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Fazendas do Bentiaba abastecem o Sul

Vladimir Prata

Tomate, cebola, couve, repolho, beringela, milho, banana e melancia. Estes são apenas alguns dos bens alimentares que são produzidos nas fazendas agrícolas dos Serviços Prisionais na província do Namibe, nomeadamente nas localidades do Bentiaba e do Munhino, e que têm chegado já a outros pontos do país, contribuindo para o combate à fome.

Thiama Samuel Jamba director dos Serviços Prisionais da província do Namibe
Fotografia: Afonso Costa



Tomate, cebola, couve, repolho, beringela, milho, banana e melancia. Estes são apenas alguns dos bens alimentares que são produzidos nas fazendas agrícolas dos Serviços Prisionais na província do Namibe, nomeadamente nas localidades do Bentiaba e do Munhino, e que têm chegado já a outros pontos do país, contribuindo para o combate à fome.
Localizada a cerca de 130 quilómetros da sede da província, a fazenda do Munhino, na comuna com o mesmo nome, município da Bibala, iniciou a sua actividade há cerca de seis meses, e nessa altura começa já a dar os seus primeiros frutos. Setembro deste ano é o mês indicado para a colheita em massa dos produtos cujas sementes foram lançadas à terra.
De acordo com o director dos serviços prisionais da província do Namibe, Thiama Samuel Jamba, o espaço em que se encontra o empreendimento, com uma área limite de 300 hectares, pertencia a uma antiga fazenda que se encontrava em estado de abandono, tendo sido por isso reaproveitado para que se lançasse o projecto.
Neste momento, segundo disse, estão a ser explorados apenas 40 hectares de terra, onde foram plantadas hortícolas como o tomate, couve, repolho, beringela, batata-rena e outros. Foram igualmente plantados produtos hortofrutícolas como a banana e a melancia, bem como cereais como o milho, este último já em fase de colheita.
Algumas culturas são novas naquela região, como é o caso da melancia, cuja plantação deu frutos em excesso, resultando em muitos prejuízos, por dificuldades de escoamento. A banana também nunca tinha sido cultivada na região da Bibala, facto que levantou algumas suspeitas quanto ao seu resultado, mas que rapidamente foram afastadas pelas boas evidências.
A rega das plantações é feita através de um sistema artificial de irrigação, suportada por um furo, três cacimbas e duas motobombas que funcionam alternadamente, garantindo a produção de água suficiente para a fazenda.
Os trabalhos são feitos por reclusos do estabelecimento prisional do Bentiaba, em número de 62, que se dedicam sobretudo à plantação, irrigação e colheita dos produtos que têm servido essencialmente para a alimentação da população reclusa de toda a província. Samuel Jamba disse que tem estado a trabalhar com as autoridades da província da Huíla no sentido de se transferir cerca de 100 reclusos ao Namibe a fim de trabalharem nas referidas fazendas.

Excedentes são vendidos

A fazenda agrícola localizada na comuna do Bentiaba, a cerca de 150 quilómetros da cidade do Namibe, conta com uma área limite de 223 hectares. A mesma iniciou a sua actividade em 2007, e neste momento representa a principal fonte de produtos agrícolas da província, abastecendo não só os prisioneiros, mas também o mercado local e outros da região.
Aí, a produção é feita em grande escala. Por exemplo, à produção da banana está reservada uma área de 44 hectares. A batata-rena é cultivada num espaço com 13 hectares. O tomate conta com dois hectares e a cebola com três. Neste momento, segundo o responsável dos serviços prisionais, grande parte da superfície explorada está a ser redimensionada, uma vez que a mesma já foi alvo de muitas campanhas agrícolas.
Samuel Jamba garantiu que os produtos retirados das fazendas dos Serviços Prisionais do Namibe têm servido igualmente para reforçar a dieta alimentar dos habitantes das províncias da Huíla, Cunene, Kuando-Kubango e às vezes Luanda. A nível do Namibe, os mesmos podem ser encontrados nos supermercados oficiais e mercados paralelos.
“Vendemos os excedentes, isto é, os produtos que não são encaminhados para alimentar os prisioneiros, por forma a garantir a manutenção dos meios utilizados na produção dos mesmos e para os gastos correntes”, explicou.

População penal

A província do Namibe tem um total de 1.481 reclusos, dos quais 1.254 são condenados que se encontram a cumprir pena no estabelecimento prisional do Bentiaba.
Na Comarca do Namibe, localizada na sede da província, encontram-se 229 presos. Destes, 145 são condenados, entre os quais seis mulheres, e 84 (entre eles duas mulheres) estão detidos e aguardam julgamento.O director provincial dos Serviços Prisionais do Namibe, Samuel Jamba, garantiu ao Jornal de Angola que a província não regista neste momento qualquer caso de excesso de prisão preventiva, como foi constatado na recente visita efectuada por responsáveis da Procuradoria-Geral da República. O responsável deu a conhecer igualmente que o hospital pertencente a cadeia do Bentiaba encontra-se em estado degradado, mas que existe já um projecto a nível da delegação provincial do Interior que visa a sua reabilitação e apetrechamento nos próximos tempos.
O estabelecimento prisional conta ainda com uma escola com 12 salas, onde dão-se aulas desde a iniciação até ao ensino médio. Samuel Jamba disse que a população reclusa frequenta a mesma escola com os demais habitantes da comunidade, funcionários dos serviços prisionais e seus familiares, e que não tem havido registos de quaisquer incidentes.
O abastecimento de água no local é feito a partir de um sistema de captação, e a energia eléctrica é garantida por dois geradores, um de 250 e outro de 500 kva, com capacidade para fornecer até ao resto da comunidade.

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