água ficam resolvidos com “o reforço da capacidade das captações do Kussy, Benfica e Boavista e obras de manutenção das condutas para evitar perdas”.A estação de captação da Boavista vai ter uma intervenção mais dirigida à reposição da capacidade instalada: “há furos que estão obstruídos e uma vez feita a sua desobstrução vamos aumentar a capacidade de produção”, disse Arlindo Tavares.
O sector produz água desde 1999 com o mesmo sistema e a mesma capacidade de captação e tratamento. Os problemas surgidos reduziram essa capacidade a um terço da capacidade inicial na principal, sobretudo na captação de Benfica.
E nesse período, o número de consumidores aumentou muito, sobretudo no bairro 5 de Abril.A captação de Benfica tem um furo que abastece o Saco Mar e o bairro Kambongue.
 Esta zona regista um crescimento urbanístico fora do comum e tem ainda a zona industrial e toda a comunidade piscatória: “é impossível satisfazer as necessidades de todos com a capacidade instalada que temos”.
Arlindo Tavares lembrou que existe a perspectiva de fazer na periferia captações novas no âmbito do Programa Água para Todos”, sobretudo na localidade de Giraúl de Cima.
Também está previsto recuperar alguns pontos na via da Lucira para dar de beber ao gado. Na vila,   o reforço da captação é fácil “porque aí existe um manancial importante que permite fazer esse projecto no imediato e com bons resultados”.
A rede de distribuição no centro da cidade do Namibe é péssima. Uma parte significativa tem 74 anos, sendo de fibrocimento.
O diâmetro das condutas é muito reduzido e permite um volume de água de 624 metros cúbicos por hora, para mais de oito mil consumidores. 

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