Províncias

Hospital moderno para as mulheres

João Upale | Namibe

A governadora Cândida Celeste da Silva disse que com a inauguração recente, na cidade do Namibe, do hospital materno-infantil, o seu governo tem como objectivo reduzir a mortalidade, cumprindo os “11 compromissos para com a criança” assumido pelo Executivo.

A nova unidade hospitalar coloca o Namibe na linha da frente dos serviços de prevenção das mortes materna e neo-natal
Fotografia: Afonso Costa|Namibe

A governadora Cândida Celeste da Silva disse que com a inauguração recente, na cidade do Namibe, do hospital materno infantil, o seu governo tem como objectivo reduzir a mortalidade, cumprindo os “11 compromissos para com a criança” assumido pelo Executivo.
Com a nova unidade é possível aumentar o controlo das grandes endemias, fundamentalmente o HIV/Sida e outras doenças infecciosas.
O projecto de construção do hospital custou aos cofres do Estado 681,973 mil milhões de kwanzas, inscritos no Programa de Investimentos Públicos.
A capacidade instalada do novo Hospital Materno Infantil é de 300 camas, das quais 100 para a maternidade e 200 camas para a pediatria. A nova unidade hospitalar conta com 296 trabalhadores, sendo 14 médicos, dos quais seis ginecologistas e obstetras, sete pediatras e um médico anestesista, 116 enfermeiros, 30 técnicos de laboratório e 136 funcionários, entre administrativos e pessoal dos serviços gerais.
O hospital tem ainda na área clínica dois bancos de urgência, consultórios de especialidades, dois laboratórios de análises clínicas e dois blocos operatórios com três salas para cada especialidade.
Para apoio hospitalar, a Maternidade Liepiey, que na língua mucubal significa “nascer” e em nyaneka “parabéns à parturiente,” tem uma cozinha com refeitório, salas de assistência aos programas de planeamento familiar, aleitamento materno, de luta contra a Sida, corte da transmissão vertical, aconselhamento e testagem voluntária.
Outros serviços de apoio são a puericultura, programa alargado de vacinação, recuperação nutricional, consultas especializadas de alto risco, obstetrícia e infertilidade.
O hospital está apetrechado com equipamentos modernos, dando possibilidades aos técnicos de melhorar a sua actuação nos diversos serviços. O hospital tem uma ambulância, um mini autocarro e duas carrinhas.

Serviços modernos

Quanto aos serviços de cirurgia infantil, reprodução assistida, fisioterapia, radiologia, laboratório e microbiologia e o comité de combate à infecção hospitalar vão ser criados nos próximos tempos.
No hospital materno infantil vai futuramente entrar em funcionamento, a médio prazo, o gabinete do utente, serviço de atendimento psicológico, programas de pesquisa e detecção precoce do cancro pélvico, uterino e da mama, o teste de desenvolvimento psicomotor no recém nascido e o programa materno provincial.

População satisfeita

A nova maternidade deixou a população animada. Uma parturiente disse à nossa reportagem que “o Governo, no que diz respeito às grávidas e aos bebés, conseguiu resolver os problemas do povo”, lembrando que “as grávidas e as crianças vão deixar de usar uma cama com mais pessoas ou de se acomodarem nos corredores, conforme acontecia antes, porque agora tudo está resolvido.”
O director provincial da Saúde em exercício disse que o hospital “é uma obra construída graças aos esforços conjugados do Executivo e do Governo Provincial na concretização deste importante empreendimento para a população do Namibe”.
Gaspar Cardoso assegurou que os serviços da nova unidade hospitalar vão colocar o Namibe na linha da frente dos serviços de prevenção das mortes materna e neo-natal. Acrescentou que a formação dos técnicos vai ser uma aposta permanente da direcção do hospital.
Todos estão empenhados na adopção de normas de biosegurança e na manutenção e conservação dos meios e equipamentos e da própria infra-estrutura. Assegurou ainda que a instituição vai velar pela observância e cumprimento das normas e regulamentos de gestão hospitalar, para que em colaboração com a população “ possamos acelerar a redução dos índices de mortalidade materno-infantil e atingirmos um dos Objectivos de Desenvolvimento do Milénio”.
Gaspar Cardoso disse ainda que “a saúde materna e infantil, sendo objecto desta instituição, faz parte das prioridades do Executivo inscritas no seu programa eleitoral. Fazem parte também dos compromissos internacionais que o Estado angolano tem relativamente às Metas de Desenvolvimento do Milénio propostas pelas Nações Unidas em Setembro de 2000..
Outra missão do novo hospital tem a ver com o atendimento humanizado à mulher e à criança, nas vertentes curativa e preventiva.

Ngola Kimbanda

A acentuada degradação do edifício do Hospital Ngola Kimbanda, construído há 60 anos, está a preocupar as autoridades da província do Namibe, que defendem uma intervenção urgente para travar o avanço das fissuras nas paredes.
Fruto da idade e da falta de manutenção, as fissuras nas paredes surgem em praticamente todas as áreas do hospital, construído em 1950. Na época, atendia mais de 100 pacientes por dia.
O Hospital Provincial do Namibe precisa de uma intervenção de vulto como constataram os técnicos do Governo Provincial, que avaliaram o estado do edifício que tem uma estrutura sólida mas passou muitos anos sem as indispensáveis obras de manutenção.
A governadora Cândida Celeste da Silva, que visitou a unidade hospitalar, admitiu que o Governo Provincial do Namibe não tem capacidade para fazer face aos encargos financeiros das obras de reabilitação e de ampliação e por isso pediu o apoio das estruturas do Executivo para salvar o Hospital Ngola Kimbanda da derrocada: “localmente não temos capacidade de resposta”, reconheceu a governadora.
A governadora Cândida Celeste revelou que a degradação do edifício do Hospital do Namibe é um problema sério, mas há outro igualmente grave: faltam médicos, enfermeiros e outros técnicos de saúde. “Os fortes investimentos em infra-estruturas hospitalares não têm tido a mesma correspondência nos recursos humanos qualificados e especializados, o que cria ao sector dificuldades no atendimento à população. É preciso aumentar o nível dos quadros no sector da saúde”, defendeu Cândida Celeste.
A governadora defende “um esforço institucional em recursos humanos”, com destaque para médicos, enfermeiros, técnicos dos meios auxiliares de diagnóstico e terapeutas, para preencher o quadro do pessoal das unidades sanitárias que, todos os dias, são construídas no país.
Cândida Celeste sublinhou que, apesar das dificuldades, a província do Namibe tem conhecido melhorias significativas no sector da Saúde, consubstanciadas na construção de hospitais municipais e novos centros e postos médicos. Realçou que o governo da província tem executado programas que visam dar continuidade à revitalização dos serviços de saúde.
A governadora do Namibe disse que a grande prioridade do seu governo no domínio da saúde é lançar programas de consultas ambulatórias, aquisição de medicamentos essenciais, requalificação dos postos de saúde das comunas e a abertura do ensino médio de Saúde para formação de enfermeiros e técnicos.
A governadora do Namibe aposta em levar “o médico de família” às comunidades e quer que esse programa seja uma realidade nos centros de saúde da província a curto prazo.
Alguns especialistas ouvidos pelo Jornal de Angola defendem que se as famílias angolanas tiverem um médico que as observe regularmente, o risco do surgimento de doenças graves tende a esbater-se.

Tempo

Multimédia