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Instituto de Ciências Religiosas está com falta de espaço

João Upale | Namibe

 A falta de instalações próprias para o funcionamento regular do Instituto de Ciências Religiosas, ICRA, no Namibe, preocupa os responsáveis do estabelecimento de ensino porque tem muitos alunos e poucas salas disponíveis.

Os alunos do Instituto de Ciências Religiosas são ensinados a compreender o fenómeno da reforma educativa em curso no país
Fotografia: Afonso Costa | Namibe

 A falta de instalações próprias para o funcionamento regular do Instituto de Ciências Religiosas, ICRA, no Namibe, preocupa os responsáveis do estabelecimento de ensino porque tem muitos alunos e poucas salas disponíveis.
O director do instituto, padre Henrique Simão Mutali, em declarações ao Jornal de Angola, no âmbito das comemorações dos 35 anos da independência Nacional, disse que muitas aulas são dadas nas instalações da escola secundária do Namibe.
Henrique Mutali já fez contactos com vários organismos sedeados na província que podiam “dar uma mão, mas não nos deram a luz verde”. Por isso, as actividades do estabelecimento de ensino continuam prejudicadas por falta de espaço para os alunos.
“O grande problema que temos neste momento é a falta de infra-estruturas para a criação da escola e funcionarmos da melhor maneira possível. Já batemos a muitas portas mas o vento parece remar contra nós e isso dificulta o nosso trabalho,” lamentou o padre Henrique Mutali.
Apesar da falta de instalações para a actividade escolar, o responsável do Instituto de Ciências Religiosas garante está a fazer todos os possíveis para que se mantenham as aulas em funcionamento até o fim do ano lectivo.
“Pese embora esta dificuldade com que nos deparamos hoje, ainda estamos motivados e acreditamos que vamos levar esta obra avante até as últimas consequências. Vamos ter instalações à altura para mantermos aberto o Instituto de Ciências Religiosas” assegurou.
O director do instituto prometeu trabalhar mais para encontrar um lugar melhor onde o próximo ano lectivo possa arrancar com espaço suficiente para todos os alunos. “Mesmo assim o ano lectivo 2011 está garantido. Mas espero durante as férias encontrar instalações com mais espaço para todos os alunos”.
O Instituto de Ciências Religiosas abriu no Namibe, no passado dia 8 de Fevereiro, recebendo os seus primeiros estudantes. Estão matriculados 86 alunos de ambos os sexos. O objectivo principal da escola, de acordo com o director Henrique Mutali, é trabalhar na formação do homem: “como qualquer instituição que tem como objectivo a transmissão do saber vamos abrir os horizontes para a cultura dos nossos irmãos mucubais”.
O Instituto de Ciências Religiosas tem como objectivo a integração social dos pastores do Sul de Angola, sobretudo dos mucubais: “vamos oferecer-lhes um ensino de nível médio” frisou Henrique Mutali, director do estabelecimento de ensino.
Esta instituição, acrescentou, surge para responder às necessidades dos alunos da região que muitas vezes, para terem acesso ao ­ensino, “com muito sacrifício têm de se deslocar ao Lubango ou a Namibe, percorrendo estradas onde os acidentes ceifam muitas vidas humanas”.
O projecto foi concebido pelo Bispo do Namibe Mateus Feliciano Tomás que, tendo constatado as dificuldades dos jovens da região, achou por bem criar o instituto na província, revelou Henrique Mutali.
O director do Instituto de Ciências Religiosas explicou que numa primeira fase “não podíamos arrancar com um edifício novo, pensávamos fazer simplesmente algumas salas como anexas do instituto do Lubango, mas proposta a questão à Direcção Provincial da Educação, esta incentivou-nos a criar um novo instituto, com a promessa de nos ceder alguns professores e outros agentes de ensino.”
  
 Disciplinas leccionadas
    
O director do Instituto de Ciências Religiosas esclareceu que muitos pensam que “ na nossa ­escola se lecciona simplesmente a parte da religião. Mas a designação Ciências religiosas aparece por causa da parte moral e tudo o resto, engloba as disciplinas que um instituto médio precisa de ter, desde as ciências filosóficas, humanas e as exactas, matemática e física”.
O Instituto de Ciências Religiosas engloba também algumas disciplinas que constituem o essencial do seu curso que são as ciências de âmbito moral: a ética, a deontologia, a religião, o estudo da Bíblia. Henrique Mutali revelou que o instituto está vocacionado para a formação de professores das ciências morais.
 “O aluno do Instituto de Ciências Religiosas é ensinado a compreender melhor o fenómeno da reforma. Como no passado um professor da 5ª classe tinha de dar simplesmente uma disciplina, hoje já se sente um pouco constrangido. Mas o aluno do nosso instituto está a preparar-se para suprir essas lacunas, de tal forma que consiga dar aulas de todas as disciplinas possíveis que lhe forem propostas”, afirmou. O padre Henrique Mutali sublinhou ainda que neste método da reforma, a sua instituição está a levar a cabo a uniformização de todas as disciplinas curriculares em todos os institutos religiosos instalados no país.
No Namibe, o Instituto de Ciências Religiosas funciona nas salas anexas à escola João Paulo II (da Igreja Católica), no bairro Forte Santa Rita. Mesmo com a falta de espaço, tem duas salas de 10ª classe. Está prevista para o próximo ano lectivo a 11ª classe.
O instituto tem ao seu serviço 12 professores em regime de completamento de carga horária, que também leccionam na Escola de Formação de Professores, no Instituto Médio de Gestão e naEescola “Welwitchya Mirabilis”, Puniv.
Destes professores, três são colaboradores e um eventual. Na sua maioria são remunerados pelo Ministério da Educação excepto os que funcionam em regime eventual.    

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