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Indústria salineira com boa produção

Baptista Marta| Namibe

As inúmeras pirâmides brancas que se erguem à entrada da zona industrial do Saco Mar mostram uma parte importante da produção salineira do Namibe. São montanhas de sal produzido nas salinas da empresa “Sal do Sol”.  A campanha está no auge e este ano os resultados são animadores.
Para haver sal é preciso vento e sol.

Funcionários de unidades salineiras trabalham para produzir sal de alta qualidade que é comercializado no país e exportado
Fotografia: Afonso Costa| Namibe

As inúmeras pirâmides brancas que se erguem à entrada da zona industrial do Saco Mar mostram uma parte importante da produção salineira do Namibe. São montanhas de sal produzido nas salinas da empresa “Sal do Sol”.  A campanha está no auge e este ano os resultados são animadores.
Para haver sal é preciso vento e sol. A produção tem baixos resultados entre finais de Abril e Setembro e entra no auge, de Outubro a Março. A época alta está quase a terminar.
Fernando Gomes Solinho, gerente da “Sal do Sol”, disse à reportagem do Jornal de Angola que a empresa foi fundada no dia 15 de Outubro de 1993 e que conquistou em Nova Iorque um prémio internacional de qualidade, no ano de 2006. Tem ao seu serviço 103 trabalhadores para 37 hectares de salinas, de onde são extraídas sete mil toneladas de sal por ano: “temos recursos próprios e a gestão é 100 por cento nacional”.
Desde que haja vento e sol as salinas produzem sal em quantidade e de alta qualidade. Mas a produção exige mais. Por isso a empresa luta com imensas dificuldades, devido às quebras no fornecimento de energia eléctrica e água potável. “Outro problema é que temos de importar a sacaria da Europa e a Alfândega cobra-nos taxas elevadas, o que penaliza cada vez mais as indústrias nacionais”.
A empresa salineira está equipada com uma fábrica de empacotamento de sal de cozinha (1kg,5kg e 25kg). Refina por dia oito toneladas de sal, mas precisa de um quadro de pessoal mais adaptado às exigências do sector. A fábrica foi adquirida em Junho do ano passado em Itália e significou um investimento de 350 mil dólares.
Fernando Gomes Solinho diz que “a elevação dos índices de produção depende, em grande medida, da disponibilidade de meios técnicos”. O produto “Sal do Sol” é de excelente qualidade e muito apreciado pelos consumidores. Fernando Gomes Solinho revela também que produz sal para todo o país, mas as Forças Armadas Angolanas são clientes privilegiados.
Na “Sal do Sol” o ano começou com aumentos salariais a todos os trabalhadores, que têm alimentação, assistência médica e
medicamentosa gratuitos, além de subsídio de férias e assistência social. O salário mínimo na empresa é de 30.000.00 Kwanzas.

Segredos da salina

Tomás Cataleco Chitomba é um dos sócios da “Sal do Sol”. Tem 65 anos de idade e 25 de sal. A sua pele está tisnada. Ele é o Director de produção.
A seu cargo, estão 40 operários e todos conhecem com minúcia os segredos das salinas, que só podem ser construídas e exploradas com êxito em terrenos alagados pelas águas das marés. Têm de ficar descobertas na baixa-mar, para que a água fique retida nos reservatórios. Depois o vento e o sol fazem o seu trabalho e nasce o sal do Namibe, conhecido pela sua elevada qualidade.
Há um segredo indispensável: as águas da praia-mar têm que chegar às salinas com a salinidade próxima da salinidade normal da água do mar, o que exige o controlo da água doce proveniente dos regatos de ocasião ou da chuva.
“Estas condições determinam a escolha da localização da salina para tomar água salgada em quantidade e grau de salinidade suficiente na época própria e ser facilmente escoada” explicou Tomás Cataleco Chitomba.
O trabalho de moldar os tabuleiros também tem os seus segredos. O resto é com o vento e o sol: “quem manda nas salinas é o tempo”, disse o director técnico da “Sal do Sol”. Primeiro é armazenada a água salgada, depois é extraído o sal “criado” pelo sol e o vento, depois é o tempo das “curas” e finalmente nascem as pirâmides brancas, sinal de que o processo está concluído.
A fábrica “Sal do Sol” faz o resto e o sal chega ao consumidor limpo e naturalmente rico em iodo.

As crises de sempre

Ao longo dos tempos, a indústria do sal tem conhecido sucessivas crises. Nos últimos anos, o problema residiu nas cheias. Mas as salinas do Namibe sempre tiveram problemas. De má gestão, de falta de dinheiro e até falta de recursos humanos especializados: “há pessoas que gerem as salinas a partir de Luanda e nada sabem deste sector que é muito sensível”, disse Tomás Cataleco Chitomba. No Namibe, o ano de 2011 “foi mau devido às cheias”. Muitas salinas ficaram improdutivas e o sal mal chegava para abastecer o mercado local.A Sal do Sol está situada num triângulo que tem por base um cordão litoral que a separa do mar, numa superfície de 140 hectares, dos quais 37 são salinas e a restante área está disponível para nascerem novos reservatórios.

Transportes caros

Segundo informações a que o Jornal de Angola teve acesso, existem na província do Namibe sete salinas em pleno funcionamento. Em 1992, produziam 50 mil toneladas/ano e agora apenas produzem sete mil toneladas.
De todas as unidades salineiras só a Sal do Sol se encontra em plena laboração e as restantes funcionam a 15 por cento da sua capacidade. O transporte do sal também é caro. Durante muitos anos, a Cabotang foi a única agência marítima que ­fazia a ligação com as províncias banhadas pelo oceano atlântico.
Nessa altura, os navios transportavam para a província de Cabinda sal, peixe seco, peixe fresco e mariscos. No regresso traziam para o Namibe óleo de palma e madeira para a construção naval.
Fernando Solinho quer a navegação de cabotagem de volta, “porque os transportes por estrada ficam a preços muito elevados”.
Para o sócio gerente da  Sal do Sol, o Ministério das Pescas deve fornecer às unidades salineiras da província do Namibe pás carregadoras, camiões basculantes, dumpers e outros equipamentos, “porque é isso que está programado e se for cumprido aumentamos muito a produção”.

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