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Geologia e Minas com grandes desafios

João Upale |

O director provincial da Indústria, Geologia e Minas, António Figueiredo, assegurou que está em elaboração um projecto de reabilitação do Porto mineraleiro do Saco-Mar, em função do arranque das minas de Kassinga, na província da Huíla.

A previsão do Executivo é que a partir do próximo ano o projecto para a reabilitação e modernização do Porto Minelareiro do Saco-Mar comece a ser executado e venha a empregar muitas pessoas que residem na província
Fotografia: Afonso Costa

O director provincial da Indústria, Geologia e Minas, António Figueiredo, assegurou que está em elaboração um projecto de reabilitação do Porto mineraleiro do Saco-Mar, em função do arranque das minas de Kassinga, na província da Huíla.
“Cremos que até ao próximo ano este projecto vai arrancar, e assim criar mais empregos, mais recursos para a economia nacional”, disse, revelando a existência de outro projecto para a instalação de uma siderurgia numa das localidades.
António Figueiredo disse ainda que algumas empresas de grande dimensão manifestaram a sua disponibilidade em fazer prospecção, no Namibe, de ouro, cobre e outros minerais existentes.
A província do Namibe é rica em recursos minerais, dispondo, além de ouro e cobre, de diamante, urânio e outros minerais básicos como as rochas ornamentais, principalmente o mármore e o granito.
De acordo com o director provincial da Indústria, Geologia e Minas, António Figueiredo, o Ministério que representa tinha licenciado cerca de 17 empresas para fazer a exploração e outras para a prospecção, “mas infelizmente essas empresas nunca deram a cara”.
Apenas duas estão a laborar na província, uma na exploração de granito cinzento e outra na exploração de mármore branco e consequente exportação para o exterior do país, ambas com mineração na região do Caraculo, 60 quilómetros a Norte da sede da província.
A empresa Emanha explora granito cinzento para a produção de artefactos para cozinhas, quartos de banho, cubos para o pavimento, entre outros. A Rokafric é a empresa que se dedica à exploração de mármore branco,e exporta para Portugal cerca de 200 metros cúbicos deste produto trimestralmente. A fonte revelou que neste momento controla 17 contratos ainda vigentes, cujos titulares também não actuam na província.  O secretário de Estado, Mankenda Ambroise, que recentemente trabalhou na província, deixou indicações de que em breve o Ministério vai reunir com esses operadores regularização das suas prestações.
Mankenda Ambroise instou, na ocasião, as empresas que operam na província a fazerem esforços para que o Namibe retome a sua posição de província mineira.

Falta de quadros

A fonte revelou que o sector na província depara-se com a falta de quadros ligados à especialidade, como engenheiros de minas e geólogos. A direcção dispõe somente de quadros básicos e alguns de nível médio e conta apenas com um engenheiro industrial, num universo de 18 trabalhadores. Não há igualmente técnicos especialistas e outros ligados à área de inspecção e fiscalização, o que, de acordo com a fonte, resulta na exploração ilegal de inertes, sobretudo por parte da população de baixa renda.
Faltam também meios de transporte que apoiem as equipas que vão actuar no terreno. Para António Figueiredo, o sector precisa do apoio do empresariado nacional privado ou estrangeiro, com recursos quer financeiros quer humanos, sobretudo para o sector geológico mineiro.

Indústria com importantes projectos em carteira

O sector da indústria na província do Namibe projectou a construção, no município da Bibala, de uma fábrica de cerâmica que irá confeccionar telhas, tijolos e outros artefactos de argila, bem como a instalação de uma fábrica para produção de detergentes líquidos.
De acordo com o director provincial da Indústria, Geologia e Minas, António Figueiredo, os projectos são de âmbito central, coordenados pelo Ministério de tutela, e encontram-se em fase de financiamento pelo Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA).
“A qualquer momento dá-se início na Bibala a parte da execução física. O empreiteiro já manifestou a sua disponibilidade”, disse, assegurando que existe ainda outro projecto para construção de uma fábrica de processamento de produtos hortofrutícolas, sobretudo o tomate.
No que diz respeito à indústria, o responsável reconhece ser um sector ainda em fase de arranque. António Figueiredo salientou que as indústrias existentes no Namibe são as que estão ligadas à produção em pequena escala, fundamentalmente para o ramo da construção civil, como o fabrico de chapas de zinco - três fábricas existentes na província - e algumas de forma artesanal que confeccionam blocos (importante principalmente neste processo de reconstrução nacional), as de produção das caixilharias de alumínio, tintas, serrações, carpintarias e as panificadoras disseminadas quase em todos os municípios.

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